terça-feira, 4 de julho de 2017

Notas sobre: Escrita Espelhada (Intervalos, modos, acordes) e algo sobre Harmonia Negativa.

Algumas observações iniciais:

1. Esse texto não tem nenhuma pretensão acadêmica. É um texto informal;
2. Nos exemplos da primeira parte uso a clave de Dó para facilitar a observação do Dó centralizado; 
3. Quando estava publicando esse texto encontrei esse vídeo muito legal sobre o assunto a segunda parte do texto.    

Procurar formas organização diferentes para geração de possibilidades para modos e acordes é um exercício que todo aspirante a compositor fez em algum momento da vida. Principalmente, quando você quer sair um pouco do tonal sem cair no atonal.

Uma boa pedida é um recurso muito interessante  chamado de “Espelhamento”. Fui apresentado a esse recurso nas aulas de composição do Prof. Dr. Eli-Eri Moura. O professor gostava de conceder algumas informações (e exemplos) e deixar que nós experimentássemos a nova ferramenta por nossa conta e risco (já diria o Fleetwood Mac “Go Your Own Way”!). Mas sempre incentivados a ler algum capitulo do livro do Persichetti.

Bom, Esse texto não é uma aula e nem vai substituir um bom livro sobre o assunto. Prefiro pensa-lo como um primeiro passo. Por isso, serei o mais direto possível.

Espelhamento: Ato ou efeito de espelhar, de produzir reflexo como o do espelho. Na escrita esse engenho é chamado escrita especular.

Observemos a palavra Roma:   RomAmoR

Reproduzindo as mesmas letras num sentido contrário (tento a letra A como eixo), surge outra palavra. Claro, para aplicar de forma satisfatória escrita especular teremos que escolher bem a palavra para obtemos um resultado interessante.

Na música (particularmente nos modos) aplicamos - com algumas ressalvas - essa ideia sobre os intervalos na composição do contraponto. No contraponto modal/tonal essas inversões obedecem aos intervalos fixos da escala (claro, as vezes fugimos para dessa máxima para regar variedade ou uma modulação, mas são casos excepcionais). 

Por exemplo, num contraponto modal a duas vozes (voz 1 aguda e voz 2 grave) no modo Dó Jônico, iniciamos com um movimento clássico partido da nota inicial do modo:

- Sentido contrários (voz 1 ascendente e voz 2 decentemente) em grau conjunto.

Esse movimento irá obedecer aos intervalos do modo, nos quais, para alcançar a nota que está próxima ao Dó (I grau) por grau conjunto ascendente (II grau) “caminharemos” uma 2º maior. Já para alcançar a nota que está próxima ao Dó (I grau) por grau conjunto descendente (VII grau) “caminharemos” uma 2º menor. Isso ocorre, pois observamos de forma restrita os intervalos que compõem o modo Jônico.





Libertai-vos das amarras!!!

Ok, “vou chutar o balde”! Nada de seguir modelos de escalas para distribuir os intervalos numa inversão. Vou ser "curto e grosso" inverter os intervalos com as distâncias fixas se tenho uma 2º maior ascendente a inversão será uma 2º maior descendente. E vamos ver no que dá!!





Quando aplicamos esse raciocínio aos modos gregos, surge algo curioso! 

A inversão espelhada dos intervalos gera outros modos sobre a mesma nota inicial.

Pois, por apresentarem assimetrias na distribuição de seus intervalos, quando invertidos formam estruturas diferentes. 

Claro, como toda regra tem uma exceção o único modo com o qual não ocorre esse fenômeno é o Dórico (modo com intervalos simétricos). 

O modo Jônico, por exemplo, quando invertido de forma espelhada produz os intervalos do modo Frígio.




Dentro do contexto tonal, o que era Dó maior se tornou Láb Maior. Numa mera mudança de direção dos intervalos migramos para outro contexto tonal.

O mesmo ocorre com o Mixolídio que se transforma no Eólio (no exemplo, Dó Mixolídio em Fá Maior migra para Dó Eólio em Mib).  




Já o modo lídio quando escrito de forma especular se torna o Lócrio (no exemplo, Dó Lídio em Sol Maior migra para Dó Lócrio em Sib).  




Como falamos acima, a escrita especular não produz efeito de transformação sobre o Dórico, isso graças à simetria doa intervalos desse modo. Assim, mesmo escrito de forma especular o modo Dórico mantém a mesma ordem de intervalos.






No campo da produção de acordes a Escrita Espelhada (ou especular) pode nos auxiliar na geração de opções para acordes substitutos para harmonização. Por exemplo, vamos pensar numa aplicação básica com acordes formados por tríades.
  



