domingo, 23 de abril de 2017

Alguns ruídos que eu produzo!!

Meu (My/Ma) Soundcloud.
(Some of my compositions/certainers de mes compositions)




Cada faixa pertence apresenta um gênero diferente produzidas e gravadas entre (2003 e 2017). 

*Click nos títulos para ouvir!

















Espero que gostem!! Abs.

domingo, 2 de abril de 2017

Rapidinhas: A Viola Caipira

Segue a série rapidinhas, aqui você vai encontrar anotações sobre gêneros folclóricos brasileiros. Não são "estudos", só anotações rápidas. O objetivo é auxiliar um pesquisa rápida. Se alguém tive informações interessantes colabore nos comentários! Valeu!!

A viola é um símbolo do Brasil rural. Em todos os cantos, um jeito próprio de tocar o instrumento criou ritmos musicais dos mais variados: moda de viola, cururu, catira calango, fandango...Pandeiro, rabeca, violão e sanfona são instrumentos que completam a “orquestra rural brasileira”. Juntos ou separados, Eles animam qualquer  baile ou festa do interior. Fonte: Ritmos Brasileiros - Ricardo Elia. Pág 80.

Viola caipira é o ícone da cultura rural musical brasileira. 


Sua imensa popularidade, principalmente no interior do Brasil, faz dela não só um patrimônio como também um dos grandes veículos da expressão cultural e folclórica do nosso povo.


almeidajuniorvioleiro.jpg
Violeiro - José Ferraz de Almeida Jr. (1899)

Sua origem está ligada as violas portuguesas, que por sua vez, como a maioria dos instrumentos europeus descendem do Oud árabe.  As violas portuguesas chegaram ao Brasil com os jesuítas e colonos portugueses. O instrumento chegou as diversas regiões do país. 

Como sabemos os jesuítas usaram a música como uma das principais ferramentas na catequese de indígenas. A viola foi um dos principais instrumentos musicais nessa empreitada.

 A Viola recebe diferentes denominações no interior do Brasil: viola de pinho, viola caipira, viola sertaneja, viola de arame, viola nordestina, viola cabocla, viola cantadeira, viola de dez cordas, viola chorosa, viola de queluz, viola serena, viola brasileira.

Oud
Viola Portuguesa
Viola Caipira
Viola Dinâmica
zoom-1398_93_img.jpg
Viola Cinturada
Viola Cocho




A viola caipira apresenta um formato semelhante ao violão. Porém difere nas proporções do corpo e na disposição e quantidade das cordas das cordas.
As cordas da viola seguem a seguinte disposição: 10 cordas, divididas em 5 pares. Os dois pares (1 e 2) mais agudos são afinados na mesma nota e mesma altura. Já os demais pares (3, 4 e 5) também são afinados na mesma nota, contudo a corda de cima do par é afinada uma oitava mais grave que a debaixo. Estes pares de cordas são tocados sempre juntos, como se fossem uma só corda.


Uma das características marcantes da viola é sua variedade de afinações. Cada afinação depende da região e do tipo de música a ser tocado.

14.jpg

Expressões poéticas da viola 

A moda de viola é a principal forma da canção rural brasileira. Ela se apresenta em vários formatos e ritmos: toadas, cantigas, viras, canas-verdes, valsinhas, declamações e modinhas. A moda de viola tem uma origem antiga e une diferentes tradições culturais árabes, africanas e medievais europeias. A palavra moda era usada no português antigo, para aglutinar a ideia de canto, melodia ou música. No Brasil essa palavra passou a designar um tipo de canção rural. 

 Nas regiões centro-oeste e sudeste, as modas de viola são previamente escritas e decoradas. No Nordeste, os cantadores cantam de improviso, o chamado repente. 

 Exemplo: 

Chora Viola - Tião Carreiro e Pardinho


Riff
Eu não caio do cavalo nem do burro e nem do galho
Ganho dinheiro cantando a viola é meu trabalho
No lugar que tem sêca, eu de sêde lá não caio
Levanto de madrugada e bebo o pingo de orvalho
Chora viola -Riff
Não como gato por lebre, não compro cipó por laço
Eu não durmo de botina não dou beijos sem abraço
Fiz um ponto lá na mata caprichei e dei um nó
Meus amigos eu ajudo, inimigo eu tenho dó
Chora viola - Riff
A lua é dona da noite o sol é dono do dia
Admiro as mulheres que gostam de cantorias
Mato a onça e bebo o sangue, furo a terra e tiro o ouro
Quem sabe aguentar saudade não aguenta desaforo
Chora viola - Riff
Eu ando de pé no chão piso por cima da brasa
Quem não gosta de viola que não ponha o pé lá em casa
A viola está tinindo, o cantador tá de pé
Quem não gosta de viola, brasileiro bom não é
Chora viola - Riff

