Imagens Cinematográficas 🎬
Uma imensa gama de filmes estão associados à construção visual do Synthwave. O curioso é que muitos desses filmes não estão circunscritos ao período dos anos 80. posso citar alguns.
Blade Runner (1982/2019) Influências: - cidades neon; - atmosfera cyberpunk; - melancolia futurista; - ambientação noturna; - estética visual; - ambiência sonora; - imaginário retrofuturista. TRON Uma Odisséia Eletrônica (1982) O Legado (2010) Influências: - grids digitais - estética computadorizada - luzes neon - cyberspace Impacto: - visual geométrico - iconografia eletrônica Back to the Future (1985) Influências: - fascínio tecnológico; - fantasia futurista dos anos 80; - escapismo. O Corvo (1994) Influências: - atmosfera neo gótica; - cidade noturna; - luzes neon; - trama de crime sobrenatural. Impacto: - visual dark; - iconografia rocker-gótica. Drive (2011) O filme ajudou na popularização moderna do Synthwave. Elementos importantes: - trilha sonora eletrônica; - estética neon; - atmosfera noturna; - direção estilizada;
Também cito filmes como Only God Forgives (2013) e The Neon Demon (2016) por suas atmosferas estéticas saturadas e por apresentarem uma imaginada perfeição estética de uma versão idealizada dos filmes dos anos 1980. Além da óbvia menção a série Stranger Things que celebra a cultura pop dos anos 80 tentando reviver a sensação de assistir a um B-movie daquela época.
Os alguns estilos destacados e suas estéticas
Antes de tentar definir alguns estilos do Synthwave. temos que compreender que a estrutura do que chamamos de Synthwave é historicamente sofre transformações, é fluida, disputada e, muitas vezes, usada de maneira equivocada tanto por fãs quanto por artistas.
O termo musical Synthwave pode ser definido como um guarda-chuva, mas também como um subgênero da música eletrônica surgida em meados dos anos 2000, com todos aqueles elementos que já citamos baseada nas trilhas sonoras de filmes de ação, ficção científica e horror das décadas de 1970 e 1980, na música de videogames da época. Seus pilares de referência incluem compositores como John Carpenter, Jean-Michel Jarre, Vangelis e Tangerine Dream e synthpop.
Dentro desse guarda-chuva termos como: "Outrun" e "Retrowave" vão estilos musicais com distinções específicas: Outrun refere-se à estética visual e ao som dos games de arcade, enquanto o Retrowave designa um estilo mais otimista, com canções mais pop.
Desde do início do hyper do synthwave até nossos dias (escrevo em maio de 2026), a diversificação foi se acelerando, hoje temos uma variedade e quantidade de criadores com diferentes influências e origens. O synthwave passou a ter “fronteiras móveis”, se aproximando em alguns casos de gêneros e estilos inusitados como: chiptune, pop mainstream, dubstep e vários subgêneros do metal. O Synthwave é uma autobahn que nos leva a diversos lugares. É importante saber que o vaporwave, que frequentemente é listado como um subgênero da synthwave, é muito mais um “gênero musical e estético paralelo” que tem sua origem nos mesmos fóruns da internet, mas com filosofia, estética e técnica de produção distintas.
🚦Um detalhe técnico antes de começar: A caixa Phil Collins ou Gated Reverb.
A caixa da bateria de “In The Air Tonight”, de Phil Collins, popularizou o chamado Gated Reverb, um efeito criado ao combinar um ataque forte com uma reverberação muito ampla e dramática com um noise gate que corta abruptamente o sustain e o release do som.
Essa sonoridade criando um impacto emocional e cinematográfico que se tornou uma assinatura sonora dos anos 80. Ela se tornou onipresente no Synthwave e suas vertentes.
O efeito surgiu de um erro acidental na mixagem envolvendo Collins e o produtor/engenheiro Hugh Padgham. O Gated Reverb ajudou a definir a estética sonora oitentista: baterias monumentais, produção grandiosa e forte sensação de espaço e intensidade.