Por exemplo, para harmonizar a nota dó (tonalidade de Dó maior) posso usar o acorde de Dó Maior (acorde que tem a nota dó como fundamental). Aplicando espelhamento posso gerar outra opção para harmonização (Fá menor empréstimo modal sobre o IV grau). 

Básico! 

Agora ampliando esse conceito para todas tríades que contém a nota dó na tonalidade de Dó maior. Utilizando a nota dó como eixo para inversões.Ou seja, a nota fica fixa e invertemos os intervalos ao seu redor. 




Na Escrita Espelhada em alguns casos a função dos graus e o modo dos acordes irá ser modificar.

Por exemplo: Tríade de Dó maior.

Escrita Espelhada: Dó (F) – Mi (III) – Sol (V) à Dó (V) – Láb (bIII) – Fá (F).

Expandindo minhas possibilidades!

Aplicando sobre o campo harmônico de Dó Maior a coisa toda vai ficando interessante! 

Voilá! Temos um campo harmônico ampliado à lá Bartok!  


Notem que muitos acordes resultantes são sobre as 4º ou 5º da fundamental do acorde inicial com o modo invertido (acorde maior que se torna menor), outros estão uma segunda menor acima ou abaixo da fundamental do acorde inicial.

Uma forma simples de estudo da aplicação tanto dos modos quanto dos campos harmônicos ampliados está no exemplo abaixo.





Partindo de uma melodia simples no modo Jônico utilizo o eixo (a nota dó) como ponto de partida para transformação do modo, gerando assim, tanto um novo material melódico quando um novo contexto tonal. Onde poderei explorar possibilidades harmônicas.



Toda essa brincadeira só com as tríades simples!

A coisa toda vai ficando mais “divertida” a medida que você passar aplicar a ideia de escrita especular sobre acordes com mais intervalos. 

Por exemplo, acordes com sétima, logo na primeira operação de escrita espelhada resulta num acorde que no contexto tonal está “distante” do acorde inicial (alguém vai perguntar, onde está a tabela com essas inversões? Bom, essa tabela eu deixo para vocês!).



Harmonia negativa

Bom, apesar de que ultimamente se tem falado muito sobre o assunto, admito nunca der dado muita atenção à matéria. também admito que não li o livro do compositor e professor suíço Ernst Levy. Meu contato com as ideias de Levy, possivelmente (se não me falha a memoria), fora através de alguma roda de discussão entre os colegas de faculdade. 

Aqui vou transcrever as anotações da época. O método visa ser uma alternativa a harmonia tonal ou uma expansão das suas possibilidades. Bem aplicado, ele produz um "arsenal" de acordes substitutos e alternativas modais.

Diferente da “escrita espelhada” que se baseia na simples inversão rígida dos intervalos de uma escala ou acorde, a chamada “harmonia negativa” (nomezinho mais feio!) tem como ponto de partida a teoria dos números positivos e negativos.



Os números se apresentam em posições rigidamente simétricas em relação a sua origem (ou eixo). Cada número positivo tem sua contraparte negativa. Tanto o número positivo X quanto o número negativo X estão localizados a uma distância idêntica em relação ao eixo, porém, em sentido contrário.

Partindo dessa ideia Levy elaborou a seguinte aplicação. Partido do circulo das quintas, ele estabeleceu que o intervalo de 5º justa seria “polos” localizados em sentidos extremos (positivo/negativo), em seguinte descrever um “eixo” entre esses extremos.

O “polo positivo” está no sentido horário e o “polo negativo” no sentido anti-horário. Nesse texto vou usar como polos Dó e Sol. Mas quaisquer relações do Circulo das Quintas podem gerar polos Ré/Lá, Fá/Dó, Mi/Si, Láb/Mib. Notem que sempre há uma relação entre a primeira nota do circulo e a nota em posição de dominante (vizinha imediata no sento horário).
    

Para descrever esse “eixo” o autor recorre às notas cromáticas entre os dois “polos”. Instituindo o eixo nas duas notas localizadas no “meio do caminho” entre os polos. A partir daí, ele “completa” os polos com as notas que “sobraram”, claro sem repetir nenhuma, para garantir a diferença entre cada polo. 



Você pode está se perguntando: Qual o motivo que levou o autor a usar o intervalo de 5º justa para instituir os polos (e depois “completa-los”)?

Admito não recordar dos princípios usados pelo autor para defender sua escolha. Na minha humilde opinião, acredito que o uso desse sistema se justifica por mera facilidade de assimilação, visualização e organização. Afinal o Circulo das Quintas é um principio amplamente conhecido da linguagem musical entre os músicos (uma obrigação, eu diria!).   