Lendas e mitos
A afinação Cebolão recebeu esse nome, pois se acreditava as mulheres se emociona ao ouvi-la, como quem corta cebola. A afinação Rio Abaixo está ligada a lenda de que o Diabo costumava descer os rios tocando viola nessa afinação e, com ela, seduzindo as moças e as carregando rio abaixo. Diz-se que violeiro que utiliza esta afinação pode estar enfeitiçado ou ter feito pacto com o demônio. Acredita-se que a arte de tocar viola é um dom divino e que poucos tem esse bom para se tornar uma bom violeiro. Porém, existe o mito popular que alguns podem adquirir habilidade para ser um bom violeiro através de sortilégios mágicos como como simpatia da cobra-coral. Outro modo seria fazer rezas no túmulo de algum antigo violeiro na sexta-feira da paixão. Ou através de um pacto Diabólico para aprender a tocar viola. Em certas regiões, por tradição, as violas carregam pequenos chocalhos feitos de guizo de cascavel, segundo a crença popular esse objetos te poder de proteção para a viola e para o violeiro.

maxresdefault.jpg

Rapidinhas: Milonga

Estou postando uma série rápida de anotações sobre gêneros folclóricos brasileiros. Não são "estudos", só anotações rápidas. O objetivo é auxiliar um pesquisa rápida. Se alguém tive informações interessantes colabore nos comentários! Valeu!!


O termo Milonga vêm do dialeto Quimbanda (originário de Angola) e significa Palavra. Na região da bacia do Rio da Prata, o termo Milonga batizou o gênero musical muito particular da região. Inicialmente, o termo era usado da designar as danças entre casais (danças de origem afro ou europeias). A Milonga canção se desenvolve com os “payadores” que eram um mistura de músicos, poetas e contadores de histórias itinerantes.
Hoje a Milonga assume várias formas (canção, instrumental, música dançante) e é associada músicos de diferentes vertentes e gerações como: Atahualpa Yapunqui (Arg); Jorge Drexler (Uru), além dos gaúchos César Passarinho, Airton Pimentel e Vitor Ramil.
A origem da milonga (milonga campera) não é seguramente conhecida. Acredita-se, que a Milonga contenha tantos elementos da cultura Afro-americana (Candoblé, por causa de sua constituição rítmica), quanto de danças europeias Habanera (Espanha) e Quadrilha (portuguesa e francesa) que chegaram à  Buenos Aires e Montevidéu através, principalmente, Peru, Espanha, Brasil e Cuba.

Os elementos musicais compartilhados entre a América para a Europa passaram por transformações e adaptações em cada região por onde passaram. Isso resulta nas semelhanças da Milonga com outros ritmos, como Chamarrita. O próprio Tango (gênero musical símbolo da Argentina) surge como um subgênero da Milonga.
A Milonga se popularizou no sul do Brasil no período da Guerra do Paraguai, com a formação do Grande Exército (formado por tropas argentinas, uruguaias e brasileiras). Os brasileiros tiveram contato com esse gênero já bastante difundido nos países vizinhos de língua espanhola.

Podemos dividir em a Milonga é classificada por alguns pesquisadores dentro de duas categorias básicas:

Campera, pampeana ou surera (sureña) - é a folclórica “tradicional”. 

Ciudadana ou sentimental - surgiu no anos 30 na Argentina com o músico e compositor Sebástian Piana. A Milonga Ciudadana ou sentimental era uma versão estilizada da Milonga Campera. 

Outras variantes:
Milongón - surgiu e se desenvolveu pelos compositores negros de Montevideo (Uruguai).

Chorrillera (ou chorrillero) - Música folclórica da província de Santa Cruz (Argentina). Mistura a Milonga com o Kaani (dança e música argentina com influências indígenas).
Detalhes técnicos.
A divisão rítmica da milonga é uma de suas características singulares.
Para entender sua divisão, vamos observar um compasso simples (4/4 ou 2/4) em três acentuações. Utilizando como unidade a colcheia no compasso 4/4 e a semicolcheia no compasso 2/4. Essa divisão pode ser representada por um esquema número: 3+3+2.
Dedilhando muito utilizado na Milonga.





















