Segue playlist das aulas com tópicos de música do Canal Aula De. Produzidos entre Abril de 2917 e Junho 2018.
Parlatório Musical
domingo, 12 de julho de 2026
A música é igual a um relógio de pulso - Parte 3: Durações
Agora tirar algumas camadas do campo das Durações. Nos deteremos as definições de conceitos básicos de divisão e escrita das durações.
Definições:
Material de Pesquisa: Ritmo e Métrica (O Fator Temporal)
1. Ritmo, Pulsação e Metro
Conceito de Ritmo: Derivado do grego rhythmos (que significa fluxo ou continuidade de movimento), o ritmo é um termo guarda-chuva utilizado que abrange todos os elementos relacionados à duração na música. A música é concebida, percebida e vivenciada dentro do fluxo de eventos no tempo, podemos dividir esses elementos em segmentos temporais micro (pequeno), meso (médio) e macro (grande). O termo ritmo também é aplicado para designar as divisões do metro na execução musical.
A Pulsação: É o batimento regular e recorrente que determina uma referência de velocidade para os eventos relacionados a duração dentro uma obra musical. Desenvolver a percepção rítmica permite ao músico acompanhar o movimento musical e manter-se na velocidade designada (andamento/tempo), independentemente das variações e transformações simples ou complexidades das durações impostas às alturas.
Metro
O metro descreve pulsações regularmente recorrentes de igual duração, geralmente agrupadas em padrões de dois, três, quatro ou mais, com uma das pulsações de cada grupo acentuada. Esses padrões de pulsos fortes (>) e fracos são chamados de tempos (beats).
O metro binário (dois tempos) e o metro ternário (três tempos) são os dois metros fundamentais. Todos os outros metros resultam de alguma combinação desses dois.
Atuando em junto com o metro, o ritmo é um conjunto padrão de durações iguais ou desiguais. Enquanto os tempos regulares do metro se combinam para formar compassos, um ritmo pode assumir quase qualquer extensão.
Exemplo: O metro estabelece uma base regular de pulsos, enquanto o ritmo cria padrões variados sobre essa base — como a diferença entre o tique-taque constante de um relógio (metro) e a melodia de uma música (ritmo).
2. Métrica e Fórmulas de Compasso
Figuras rítmicas: ícones gráficos utilizados para representar um certo tempo de duração.
Dentro do contexto da divisão simples de compassos, cada figura tem um tempo de duração e é representada tanto por seu design quanto por um número.
Figura | Duração | Número |
Semibreve | 4 batidas | 1 |
Mínima | 2 batidas | 2 |
Semínima | 1 batida | 4 |
colcheia | ½ batida | 8 |
semicolcheia | ¼ batida | 16 |
Métrica: É um padrão repetitivo que combina batidas acentuadas (fortes) e não acentuadas (fracas). está relacionado ao metro. A música organiza esses grupos de pulsações em unidades específicas chamadas compassos, que são separados graficamente por barras de compasso. (Mais informações sobre métrica veja o LINK)
Fórmula de Compasso: Consiste em dois números dispostos verticalmente colocados no início da música ou onde quer que haja mudança métrica.
Número Superior: Em sua interpretação literal, representa a quantidade de tempos/batidas dentro do compasso.
Número Inferior: Determina a figura geométrica (nota) que receberá um tempo (a unidade de tempo).
Exemplo: No compasso 4/4 cada compasso tem 4 tempos que são representados pela figura de um semínima (4) para cada batida.
3. Agrupamentos e Sinais de Prolongamento
Bandeiramento/Ligação: Substitui as bandeirolas (colchetes) de notas isoladas por barras horizontais (linhas de ligação) quando agrupadas. Esse método serve para facilitar a leitura e respeitar as práticas de notação rítmica de cada métrica.
Ponto de Aumento: Um ponto colocado após a nota ou pausa aumenta o seu valor de duração em metade do seu valor original. Pontos duplos adicionam metade do valor do primeiro ponto (Ex: um semínima pontuada vale 3 batidas, ela representa a soma de uma mínima vale 2 batidas, a semínima 1 batida pontuada) . Raramente usam-se mais do que dois pontos.