A aplicação na construção de acordes é muito parecida com a utilizada na escrita espelhada. Entretanto, ao invés, de utilizar a inversão dos intervalos utilizaremos uma “tabela de eixos” (Não é o termo correto! Se alguém souber coloque nos comentários).  





Com a tabela, cada nota do acorde que está no Polo Positivo serão substituídas por sua contraparte do Polo Negativo. Como na teoria dos números positivos/negativos, as notas apresentam uma distância rigidamente simétrica em relação ao eixo.


Diferente do processo de “escrita espelhada” nós não iremos tomar uma nota como eixo e inverteremos os intervalos. Na Harmonia Negativa (volto a perguntar: Não tinha uma nomezinho melhor?) aplicaremos a tabela que apresenta na qual cada nota de um polo tem contrapartes polo inverso. 

Um universo de possibilidades!


A Harmonia Negativa gera outro grupo de possibilidades para além daquelas que encontramos na Escrita Espelhada.

Além disso, o número de possibilidades possíveis é muito maior!

Posso fazer o convencional, aplicar a tabela entre os polos Dó (negativo) e Sol (positivo) sobre o campo harmônico de Sol Maior.




Como também posso aplicar a mesma tabela sobre o campo harmônico de Dó Maior (campo harmônico sobre o Polo Negativo).





Posso tornar Dó um “Polo Positivo” e gerar outro Eixo tendo Fá como “Polo Negativo”. E criar outra série de campos harmônicos (Esses também deixo para vocês!).



Resultando em dois Eixos!



Posso misturar as ideias da Escrita Espelhada com a Harmonia Negativa na geração de escalas!




Criar campos harmônicos substitutos mistos (construção dos modos utilizando as ideias da Harmonia Negativa e formação dos acordes com a Escrita Espelhada)!





Aplicar o espelhamento dos intervalos para gerar outros acordes e campos harmônicos.




O limite é sua imaginação (e bom senso!)

Talvez o mais complicado seja aplicação desses sistemas. É necessário muito experimento (tentativa e erro). 

Lembrem, nem tudo são flores! Algumas coisas irão soar esplêndidas, outras nem tanto e algumas horríveis! 

A dica é experimentar e usar o “ouvidomêtro”  (a melhor ferramenta da música).



Divirtam-se!! Grande Abraço!

Postagem dedicada aos jovens músicos João Pedro Abarno Dias, Mateus Ginger, Murilo Kessler de Azambuja, Guilherme Schüler e Heitor Barbosa.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Medição do que é música boa? Medir a música é igual a entende-la?

Antes de qualquer não estou tomando partido de nenhum gênero musical!

Está circulando na internet uma (bela) pesquisa de análise de dados (de caráter quantitativo levando em consideração aspectos qualitativos dos acordes como: tamanho dos acordes, raridade, variedade) que analisa as quantidades e variedades de acordes/palavras para gerar uma escala de complexidade nas composições da música popular brasileira de diferentes épocas e gêneros. (link para a pesquisa)

O pesquisador provavelmente nunca teve a intenção de denegrir ou glorificar músico ou gênero X ou Y. Na verdade a pesquisa é um experimento sobre um logaritmo usando como objeto algo de nosso cotidiano.

O que é extremamente válido!

Ps.: Minha dissertação foi algo bem parecido (menos sofisticado que o logaritmo do colega!).

O autor da pesquisa talvez tenha tido a ideia de comparar gêneros musicais para chamar a atenção para seu experimento!

O que também é válido!

E o autor ainda manteve seu afastamento de cientista apresentou todos os dados resultantes sem fazer juízo de valor!

Tanto que a pesquisa indica que uma cantora da atual música pop brasileira tem um coeficiente de complexidade mais elevando que uma das bandas mais importantes da nossa história da música popular.

Os números são frios!!

Apesar da minha "crença" e da minha "preferência" pelo segundo como exemplo de "música de estrutura sofisticada"! Os números do levantamento dizem outra coisa!

Os números não mentem!!


O que eu acredito ser discutível é o fato que muitas pessoas estarem usando esses dados como um cavalo de batalha para justificar o preconceito ou ignorância.

----------------------------------- Intervalo para nota de esclarecimento -----------------------------------

Só uma coisa que eu gostaria de deixar claro!

Tem muita gente por aí produzindo comentários com o seguinte teor: Só se fazia "música boa" até tal época! depois só tem lixo!
E ainda completam: Os culpados são os músicos e compositores que não produzem mais "música boa"!!