Letras

A Milonga é um canal de expressão natural do cancioneiro na região sul da América Latina.
Suas letras tem alguns aspectos gerais:
Suas letras são muitas vezes escritas em forma de narrativa. Cheias de imagem poéticas e relações com a vida do campo.
As letras têm sempre um ar bucólico, muitas vezes introspectivo, tratam da vida do homem dos pampas, seus amores, sua ligação com o modo de vida e simplicidade do campo.


Exemplo: A Bela canção Guri de Cesar Passarinho.
Das roupas velhas do pai queria que a mãe fizesse
Uma mala de garupa e uma bombacha e me desse

Queria boinas e alpargatas e um cachorro companheiro
Pra me ajudar a botar as vacas no meu petiço sogueiro

Hei de ter uma tabuada e o meu livro "Queres Ler"
Vou aprender a fazer contas e algum bilhete escrever
Pra que a filha do seu Bento saiba que ela é meu bem querer
E se não for por escrito eu não me animo a dizer… (trecho de Guri de César Passarinho)

Dois grandes poetas e compositores do gênero são César Passarinho e Aírton Pimentel.
A Milonga também deu espaço ao discurso político com compositores como o argentino Atahualpa Yapunqui. E no Rio Grande do Sul, com a canção Semeadura de Vitor Ramil e Carlos Moscardini. Contudo, em momentos bastante pontuais.
A Milonga também tem seu lado instrumental com músicos como Jorge Cardoso e Renato Borghetti.




Analisando a forma na música popular. Parte 2: Formas mais comuns da canção baseadas no texto das letras.

Obs: Analisando a forma na música popular - Parte 1 Click

Por muito tempo fui muito reticente em escrever algo sobre segmentar a canção tomando como base a letra. Apesar de ser algum muito comum entre os ouvintes e músicos em geral. Sentia falta de algum texto amplamente aceito para poder me lança nessa empreitada. Os textos acadêmicos muitas vezes não chegavam a lugar nenhum (pois a maioria não trata da estrutura musical da canção, pois não são escritos por músicos).  

Um belo dia, eis que encontrei esse texto de forma inusitada e interessante! O texto? Autoria Musical para Leigos! Sim! A versão brasileira daquela coleção For Dummies! Se vocês chegou até aqui no texto e torceu o nariz! Então não continue... Ou continue e tenha uma agradável surpresa! Um texto bem elaborado e escrito por produtores e músicos experientes na área de produção! Tomei esse texto como base para e somei a algumas ideias próprias. 

Divirtam-se!!!

As canções folclóricas e o Blues de doze compassos foram a base para as primeiras canções populares modernas (entende-se por isso canções do século XX).

Essas categorias organizam a forma da música, tomando como referências a distribuição do texto da canção.
Na lista abaixo, são apresentadas algumas das formas mais comuns usadas na canção:
  • Forma de estrofe única;
  • Forma de duas estrofes;
  • Forma estrofe-refrão (variação);
  • Forma estrofe-refrão usando pré-refrão;
  • Forma estrofe-refrão usando ponte;
  • Forma rapsódia.
Devemos levar em consideração que existem milhares de variações e modelos de forma usados na música popular. Mas para título de conhecimento básico, o domínio dessas formas básicas pode auxiliar no reconhecimento e criação de qualquer modelo.

Forma de estrofe única: Basicamente esta forma apresenta uma única estrofe sempre com mesma melodia sobre a qual é colocada uma letra diferente a cada apresentação da estrofe.
Sua origem está na canção folclórica. Na música popular podemos observar o uso dessa forma na música folk. É comum o uso dessa forma em canções que narram histórias.  
Exemplo: Matty Groves (canção folclórica inglesa)

Forma de duas estrofes: Muito utilizada nas canções da Broadway nas décadas de 40 a 60. Inicialmente essa forma não foi muito utilizada na canção popular.
Essa forma “evita” o efeito do refrão. Ela procura manter o mesmo “clima” por toda a canção evitando o clímax gerado pelo refrão.

Características:
Muitas vezes, as melodias das duas estrofes são iguais. Contudo, muitos compositores iniciam as melodias das estrofes de forma idêntica e adicionam uma modificação no final. É comum o uso de intermezzos instrumentais entre as estrofes.  Muitas canções que usam essa forma apresentam textos narrativos.   
Exemplo: Love Song – The Cure.
Podemos observar que apesar do uso de trechos instrumentais “dividindo” as partes das canções, os compositores equilibram as melodias, nenhuma delas gera um clímax nas canções, mas por outro lado, nenhum é menos interessante que a outra.