Ligadura de Valor: Linha curva que conecta duas notas da mesma altura, somando suas durações em um único som contínuo. É indispensável para estender notas através das barras de compasso.
4. Classificação dos Compassos (Simples, Composto e Assimétrico)
Historicamente, até século XVI, o compasso ternário era considerado a única métrica natural (representando a Santíssima Trindade), chamado de tempus perfectum (sinalizado pelo círculo "O"). Outras métricas usavam o círculo quebrado "C", que evoluiu para o símbolo de Common Time e o "C" cortado para o compasso Alla Breve
Modernamente, as fórmulas de compasso dividem-se em:
Compasso Simples: É aquele em que a pulsação básica é dividida naturalmente em duas partes iguais. Ex.: 2/4, 3/4 e 4/4 onde cada batida do tempo é representada por uma semínima. Na escrita os números da parte superior por padrão são 2 (binário), 3 (ternário) e 4 (quaternário) e o inferior sempre 4 (semínima).
Compasso Composto: É aquele em que a batida principal é dividida em três partes iguais, aqui uma figura rítmica pontuada representa a unidade de tempo. Atua em dois níveis: por exemplo, o compasso 6/8 há teoricamente 6 batidas de colcheia por compasso , mas em andamentos rápidos elas se agrupam de três em três, transformando o compasso em um "binário composto" onde a pulsação é a semínima pontuada. Os números superiores são 6 (binário), 9 (ternário) e 12 (quaternário).
Compasso Assimétrico: Métricas cujos compassos não podem ser divididos em frações ou agrupamentos iguais. Eles formam subgrupos desiguais de dois, três ou quatro tempos. Os compassos assimétricos podem ser simples ou compostos Ex:5/4, 7/4, 5/8, 7/8.
5. Divisões Proporcionais Alteradas
Quiálteras: Alteram a subdivisão convencional dos compassos. As mais comuns são as tercinas e duplinas.
Tercinas: Ocorre quando um tempo de divisão binária (simples) é temporariamente dividido em três partes iguais. A tercina é um grupo de três notas que possui a mesma duração que normalmente teriam duas notas daquela mesma figura. (Ex: três colcheias em tercina ocupam o espaço de duas colcheias normais, equivalente a 1 tempo completo) .
Duplinas: Mais comuns em compassos compostos (com o número 8 na base), ocorrem quando se força uma divisão de duas partes iguais sobre um espaço que originalmente comportaria três batidas.
Também é comum o uso de quiálteras para alterar conjuntos de semicolcheias que nos compassos simples apresentam de 4 semicolcheias passam a apresentar 5 semicolcheias.
6. Conceitos Avançados de Performance
Interpretação: Envolve a aplicação de nuances estilísticas do gênero e a visão artística individual do regente ou executor. Expressões como staccato (curto/destacado) ou indicações de dinâmica como mf (mezzo forte) não são absolutas ou medidas em decibéis; elas são aproximações artísticas dependentes do contexto, andamento e estilo.
Outros conceitos importantes já foram examinados em postagens anteriores como:
Contratempo e Síncope LINK
Fraseologia LINK
Textura LINK
domingo, 28 de junho de 2026
A música é igual a um relógio de pulso - Parte 2: alturas
A canção e a teoria: Alturas.
Não vou falar sobre o contexto da canção e sua popularidade. Vamos direto ao ponto. Basicamente o ouvinte percebe, logo de cara, três dimensões ao ouvir uma canção:
Texto;
Durações;
Alturas.
Mas nem sempre isso ocorre nessa ordem!
Tem quem percebe melhor as durações e bate palmas “no tempo”;
Tem quem percebe melhor as alturas e “canta afinado”;
Tem quem percebe o texto.
Daí temos aquelas caso de indivíduos que sabem todo o texto da letra bater palmas no tempo.