Poderíamos reelaborar esse comentário da seguinte forma: O tipo de música que eu gosto, foi "mainstream" (ou já teve mais visibilidade) durante uma época, depois a indústria musical tomou um outro rumo e o mainstream adotou outros gêneros! 

E completar: Eu sempre espero que o mainstream "me mostre" o que consumir! Ao invés de usar os recursos com a internet e os streams para buscar e dar oportunidade para os novos músicos dos gêneros que me agradam. Mas ao invés disso, prefiro me agarrar no passado (nas memorias sentimentais) e o transformo num paraíso musical idílico. 

Ps.: Nenhum gênero da música popular se extingue tão fácil! Alguns tornam-se cult dentro de nichos.
 ----------------------- Fim do intervalo: retornamos a programação normal --------------------------

Para começar, apreciemos ou não, gêneros como Rock, Funk Carioca, Jazz, Sertanejo Pop, Maracatu, Forró de Plástico, são produtos de uma miríade aspectos estéticos, técnicos, sociais, antropológicos, educativos, comerciais e econômicos. Assim, a sonoridade, a forma, a função, a temática do produto musical atual variam infinitamente.

Usar como "cavalo de batalha" uma pesquisa que tem como parâmetro "quantidade de acordes" (a pesquisa é mais complexa e interessante que isso! Só estou sendo rasteiro para dá um efeito dramático ao texto! rsrs) para definir o que é música boa? É no mínimo inocente! Volto a dizer o autor da pesquisa dificilmente quis fazer tal julgamento!

Sobre o aspecto harmônico qualquer melômano sem grandes conhecimentos musicais sabe que determinados gêneros se apoiam com uma certa quantidade e qualidade de acordes (isso também não indica que as essas harmônias tenham algo de genial ou original) e outros não necessitam de tantos acordes (e muitas vezes apresentam soluções harmônicas muito mais interessantes).

A apreciação da música (assim como da arte e da ciência) exige que vários aspectos estéticos de cada gênero devam ser levados em consideração por aqueles que querem construir uma argumentação sobre o assunto. Caso contrário, tudo se transforma em "achismo", "gostismo" e auto (pretensa) afirmação.

Imaginem! Nós fazermos uma "pesquisa" tendo como parâmetro o uso de batidas eletrônicas! Os "gênios" da MPB não passariam de "medíocres" e os (ditos) "medíocres" seriam "gênios".

Por mais que as pessoas torçam o nariz, o conceito de "música boa ou ruim" vai ser julgado em última instância por quem consome e se identifica com cada gênero musical.

Além disso, determinados gêneros musicais estão aí porque existe uma indústria que os produzem e os vinculam, além de um público que os consomem.

Deveríamos discutir quais são os aspectos antropológicos que direcionam fruição do individuo para gênero (ou sonoridade) X ou Y. E a partir daí sofisticar a educação musical, social e cultural (Mas até isso tem de ser pensando e estudado para não transforma numa espécie de doutrinação cultural). Você pode medir a música, mas essa medição é apenas uma ferramenta para entende-lá (isso se você precisar medir! kkk)! E não defini-la!
















domingo, 23 de abril de 2017

Alguns ruídos que eu produzo!!

Meu (My/Ma) Soundcloud.
(Some of my compositions/certainers de mes compositions)




Cada faixa pertence apresenta um gênero diferente produzidas e gravadas entre (2003 e 2017). 

*Click nos títulos para ouvir!

















Espero que gostem!! Abs.

domingo, 2 de abril de 2017

Rapidinhas: A Viola Caipira

Segue a série rapidinhas, aqui você vai encontrar anotações sobre gêneros folclóricos brasileiros. Não são "estudos", só anotações rápidas. O objetivo é auxiliar um pesquisa rápida. Se alguém tive informações interessantes colabore nos comentários! Valeu!!

A viola é um símbolo do Brasil rural. Em todos os cantos, um jeito próprio de tocar o instrumento criou ritmos musicais dos mais variados: moda de viola, cururu, catira calango, fandango...Pandeiro, rabeca, violão e sanfona são instrumentos que completam a “orquestra rural brasileira”. Juntos ou separados, Eles animam qualquer  baile ou festa do interior. Fonte: Ritmos Brasileiros - Ricardo Elia. Pág 80.

Viola caipira é o ícone da cultura rural musical brasileira. 


Sua imensa popularidade, principalmente no interior do Brasil, faz dela não só um patrimônio como também um dos grandes veículos da expressão cultural e folclórica do nosso povo.


almeidajuniorvioleiro.jpg
Violeiro - José Ferraz de Almeida Jr. (1899)

Sua origem está ligada as violas portuguesas, que por sua vez, como a maioria dos instrumentos europeus descendem do Oud árabe.  As violas portuguesas chegaram ao Brasil com os jesuítas e colonos portugueses. O instrumento chegou as diversas regiões do país. 