Forma de duas estrofes com variação: Nesta variação as duas estrofes são seguidas de outro segmento, que apresenta uma melodia diferente. Essa nova parte não funciona como um refrão.
Esse segmento, muitas vezes, cria a sensação de clímax, mas ele não se caracteriza como um refrão. Para efeito de identificação vamos chamar esse segmento de variação ou trecho modificado.
Exemplo:
Time – Pink Floyd.
Na canção temos duas estrofes com melodias e harmonias diferentes, essas duas estrofes dominam a canção numa relação de posição e complementação. No trecho final encontramos uma terceira estrofe um uma melodia que soa como uma variação da segunda estrofe, mas com uma harmonia diferente.
Something – The Beatles.
Observe o trecho da letra “You're asking me will my love grow I don't know, I don't know” esse trecho modificado expande a forma de duas estrofes. Aqui temos mudanças do tonos, do arranjo e do tonalidade da canção.

Forma Estrofe/Refrão: Essa é a forma mais comum da canção popular. Nela se alternam os dois segmentos básicos da canção: a estrofe e o refrão. A história contada nas estrofes alcança seu auge no refrão (que muitas vezes traz o título da canção).
Nesse caso a melodia e o arranjo do refrão são muito mais “atraentes” que aquela apresentada na estrofe.  
Exemplo: Fallin’ – Alicia Keys.
No exemplo a alternância entre estrofes e refrãos é bem clara e direta. Podemos observar as diferenças marcantes entre as melodias e os arranjos dos dois segmentos.

Forma estrofe-refrão usando pré-refrão: Como vimos, anteriormente, o pré-refrão é um segmento curto que ocorre entre uma estrofe e o refrão. Ele apresenta uma melodia diferente que cria uma “expectativa” para o que vem a seguir.
É uma forma de composição sofisticada, e muitas vezes, os pré-refrãos não precisam apresentar sempre a mesma letra, assim, sua criação necessita de elaboração e criatividade do compositor.   
Exemplo: Rolling in the Deep – Adele
Essa canção apresenta um recorte exato das partes da letra. O pré-refrão inicia quando a letra chega ao trecho: The scars of your love remind me of us.

Forma estrofe-refrão usando ponte: Como vimos o objetivo da ponte é conectar dois segmentos da canção. Ele ocorre entre duas estrofes ou logo após o refrão para conectar à uma estrofe.
Exemplo: Hands – Jewel
O trecho “In the end only kindness matters” inicia uma parte que “quebra” a continuidade e conecta dois refrãos. Isso sem criar a expectativa de um pré-refrão.

Forma Rapsódia: Essa é uma forma aberta quase inclassificável. Sua estrutura não segue os padrões vistos anteriormente. Nesta estrutura, compositor produz vários segmentos diferentes que se alternam, gerando um fluxo “progressivo”. Muitas vezes nessa forma nenhum trecho se repete.   Apesar de ser estrutura e programa, essa forma dá ao ouvinte uma impressão de improvisação em relação à forma.
Essa forma é muito usada e gêneros mais experimentais como o jazz e o rock progressivo.
Exemplo: Bohemian Rhapsody – Queen.


terça-feira, 9 de agosto de 2016

Renascimento e um pouco de sua Música: Ockeghem, Des Prés e a Chanson franco-flamenga

O texto são anotações de aulas e resumo de diversas fontes principalmente do livro História da Música Ocidental Grout & Palisca.

O Renascimento é o termo que distingui o período histórico compreendido entre o fim do século XIV e meados do século XVII. Foi assim denominado pelo impulso de revalorização das referências culturais da Antiguidade Clássica que foram o ponto de partida em direção a um ideal humanista e naturalista. O humanismo colocava a figura humana no centro das questões em todas as áreas. 

O período foi marcado pelas transformações vário aspectos da vida da cultura e do pensamento e abriu as portas para Idade Moderna. A transição do feudalismo para o capitalismo foi o aspecto motivador destas mudanças. Esse contexto possibilitou as transformações na cultura, sociedade, economia, política e religião, numa ampla ruptura com as estruturas medievais. 

Aspectos gerais:

- O humanismo;

- O cientificismo e o início da tecnologia atual;

- A valorização da cultura greco-romana;

- A liberdade de circulação de idéias;

- Inicio da economia capitalista: o incremento comercial, as primeiras indústrias e o estabelecimento dos bancos, a solidificação das nações, o colonialismo, o imperialismo e a globalização, o pragmatismo político, as novas pesquisas científicas, a vitória do racionalismo na filosofia, a crítica aos dogmas da igreja e a diversificação das crenças cristãs, a fundação de universidades modernas e a divulgação do saber através imprensa.