Cada uma das dimensões está recheada de conceitos e estruturas que podemos abordar separadamente, mas que em termos funcionais precisam estar juntas. Uma coisa que temos que entender é que o processo musical é complexo, interdependente e cheio de porém e variantes. Ou seja, não há explicação fácil ou mágica e inspiração sobrenatural.
Algumas estruturas acionadas em cada dimensão:
Texto: estrutura textual/vocabulário/prosódia.
Durações: metro/ritmo/figuras/divisão rítmica/métrica.
Alturas: intervalos/escalas/acordes/melodia/harmonia.
Mas vamos nos deter aos aspectos musicais. Os aspectos textuais não são foco deste texto. Vamos olhar o mapa o fluxograma abaixo:
Veja que cada aspecto está interliga dentro do seu próprio campo (alturas ou durações) e cada campo se interliga para gerar uma estrutura maior e complexa: a canção.
Vamos fazer uma “investigação” através de uma “extração de camadas” da canção:
Camada 1: canção Parabéns Para Você na grafia musical tradicional:
Aqui temos a representação geral do conteúdo musical:
Campo das alturas: alturas, tessitura, notas ou representação das frequências das alturas, intervalos, tonalidade, melodia, acordes, progressões de acordes, funções harmônicas.
Campo das durações: metro, fórmula de compasso, ritmo, figuras rítmicas, bpm, métrica, fraseologia: inícios e terminações.
É tanta coisa que cansa!
Para exemplificar quantas mecanismos musicais são necessários para fazer funcionar essa singela melodia. vamos primeiro tirar algumas camadas do campo das alturas:
Definições:
Alturas (pitch)
Frequências
Intervalos
Extensão
Como já vimos anteriormente, as definições de Altura e Frequências. Vamos iniciar pelos intervalos.
Intervalos
Definições básicas
Definição: É a relação de distância entre altura entre duas notas dentro da escala cromática. Os intervalos são nomeados pelo número de semitons contidos entre duas notas.
Exemplo: O intervalo entre as notas Sol (G) para Lá (A), podemos dizer que o intervalo contém apenas duas notas (G e A) separadas por dois semitons, esse é chamado de uma segunda.
Os intervalos podem ser tocados de forma sucessiva ou simultânea.
Dentro da prática comum da música ocidental e popular, utilizamos a como intervalo mais longo a OITAVA e o menor intervalo o UNÍSSONO.
Os intervalos podem ser:
Intervalo Simples: São os intervalos que se mantêm dentro do limite de uma oitava.
Intervalo Composto: São intervalos maiores do que uma oitava.
É padrão usar números para designar os intervalos musicais: 1, 2, 3… 8.
Exemplo (vamos usar a nota Dó como fundamental ou “nota base”):
Oitava: Refere-se ao número 8, que é o número do seu intervalo.
Uníssono: É o intervalo número "1", constituído por duas notas da mesma altura.
2. Classificação e Qualidade dos Intervalos
Intervalos justos/perfeitos:São os intervalos que incluem a tônica e o quarto e o quinto graus de uma escala maior. Além disso, o uníssono e a oitava também são chamados de perfeitos. Os intervalos de quarta e quinta são os intervalos justos.
Abreviações Padrão: 1 (uníssono), 4j (quarta), 5j (quinta) e 8 (oitava).
Intervalos perfeitos: Nunca sofrem qualquer tipo de alteração.Intervalos justos: sofrem alterações de rebaixamento de um semitom (diminutos) ou elevação de um semitom (aumentados). São grafados com a letra “j” após o número que identifica o intervalo (porém alguns autores e músicos usam apenas os números apenas).
Intervalos Maiores: São os intervalos que partem da tônica em direção ascendente para o segundo, o terceiro, o sexto e o sétimo graus de uma escala maior.Abreviações Padrão: 2 (segunda maior), 3 (terça maior), 6 (sexta maior) e 7 (sétima maior).
Intervalos Menores: É o intervalo que se forma quando um intervalo maior é reduzido em um semitom (meio tom). Isso pode ser feito elevando a nota inferior ou abaixando a nota superior.Abreviações Padrão: Utilizam-se várias grafias para designar um intervalo menor: Uso a letra minúscula "m" (menor) ou “b” (bemol) seguida ou após o número que identifica do intervalo (ex: 7m, m7, 7b, b7).