Como sabemos os jesuítas usaram a música como uma das principais ferramentas na catequese de indígenas. A viola foi um dos principais instrumentos musicais nessa empreitada.

 A Viola recebe diferentes denominações no interior do Brasil: viola de pinho, viola caipira, viola sertaneja, viola de arame, viola nordestina, viola cabocla, viola cantadeira, viola de dez cordas, viola chorosa, viola de queluz, viola serena, viola brasileira.

Oud
Viola Portuguesa
Viola Caipira
Viola Dinâmica
zoom-1398_93_img.jpg
Viola Cinturada
Viola Cocho




A viola caipira apresenta um formato semelhante ao violão. Porém difere nas proporções do corpo e na disposição e quantidade das cordas das cordas.
As cordas da viola seguem a seguinte disposição: 10 cordas, divididas em 5 pares. Os dois pares (1 e 2) mais agudos são afinados na mesma nota e mesma altura. Já os demais pares (3, 4 e 5) também são afinados na mesma nota, contudo a corda de cima do par é afinada uma oitava mais grave que a debaixo. Estes pares de cordas são tocados sempre juntos, como se fossem uma só corda.


Uma das características marcantes da viola é sua variedade de afinações. Cada afinação depende da região e do tipo de música a ser tocado.

14.jpg

Expressões poéticas da viola 

A moda de viola é a principal forma da canção rural brasileira. Ela se apresenta em vários formatos e ritmos: toadas, cantigas, viras, canas-verdes, valsinhas, declamações e modinhas. A moda de viola tem uma origem antiga e une diferentes tradições culturais árabes, africanas e medievais europeias. A palavra moda era usada no português antigo, para aglutinar a ideia de canto, melodia ou música. No Brasil essa palavra passou a designar um tipo de canção rural. 

 Nas regiões centro-oeste e sudeste, as modas de viola são previamente escritas e decoradas. No Nordeste, os cantadores cantam de improviso, o chamado repente. 

 Exemplo: 

Chora Viola - Tião Carreiro e Pardinho


Riff
Eu não caio do cavalo nem do burro e nem do galho
Ganho dinheiro cantando a viola é meu trabalho
No lugar que tem sêca, eu de sêde lá não caio
Levanto de madrugada e bebo o pingo de orvalho
Chora viola -Riff
Não como gato por lebre, não compro cipó por laço
Eu não durmo de botina não dou beijos sem abraço
Fiz um ponto lá na mata caprichei e dei um nó
Meus amigos eu ajudo, inimigo eu tenho dó
Chora viola - Riff
A lua é dona da noite o sol é dono do dia
Admiro as mulheres que gostam de cantorias
Mato a onça e bebo o sangue, furo a terra e tiro o ouro
Quem sabe aguentar saudade não aguenta desaforo
Chora viola - Riff
Eu ando de pé no chão piso por cima da brasa
Quem não gosta de viola que não ponha o pé lá em casa
A viola está tinindo, o cantador tá de pé
Quem não gosta de viola, brasileiro bom não é
Chora viola - Riff

Lendas e mitos
A afinação Cebolão recebeu esse nome, pois se acreditava as mulheres se emociona ao ouvi-la, como quem corta cebola. A afinação Rio Abaixo está ligada a lenda de que o Diabo costumava descer os rios tocando viola nessa afinação e, com ela, seduzindo as moças e as carregando rio abaixo. Diz-se que violeiro que utiliza esta afinação pode estar enfeitiçado ou ter feito pacto com o demônio. Acredita-se que a arte de tocar viola é um dom divino e que poucos tem esse bom para se tornar uma bom violeiro. Porém, existe o mito popular que alguns podem adquirir habilidade para ser um bom violeiro através de sortilégios mágicos como como simpatia da cobra-coral. Outro modo seria fazer rezas no túmulo de algum antigo violeiro na sexta-feira da paixão. Ou através de um pacto Diabólico para aprender a tocar viola. Em certas regiões, por tradição, as violas carregam pequenos chocalhos feitos de guizo de cascavel, segundo a crença popular esse objetos te poder de proteção para a viola e para o violeiro.

maxresdefault.jpg

Notas sobre: Escrita Espelhada (Intervalos, modos, acordes) e algo sobre Harmonia Negativa.

Algumas observações iniciais: 1. Esse texto não tem nenhuma  pretensão acadêmica. É um texto informal; 2. Nos exemplos da primeira parte...