A retomada do interesse pela cultura grego-romana no séc. XV alavancou uma série de discussões sobre a arte e seu papel na vida do homem. Este contexto tanto papel da música quanto a forma como ela era produzida passaram a ser amplamente questionados. 

Teóricos, literatos e filósofos que liam nos clássicos do pensamento grego sobre a “força” das paixões despertas pela música, e questionava-se: porque a música de seu tempo não despertava as mesmas paixões?

Esta critica se agravava à medida que as outras artes já ensaiavam uma aproximação com os modelos clássicos. Tal aproximação era impossível, pois diferente das demais expressões artísticas a música da antiguidade não havia deixados registros possíveis de aproveitamento pelos músicos da época. 

Assim os músicos passaram a tentar intuir e interpretar como seria a música “expressiva” descrita nos textos gregos e a partir daí tentar criar sua própria música expressiva com os recursos que dispunham.

A demanda intelectual para que música retomasse os valores expressivos “perdidos” foi tamanha que muitos pensadores da época geraram densas criticas sobre a música e a produção e  a pratica musical. 

Os principais críticos da música da época foram o bispo Bernadino Cirillo e o teórico e compositor Gioseffo Zarlino, e ao mesmo tempo, também foram incentivadores da Nova Música. Apesar de Zarlino celebrar as conquistas técnicas da música de sua época, ele junto a Cirillo clamavam pelo retorno da expressividade aos moldes do que acreditavam ser a música do período clássico grego. Estes críticos apontaram como exemplos da nova música expressiva obras de compositores com Willaert (O Dolce Vita Mia)e Arcadelt (Ahime, ahime, dov'è'l bel viso).

Estética e técnica

O plano estético foi determinante para construção da música da renascença, ele foi inicialmente baseado nos textos dos filósofos e ensaísta gregos como Platão, Aristóteles, Pitágoras, Euclides e Ptolomeu. O primeiro centro destes estudos foi a escola de Vittorio Feltre fundada na cidade italiana de Mântua me 1424, lá aristocratas e jovens de talento iniciaram as leituras e estudos dos textos clássicos. 

Num período seguinte surgem os textos contemporâneos de fundamentaram a nova pratica musical tais como o dodekachordon de Glareano; Liber de Arte Contrapuncti de Tinctoris e finalmente a grande síntese dos conceitos musicais renascentistas La Istituitioni Harmoniche de Zarlino.

Outro aspecto importante foi a aproximação entre a poesia e a música promovida no renascimento foi de extrema importância para a linguagem musical. Diferente da relação música e poesia existente no período medieval, agora a poesia passa a determinar os aspectos expressivos da música. 

Os poetas renascentistas procuram mimetizar o sentido das palavras através de uma cuidadosa preocupação com as sonoridades, por sua parte os músicos procuraram reproduzir e potencializar estas sonoridades. Utilizado a poesia sua sintaxe, pontuação e seus aspectos dramáticos como elementos norteadores na construção de todos os elementos da forma musical: sentido das melodias; uso de consonâncias e dissonâncias; ritmos; cadências; equilíbrio das intensidades; texturas.

Afinação

No plano teórico a questão da afinação se tornou cada vez mais importante, pois com a sofisticação do contraponto e as novas possibilidades de uso de intervalos como a terça, sexta. Foi necessário buscar sistemas de afinação que tornassem estes intervalos mais consonantes. 

Diferente do que temos de afinação hoje, onde o temperado musical suaviza e ajusta a sonoridade das terças e sextas, tornando-as consonâncias, naquela época o sistema adotado o pitagórico, gerava uma série de problemas em relação aos intervalos e até em intervalos teoricamente correspondentes como, por exemplo: Dó# e Réb, que soavam diferentes pro causa da divisão interna dos semitons. Assim passaram a ser adotadas solução como o sistema mesotônico e mais tarde os primeiros sistemas temperados.

Música impressa

Com a invenção da impressa de caracteres moveis, a confecção de partituras se tornou um dos principais meios de divulgação e registro das obras musicais. A proporção de tal novidade foi tão grande, que se iniciou um movimento de padronização de alguns aspectos da escrita e notação musical. O resultado disso é nossa atual notação universalizada.

Características gerais da música renascentista:

Apesar de ainda utilizar os modos medievais, a música Renascentista, lança mão de muitas modulações, transposições, alterações cromáticas, diferenciando sua sonoridade daquela encontrar no período medieval.

A grande mudança em relação à Ars Nova foi o alto grau de complexidade e sofisticação atingido pelo contraponto. Também neste estagio os compositores passaram a se preocupar com a condução vertical da música, ou seja, na harmonia entre as vozes, encadeando o movimento das vozes a fim de controlar o surgimento dos intervalos e dos “acordes”. 