Exemplo: Uma M3 (Terça Maior) torna-se uma m3 (Terça Menor) ao sofrer essa redução de meio tom.
Tabela Comparativa de Semitons (Intervalos Perfeitos, Maiores e Menores)
A tabela abaixo compara os intervalos pelo número de semitons dentro de uma oitava:
Nome do Intervalo | Abreviação | Número de Semitons |
Uníssono | 1 | 0 |
Segunda Menor | 2b | 1 |
Segunda Maior | 2 | 2 |
Terça Menor | m3 | 3 |
Terça Maior | 3 | 4 |
Quarta Justa | 4j | 5 |
Quinta Justa | 5j | 7 |
Sexta Menor | b6 | 8 |
Sexta Maior | 6 | 9 |
Sétima Menor | 7m | 10 |
Sétima Maior | 7 | 11 |
Oitava | 8 | 12 |
Observação: Na escrita dos intervalos sempre tomamos uma nota como base para “construir” o intervalo sobre ela. Chamamos essa nota base de Fundamental. Até aqui utilizamos o Dó como nota base, de acordo com o que vimos até aqui, o intervalo de 5j (7 semitons) construído sobre Dó nos apresenta a nota Sol. Também podemos construir o mesmo intervalo sobre o Sol, onde teremos Ré. Podemos repetir essa operação sobre qualquer nota usando qualquer intervalo. A ressalva é sobre a escrita em alguns casos, mas veremos isso adiante.
3. Intervalos consonantes, dissonantes e confusão de grafia.
Consonância e Dissonância
Definição Musical: Consonâncias são os intervalos tratados como estáveis e que não requerem resolução. Todos os outros intervalos dentro da oitava são considerados dissonantes.
Exemplos de Consonâncias: 1, m3, 3, 5j, m6, 6 e 8.
O intervalo de quarta justa é considerado na tradição da prática comum como uma Consonância Imperfeita. Conduto, atualmente, na prática comum o intervalo é descrito como uma consonância. O conceito de consonância e dissonância é regido por elementos estéticos, artísticos e históricos, a percepção da consonância e dissonância não é algo inerente às alturas. Tudo depende do contexto musical ou cultural onde os intervalos são manipulados. Mas isso é uma longa discussão. Aqui vamos nos limitar à teoria musical da literatura convencional.
Intervalos Aumentados e Diminuídos
Intervalo Aumentado: Ocorre quando um intervalo perfeito ou maior é aumentado em um semitom, sem alterar o número do seu intervalo. Abreviações utilizadas: “A”, "aum", “+” (ex: 5aum para quinta aumentada).
Intervalo Diminuído: Ocorre quando um intervalo perfeito ou menor é reduzido em um semitom, sem alterar o número do seu intervalo. Abreviações utilizadas: "d", “dim”, “-” (ex: 5dim para quinta diminuída).
Exemplos:
Uma terça menor (3m A - C) aumentada em um semitom vira terça maior (3); se aumentada mais um semitom, vira terça aumentada (3aum).
Uma terça menor (3m) reduzida em um semitom vira uma terça diminuída (3dim).
Uma quarta justa (4j: G - C) se torna aumentada (4aum) se elevada em um semitom, ou diminuída (4dim) se rebaixada em um semitom.
Intervalos Enarmônicos (confusão na certa!)
São intervalos que apresentam o mesmo som (altura), mas que são grafados de formas diferentes. Para entender melhor o conceito de Enarmonia precisamos de conhecer alguns padrões da escrita musical da prática comum.
Acidentes: são sinais gráficos usados para informar se uma nota teve sua altura elevada (ficou mais aguda) ou rebaixada (ficou mais grave).
# : Sustenido indica que a nota teve sua altura elevada.
b: Bemol indica que a nota teve sua altura rebaixada.
O padrão usado para a ação do Sustenido e do Bemol é de um semitom. Também utilizamos os duplos Sustenido e Bemol.