Onde você ler falando sobre som de caixa, leia-se “a caixa da bateria de “In The Air Tonight”.
Voltamos a programação normal!
OUTRUN: Tudo começou num Arcade
O nome tem origem no clássico jogo de corrida de arcade da Sega, Out Run (1986), também lembrado pela possibilidade do jogador selecionar a trilha sonora de sua partida, a música seguia a estética dos anos 1980. Para os ouvintes de Synthwave, o álbum de Kavinsky intitulado Outrun (2013), foi quem consolidou o termo para o gênero musical.
O Outrun é, curiosamente, o nome original dado ao movimento synthwave e um estilo específico, isso causa uma confusão terminológica. Nos anos iniciais da cena Synthwave, anos 2000 e 2014, usava-se "Outrun" e "Outrun Electro" para descrever as músicas com elementos que remetem ao synthwave. O termo "synthwave" só superou "outrun" em popularidade por volta de 2014. Daí Outrun passou a designar especificamente o estilo estabelecido nos primeiros lançamentos da cena.
Para o produtor Perturbator (James Kent), as características sonoras do Outrun são: "principalmente instrumental e frequentemente contém elementos clichês dos anos 1980 no som — como baterias eletrônicas, reverb com gate e linhas de baixo de sintetizador analógico — tudo para se assemelhar a faixas daquela época."
O som
Bons representantes do som do Outrun são os álbuns Early Summer de Miami Nights 1984 e Redline de Lazerhawk ambos de 2010. Eles apresentam tanto a sonoridade como os temas principais do conceito inicial do synthwave: carros esportes dos anos 80, passeio noturnos, pôr do sol à beira-mar e ficção científica vintage. Os aspectos sonoros definidos como timbres de sintetizadores retrô e vibrantes, melodias memoráveis e cantáveis e incorporação de elementos musicais de filmes, televisão, videogames e do synthpop dos anos 80. O early Outrun enfatiza a nostalgia dos anos 80 mais do que qualquer estilo posterior, incorporando frequentemente clipes de áudio da cultura pop da época.
Em termos de produção, as raízes do outrun estão no house francês, nu-disco, e em diversas formas de synthpop dos anos 80.
As primeiras produções eram quase inteiramente instrumentais. Com beat era frequentemente bastante simples e repetitivo, o uso de vocais só começou a aparecer de forma mais consistente a partir de 2012, com artistas como Dana Jean Phoenix e Kristine.
Estética visual
O termo "outrun" foi posteriormente usado para se referir de forma mais geral às estéticas retrô dos anos 1980 como um todo:
- artefatos de rastreamento de VHS; - neon magenta; - linhas de grade; - paisagens com sol se pondo em gradientes de amarelo e magenta.
A estética visual associada ao outrun não tenta reproduzir com precisão aquela dos anos 1980; em vez disso, ela cria uma memória hiper estilizada da década, através das lentes do cinema de ficção científica, cinema de ação e cultura de arcade.
Num artigo da o PC Gamer, a essência visual do outrun é descrita como "pegar elementos de um período de excesso dos anos 80 que os millennials acham irresistivelmente evocativo e modernizá-los de forma que sejam apenas reconhecíveis".
Artistas referenciais: Kavinsky, Miami Nights 1984, Lazerhawk, Mitch Murder, Futurecop!, Lost Years.
CHILLWAVE: Nostalgia nostálgica
O Chillwave tem uma história de origem bem curiosa. O termo foi cunhado numa publicação do blog Hipster Runoff, em 27 de julho de 2009. O autor de pseudônimo "Carles" tentava categorizar uma onda de artistas emergentes que soavam parecidos entre si. Carles propôs uma lista de nomes esquisitos como: "Chill Bro Core", "Pitchforkwavegaze" e "CumWave". E "Chillwave" foi o que acabou pegando.