Gerando efeitos de movimento mais suaves e racionais. Passou-se a usar mais intervalos de terças e sextas no interior da peça e intervalos como as quartas e quintas justas eram menos constantes, e o uníssono e as oitavas passaram a iniciar ou terminar a composição.

O aspecto teórico mais importante foi o surgimento da pratica de compor todas as vozes de uma obra de uma única vez. Até então o método praticado consistia em escrever uma voz de cada vez, ou seja, numa peça a quatro vozes o compositor escrevia a voz aguda ou grave, ou simplesmente completava as vozes a partir de um canto firmus

Isso ocasionava muitas vezes em duplicações de notas em duas ou mais vozes. Com as novas técnicas de contraponto mais sofisticadas necessitavam de mais atenção e cuidado por parte dos compositores, assim a composição simultânea das passou ser o modelo praticado até nossos dias.

Técnicas como a imitação de melodias inteiras ou trechos agora são freqüentes entre as vozes. Surge a notação métrica e são abandonadas teorias de ritmos medievais. Com a formalização das primeiras da fórmula de compasso. 

Divisões e a subdivisões binárias e quaternárias são agora mais comuns. Os ritmos de danças são aproveitados como modelos. As cores das figuras tornam-se brancas para as longas e pretas para as notas curtas. 




















São feitas experiências acústicas como o estilo policoral veneziano, onde se distribuía o coro em vários lugares da igreja criando a sensação de reverberação e eco. São incorporados efeitos vocais variados miméticos como: gritos, resmungos e sons de animais, entre outros.

Denominação das vozes e função:

Nome medieval
Nome renascentista
Função
Supremus ou Superius
(latim)
Soprano (italiano)
Escrita na parte superior da partitura é a voz mais aguda da música, onde estava maior parte das melodias
Altus (latim)
Contralto (italiano)
Escrita acima do tenor é voz mais grave que a soprano, voz intermediária da polifônica
Contraltus (latim)
Contratenor (italiano)
Escrita na pauta abaixo da altus é voz mais aguda que o tenor outras voz intermediária da polifônica
Tenor (latim)
Tenor
Sua origem era o cantus firmus, ficando entre a voz agudas e a grave e preenchia a parte intermediária da polifônica
Bassus (latim)
Basso (italiano)
Escrita abaixo de todas e na parte inferior da partitura, passando a ter a função de tenor ou sustentar o canto

As principais características da música renascentista são: o extenso uso da textura polifônica; a definição de vários parâmetros do contraponto; o inicio da transição do sistema modal para o tonal.

As formas mais cultivadas de música sacra são: a Missa e o moteto. Já na música secular temos: o madrigal, a chanson. Temos também o a música instrumental para a dança e os primeiros registros de um gênero musical puramente instrumental, com formas como: o ricercar e canzona

Fases da Música na Renascença:

A divisão é arbitraria e serve para diferenciar alguns estilos de composição, sendo que alguns se sucederam e outros foram contemporâneos.

Geração Pré-Renascimento: a escola de Inglesa e da Borgonha (1400-1450): transição entre Idade Média e Renascença.

Escola Inglesa

Principais compositores: John Dunstable (Quam pulchra es) e Leonel Power.

Características: utilização de terças e sextas como consonâncias; uso de forma sistemática do Fauxbourdon; estilo claro e fluido; vitalidade rítmica e harmônica nas cadências.

Escola da Borgonha

Principais compositores: Guillaume Dufay (Nuper rosarum flores) e Gilles Binchois

Características: a proibição de quintas e oitavas paralelas ou diretas; texturas com quatro vozes; imitação e controle da dissonância; nas canções seculares uso de formas como: Rondeau, Virelai e a balada, com três vozes com uso de partes instrumentais.

A primeira geração franco-flamengo (1450-1480)

Principais compositores: Johannes Ockeghem (Qu'es mi vida, preguntais), Arcadelt, Willaert e Antoine Busnois

Características: novas regras de contraponto; consolidação do estilo polifonia imitativo; Técnicas amplamente utilizadas: canon convencional ou mensural.

A segunda geração de franco-flamengo: o Estilo Internacional (1480-1520)

Principais compositores: Josquin Desprez (Absalon, fili mi) e Johannes Obrecht.

Características: polifonia de estilo menos densa e elegante; cadências claras e freqüentes; composições com seções de duas ou três vozes e passagens homofônicas facilitando a articulação do texto; as linhas de melódicas de contornos mais simples e equilibrados.

A terceira geração (1520-1560): O estilo internacional do século XVI.