## ou x: para duplo Sustenido.
bb: para duplo Bemol.
Notas Naturais: são aquelas notas grafadas sem acidentes (Dó - Ré - Mi - Fá - Sol - Lá - Si)
Notas escritas com acidentes. Entre as notas com acidentes os casos mais comuns são: Dó# - Ré# Réb - Mib - Fá# - Solb Sol# - Láb Lá# - Sib. Já os casos mais incomuns como: Mi# - Fáb - Si# - Dób. Os casos menos comuns ocorrem entre notas naturais separadas por um semitom (Mi - Fá) e (Si - Dó).
As notas destacadas nos retângulos vermelhos apresentam casos de notas enarmônicas.
O objetivo por trás das regras da “grafia musical correta” é padronizar e facilitar a comunicação através da escrita. Afinal, se cada músico resolvesse escrever ritmos, notas, escalas e acorde de uma forma particular. A transmissão de uma composição se tornaria muito trabalhosa ou impraticável. Temos que lembrar que as regras de escrita são funcionais porque são arbitrárias.
Exemplo de Grafia Correta vs. Errada:
1. Escrita do intervalo de terça maior sobre a nota Lá (A), a resposta correta é Dó sustenido (C#).
2. Utilizar Ré bemol (Db) para escrever o intervalo está incorreto, mesmo que o som seja idêntico. Da mesma forma, uma quinta justa acima de Fá (F) deve ser Dó (C), e não Si sustenido (B#).
Essa regra segue uma lógica de manutenção da escrita dos intervalos baseada nos intervalos entre as notas naturais (notas sem acidentes, os famosos bemóis, sustenidos e duplos) e sua transposição.
Exemplo: a nota que está no intervalo de terça sobre a nota Fá é a nota Lá. No contexto da escala com as notas naturais esse intervalo é um intervalo maior, pois temos um intervalo de 4 semitons.
Se repetimos a operação tomando como Fundamental a no Lá, chegamos a nota Dó, porém a um intervalo de terça menor (3 semitons).
Exemplo: 1. Dessa forma se o intervalo dentro da escala com as notas naturais se apresenta menor: Lá (A) - Dó (C), para escrevê-lo sua versão maior, acrescentamos um Sustenido (#) na nota que indica o intervalo em relação a Fundamental : Lá (A) → Dó (C) = terça menor [três semitons]. Lá (A) → Dó# (C#) = terça Maior [quatro semitons]. Daí sempre aparece “um bonito”, a nota que está no intervalo de terça maior sobre a nota Lá é Dó# e não Réb
2. Na escala das notas naturais temos a terça maior [quatro semitons] no intervalo entre Fá (F) - Lá (A), se queremos escrever um intervalo de terça menor [três semitons] usarei Fá (F) - Láb (Ab).
Notem no caso (1) não usei Réb que é a nota enarmônica de Dó#. Como também no caso (2) não usei Sol# (enarmônica de Láb).
Mas sempre aparece um esperto que abre a boca e diz:
- Ora, mas se Dó#/Réb são enarmônicas, então, escrever Lá-Réb não é errado para representar um intervalo de terça maior!
- Seja grosseiro e responda: É errado
- Daí vem: Aí, mas é arbitrário e bibibi, bobobó.
Esse é o momento de virar as costas e deixar o “revolucionário” falando sozinho.
Na real, a ideia é bem simples, manter a lógica da ordem das notas na escala natural (Dó - Ré - Mi - Fá - Sol - Lá - Si), se a terceira nota a partir de Lá é Dó, então vou escrever todos os intervalos de “Terça” com a nota Dó, utilizando os acidentes como um recurso para classificar o intervalo de forma mais clara:
1.
- Intervalo “natural” de terça entre Lá e Dó = terça menor (três semitons).
- Intervalo “artificial” entre Lá e Dó = terça maior (quatro semitons) → grafia = Lá - Dó#.
2.
- Intervalo “natural” de terça entre Fá e Lá = terça maior (quatro semitons).
- Intervalo “artificial” entre Fá e Lá = terça menor (três semitons) → grafia = Fá - Láb.
O Trítono (Mochila-de-criança dos intervalos!)
São os intervalos enarmônicos mais comuns: a quarta aumentada (4aum) e a quinta diminuída (5dim). O trítono divide a oitava ao meio em duas partes iguais de seis semitons. Recebem esse nome porque contêm exatamente três tons inteiros (semitom+semitom= tom inteiro/tom).
Por ser tão simétrico, o trítono causa uma sensação de estranhamento em relação às consonâncias, essa característica é muito bem vinda dentro da lógica da prática comum harmônica, pois gera a sensação de movimento e atração das consonâncias. Sobre o tal mito/balela do “Diabulos in Musica” tem um artigo no blog.
4. Inversão de Intervalos
É o processo onde uma nota altera sua posição (agudo→grave/grave→agudo) em um intervalo com outra nota. Simplificando uma nota mais grave de um intervalo se torna a mais aguda, ou a nota mais aguda se torna a mais grave.
A imagem acima será nosso guia para exemplificar o processo de inversão. Efetuar uma inversão de intervalo é bem simples. Só precisamos ter em mente as duas partes de do processo:
a. A nota que sofrerá a inversão (a nota Dó);
b. A nota que será o eixo sobre o qual ocorrerá a inversão (a nota Sol).
A nota que sofre a inversão troca de oitava (agudo→grave/grave→agudo).
Mas não acabou aqui… Complica um pouco agora.
Ao serem invertidos os intervalos sofrem alteração na sua qualidade e tipo. Sendo que as duas únicas exceções são os intervalos de oitava e o trítono. A oitava é considerado o único intervalo “perfeito” por ser absolutamente simétrico (12 semitons). E o trítono como vimos divide a oitava em partes iguais (6 semitons).
O processo de inversão ocasiona a alteração da qualidade dos intervalos justos, do tipo dos intervalos.
Abaixo estão as regras de transformação de qualidades e de número quando um intervalo é invertido:
Qualidade/Número Original | Torna-se após a Inversão |
Justo | Justo |
Maior | Menor |
Menor | Maior |
Diminuído | Aumentado |
Aumentado | Diminuído |
Também ocorrem alterações em relação aos tipos de intervalos.
Uníssono/Oitava
Uníssono caracteriza o intervalo zero (0), ele nada mais é que o termos que qualifica duas notas com a mesma altura tocadas de modo sucessivo ou simultâneo. Sou inversão é a mesma nota tocada uma oitava acima (aguda) ou abaixo (grave) ou seja a Oitava.
Quarta Justa/Quinta Justa
Se meu “intervalo inicial” é uma quarta justa entre uma nota e a nota eixo, a inversão desses intervalos sempre será uma quinta justa e vice-versa:
Quarta justa ←→ Quinta justa/Quinta justa ←→Quarta justa.
Maior/menor
Sempre que o intervalo inicial é maior sua inversão era o intervalo menor e vice-versa.
Maior ←→ menor/Maior ←→menor.
Intervalo | Torna-se após a Inversão |
|---|---|
Uníssono | Oitava |
Segunda M/m | Sétima M/m |
Terça M/m | Sexta M/m |
Quarta Justa | Quinta Justa |
Quinta Justa | Quarta Justa |
Sexta M/m | Terça M/m |
Sétima M/m | Segunda M/m |
Oitava | Uníssono |
Exemplos:
Essa alteração ocorre, pois com a troca de posição de uma nota de um intervalo em relação a nota eixo, se altera a distância em semitons entre a nota alterada e a nota eixo.
Voltemos ao nosso exemplo inicial:
O intervalo entre Dó (sendo a nota grave) e Sol (nota eixo aguda) é de sete semitons = Quinta Justa.
O intervalo entre Sol (nota eixo grave) e Dó (sendo a nota aguda) é de cinco semitons = Quarta Justa.
Vamos olhar outra exemplo:
Novamente a nota Sol se apresenta como eixo, mas agora o intervalo a ser invertido está entre Sol (nota eixo grave) e Mi (sendo a nota aguda) uma sexta maior = 9 semitons.