Principais compositores: Música sacra: Cristóbal de Morales (Parce mihi Domine) e Nicolas Gombert.

Características: aumento do número de vozes (geralmente cinco); mistura das texturas; uso frases e cadências de engano.

Principais compositores: Música secular [chanson francesa]: Janequin (Le chant des oiseaux), Sermisy, Clemens e Senfl.

Características: formas mais praticadas madrigal italiano e a chanson parisiense, que eram muitas vezes homofônicas com aspectos onomatopaicos e bem-humorados. Na Espanha, foram livros publicados para vihuela (música instrumental) e canções para voz com acompanhamento de compositores como: Narváez (Siete Diferencias sobre Guárdame las vacas), Fuenllana, Milan e Mudarra.

A quarta geração (1560-1600): Fim do renascimento.

Principal compositor: Música Sacra: Giovanni Pierluigi da Palestrina (Missa papae marcelli).

Características: clareza do texto; estilo fluido de contraponto livre de textura densa e rica; tratamento cuidadoso das dissonâncias; pulso rítmico equilibrado e uniforme e uso comum da sincope para criar variedade. Este estilo foi definido como um modelo para a música religiosa de seu tempo.

Principais compositores: Música secular: Orlando di Lasso (Matona, Mi Cara), Gesualdo, De Rore, Tomás Luís de Victoria e John Dowland.

Características: uso de texturas polifônicas menos densas e homofônicas; larga utilização de instrumentos como acompanhamento; primeiras formas de musica puramente instrumental.

Gêneros

Os principais gêneros da música Renascentistas foram:

Na Música Sacra: A Missa e o Moteto

Principais Compositores: Guillaume Dufay, Johannes Ockeghem, Josquin Desprez, Johannes Obrecht e Giovanni Pierluigi da Palestrina.



Na Música Secular:

Gêneros da música vocal: o Madrigal, a Frottola, a Caccia, a Chanson francesa [em diversas formas: Rondeau, virelai, Canzonetta] e a música vocal acompanhada pelo alaúde na Inglaterra.

Gêneros da música instrumental:

Música instrumental para dança: pavanna, galharda, bransle, chacona e passacalha.

Música instrumental pura: Canzona da sonar: versão instrumental de peças vocais; as primeiras canzoni eram para teclado ou alaúde e depois foram escritas para conjuntos instrumentais;

Fantasia in nomine: tema e variações baseadas num tema religioso.

Fantasia: peça livre contrapontística.

Ricercare ("procurar" em italiano): peça com estilo imitativo.

Toccata ("tocar" em italiano): peça livre com passagens virtuosísticas.

Sonata ("soar" em italiano): peça para instrumentos de cordas.
Estas composições eram escritas para instrumentos como: teclado [virginal ou órgão] e cordas [grupos de violinos; Vihuela ou alaúde].

Com o aparecimento de novos instrumentos na Europa iniciou-se a pratica de reuni-los em famílias, chamadas consortes, com objetivo de se produzir uma sonoridade homogênea para a música. Os consortes podiam ser formados por famílias da flauta doce, da viola da gamba, do violino, da viola. Também havia os instrumentos “solo” como o virginal e o cravo [teclados] e os que também acompanham as execuções de musica vocal como a Vihuela e o Alaúde. 

Johannes Ockeghem



Nascido em 1420, se sabe que Ockeghem em 1443 era Cantor no coro da Catedral de Antuerpia, já em 1452 passou a integrar a capela real da França como Premier Chapelain. Ockeghem tornou-se famoso não só por suas obras, mas principalmente com o grande mestre dos compositores das gerações seguintes como Josquin Des Prés.

Suas obras conhecidas são 13 missas [missa L’homme arme; missa Caput]; 10 motetos e cerca de 20 chansons [Ma maistresse; D’ung aultre amer]. O numero de missas devesse ao fato desta ser a principal forma de composição na segunda metade do Séc. XV. 

Apesar da sonoridade de Ockeghem ser semelhante aquela de Dufay, as texturas polifônicas do primeiro são bem mais densas e homogêneas, além das melodias serem mais angulosas, e também temos o uso mais racional das cadencias ao fim das frases.

Muitas vezes para criar variedade na sua sonoridade Ockeghem muitas vezes escreve trechos com apenas duos ou trios, com ritmos iguais nas vozes. A técnica de imitação mais usada por Ockeghem é o cânone, nestes trechos ele demonstra toda sua pericia como compositor.

Josquin Des Prés

Era chamado de "Príncipe dos Compositores", pelos músicos de sua época. Nasceu por volta de 1445 e faleceu em 27 de Agosto de 1521, provavelmente em Condé-sur-l'Escaut, na região francesa de Flandres. Sua música incorpora influências italianas à formação característica da escola flamenga. Sua combinação de técnica e expressividade rompe com o estilo medieval. Contribuiu para diversos gêneros, como a música sacra [motetos e missas] e a música secular [chanson francesa e italiana].

Foi um dos primeiros a superar as formas tradicionais de composição, dando novo tratamento às relações entre texto e música. Mestre da polifonia e do contraponto estendeu e aplicou sistematicamente o recurso da imitação (repetição de um trecho musical por vozes diferentes). Seu estilo musical exibe grande invenção melódica e domínio de técnicas como o cânone, bem como uma inclinação pelas canções populares.

Ele Utilizava a técnica como meio de expressão requintado, um exemplo é técnica de suspensão empregada como recurso de ênfase, onde as vozes ganham os registros mais graves nos trechos do texto onde, por exemplo, temos uma alusão à morte. 

Suas canções seculares também são importantes, foi o principal representante do novo estilo de meados do século XV, com formas musicais menos rígidas. Certas canções mostram técnica rebuscada, em ritmos vivos e texturas claras.

Suas obras principais foram: missas [Pange Lingua], motetes [Absolom fili mi; La deploration de la mort deJohannes Ockeghem] e canções [Mille Regetz; Faute D’argent; El Grillo].

Estilo de Josquin Des Prés



O estilo de Des Prés é marcado principalmente pelo desenvolvimento do contraponto imitativo e expressivo. Nele o compositor tentava valoriza e potencializar os aspectos poéticos e dramáticos do texto abordado.

Este estilo passou a se chama musica reservata (também musica secreta), ela era um estilo de música vocal cantada à capela metade do século 16, muito apreciada por círculos aristocráticos e intelectuais, principalmente na Itália, envolveu o requinte e a expressão emocional intensa através do canto do texto poético. 

Um belo exemplo da musica reservata de Des Prés é o moteto Absolom fili mi, onde através de movimentos descendentes da melodia, o compositor mimetiza o lamento de Davi pela morte de seu filho Absalão. 

Mille regrets é a mais famosa chanson de Des Prés, é um bom exemplo de como o compositor planejava sua obra com o objetivo de reforça a expressividade do texto. Ela ainda obedecia de certa forma a rigidez formal, mas já se inclinavam para uma maior liberdade formal em relação ao texto poético. O texto de “Mille regrets” é supostamente de autoria do poeta Jean Lemaire de Belges (1473-1515). Fazendo uma observação do esquema de rimas empregado nesta chanson, vemos que na música de Josquin define para algumas rimas serão usadas notas graves e em outras notas agudas.
Rima aguda:
    abandonner / définer

 
Rima grave:
   amoureuse / doleureuse
 
Mille regrets de vous abandonner

Et d’élonger votre face amoureuse
J’ai si grand deuil et peine doleureuse
Qu’on me verra bref mes jours définer.
A Chanson Francesa

A Chanson do séc XVI difere daquela dos troboudors e troverès medievais, com o requinte polifônico e poético, além da influencia do estilo dos compositores do norte [Ducado de Borgonha, Inglaterra] e do sul [Itália], este gênero toma outra dimensão na renascença. 

Com a adição do gênero expressivo e descritivo [onde ser usavam onomatopeias e imitações de animais e ruídos] a chanson torna-se extremamente popular e influente. 

A grande divulgação ajudou na divulgação e na obtenção de fama para este gênero, isso foi possível graças ao desenvolvimento simultâneo da imprensa de signos musicais.

Principais compositores:  

Clément Janequin (1485 Châtellerault- 1558 Paris) Foi um dos mais famosos compositores de chansons da Renascença, juntamente com Claudin de Sermisy, teve forte influência no desenvolvimento da chanson parisiense, principalmente da canção programática.

Claudin de Sermisy (c. 1490 - 13 de outubro 1562) ele foi um dos compositores mais renomados dos compositores de chansons [juntamente com Clément Janequin], além disso, também foi um compositor importante do sagrado música. Sua música foi tanto influenciada como também e influenciou seus contemporâneos italianos. (Au Joly boys)
Pierre Certon (c1510-1520 - 23 de fevereiro de 1572) foi um influente compositor no desenvolvimento tardio do francês chanson. (La la la je ne l'ose dire)

Alguns ruídos que eu produzo!!

Meu (My/Ma)  Soundcloud . (Some of my compositions/certainers de mes compositions) Cada faixa pertence apresenta um gênero diferente ...