Após a inversão (Agudo→Grave) temos um intervalo entre Mi (sendo a nota grave) e Sol (nota eixo aguda) de três semitons = terça menor.
Inversão entre intervalos Compostos vs. Intervalos Simples
Extensão (Pitch Range)
Para compreender melhor esse tópico temos que abordar o conceito de tessitura ou extensão. Eu particularmente prefiro usar o termo extensão (até porque esse tópico na literatura em outras línguas também usa o mesmo termo: range, estensione, extensión.
A extensão das alturas (Pitch Range termo que acho bem apropriado) é a distância intervalar entre sua nota mais grave e sua nota mais aguda. Essa distância vai depender do contexto. Por exemplo, numa escala de Fá maior a extensão entre a nota fundamental e sua repetição imediatamente mais aguda, ou seja, um intervalo de oitava “acima”. A extensão dessa escala se apresenta no intervalo entre o Fá mais grave e o mais agudo.
Em outro contexto como por exemplo a canção Parabéns Para Você, apesar da canção está baseada na escala de Fá Maior, sua extensão de alturas (Range Pitch) está entre Dó e sua repetição uma oitava acima.
Vamos chamar esse intervalo de que delimita o que está dentro de uma oitava de “Oitava da Fundamental”.
Intervalos Compostos
Só lembrando Intervalo Composto: São intervalos simples que ultrapassam o intervalo de oitava entre a fundamental e sua repetição mais aguda (oitava acima). Ou intervalos simples que estão localizados uma oitava acima de sua posição original dentro da Oitava da Fundamental.
O intervalo de quarta justa (Dó - Fá) está localizado dentro da “Oitava da Fundamental”. Ele é considerado um Intervalo Simples por está dentro de âmbito entre a fundamental da escala e sua repetição imediatamente mais aguda. Já o intervalo de Décima primeira (Dó - Fá) está além da “Oitava da Fundamental”. Já o intervalo de décima primeira é um intervalo composto, pois é formado por um intervalo simples (4ª Justa) sobre um intervalo de oitava.
Exemplos de Equivalência: Intervalos compostos são frequentemente rotulados pelos seus equivalentes simples (como se uma oitava tivesse sido removida). Os nomes compostos só são usados se for importante enfatizar a extensão exata do intervalo.
Para ilustrar vamos usar um pouco de matemática: Pergunta: qual é o equivalente simples do intervalo composto de 11º?
Dó - Fá (uma oitava acima)
11 - 7 = 4
Minuendo: É o valor total inicial. - 11 é o número que designa o intervalo composto.
Subtraendo: É a quantidade que vai ser retirada do minuendo. - 7 é o número que está relacionado ao intervalo de sétima maior, ou seja o intervalo que antecede a oitava.
Pergunta por que 7? Resposta: A ideia é tomar como base os intervalos da escala maior: 1=fundamental; 2=segunda maior; 3=terceira maior; 4=quarta justa; 5=quinta justa; 6=sexta maior; 7=Sétima maior.
Resto ou Diferença: É o resultado da operação. - 4 número que designa o intervalo simples dentro da oitava da fundamental.
Tá se você só quer uma tabela de decoreba, lá vai:
Intervalo Composto | Equivalente Simples |
9 (Nona Maior) | 2 (Segunda Maior) |
10 (Décima Maior) | 3 (Terça Maior) |
11 (Décima Primeira) | 4 (Quarta Justa) |
12 (Décima Segunda) | 5 (Quinta Justa) |
13 (Décima Terceira Maior) | 6 (Sexta Maior) |
14 (Décima Quarta Maior) | 7 (Sétima Maior) |
15 (Décima Quinta) | 8 (Oitava) |
Também aplicamos a ideia de intervalos menores:
Qual o intervalo simples equivalente ao intervalo composto de 13ª menor (Dó - Lá uma oitava acima)?
R: 13 - 7 = 6.
Usa nomenclatura “menor" para designar o intervalo resultante: 6ª menor.
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