Segundo Alan Palomo, do Neon Indian, o termo "colou porque era o mais desdenhoso e sarcástico". Ironicamente, um estilo inventado como piada foi adotado por publicações como o Wall Street Journal e o New York Times em 2010, tornando-se objeto de think pieces e editoriais de legitimação cultural. O Pitchfork chegou a publicar uma matéria editorial sobre o chillwave em novembro de 2009. LINK
Antes de receber o nome Chillwave, a música seria classificada como shoegaze, dream pop, ambient ou indietronica. O Chillwave foi um dos primeiros gêneros musicais a se desenvolveu através da internet.
O som
O Chillwave é caracterizado por evocar a música popular do final dos anos 1970 e início dos anos 1980, está ligado com noções de memória e nostalgia. As características comuns incluem um som de pop retrô viajado e onírico, com letras frequentemente sobre praia ou verão, o som tem uma vibe psicodélica ou lo-fi, vocais calmos, tempos lentos a moderados, uso intenso de reverb, e sintetizadores vintage. A produção é propositalmente imperfeita e "caseira" simulando músicas feitas no pc do quarto com daw básica.
Como exemplo temos "Feel It All Around" (2009) de Washed Out, gravada pelo produtor Ernest Greene em seu apartamento na Geórgia com um teclado Casio e softwares básicos, a faixa é um exemplo mais emblemático do som chillwave: vocais pitchados, samples oníricos, de uma leveza imaterial.
Distinção em relação ao Dreamwave e ao Synthwave
Embora relacionados, o Chillwave e o Dreamwave têm origens distintas. O Chillwave emerge da cena indie norte-americana e tem raízes mais próximas do lo-fi, do shoegaze e do dream pop e mais ligado a um senso difuso de nostalgia de verão e mal-estar pós-recessão.
O Dreamwave, por sua vez, pertence organicamente à cena synthwave e mantém os sintetizadores analógicos e a estética visual neon como elementos centrais. Ele mistura os sintetizadores do Synthwave com os beats downtempo e a estética lo-fi do Chillwave é menos focado na nostalgia específica dos anos 80 e mais na relaxação atmosférica.
Ascensão e declínio
A cena chillwave floresceu principalmente em 2008 e 2009, culminando no chamado "Verão do Chillwave" (2009). O gênero perdeu força rapidamente: uma das principais razões foi a saturação de artistas, causa direta de seu processo de produção simples e acessível. O crítico Reed Fischer referiu-se à crítica negativa do Pitchfork a um álbum de Millionyoung (2011) como uma declaração do declínio do gênero. O cantor Chaz Bear, do Toro y Moi, deliberadamente distanciou-se do rótulo em 2011, afirmando que havia "superado aquele som". Apesar do declínio enquanto movimento coeso, a influência estética do chillwave permeou duramente outras cenas, incluindo o próprio Dreamwave e partes do Vaporwave.
Artistas referenciais: Washed Out, Toro y Moi, Neon Indian, Com Truise, Tycho, Memory Tapes.
RETROWAVE: Para ouvir num passeio de carro
O Retrowave refere-se ao estilo mais otimista, vocal e mais pop. A diferença entre Outrun e Retrowave é mais musical do que sobre estética visual:
Retrowave usa estruturas de canções mais tradicionais com vocais proeminentes, instrumentação mais próxima do synthpop clássico e melodias mais acessíveis.
Outrun evoca a rodovia noturna e o isolamento do condutor solitário, com tracks mais instrumentais e estruturas A-B-A ou A-B-B’-A.
O Retrowave é mais radiofônico. Assim, é bem-sucedido estilo do synthwave em termos de presença no mainstream: o sucesso de artistas como FM-84, The Midnight e faixas como "Blinding Lights" (2019) do Weeknd se tornaram um fenômeno global. Em 2020, durante a pandemia de COVID-19, "Blinding Lights" alcançou o topo das paradas norte-americanas, tornando-se o primeiro hit genuinamente influenciado pelo synthwave a ocupar esse posto.
O som
O Retrowave usa sintetizadores analógicos e baterias eletrônicas características do Outrun, mas dentro de estruturas de canção mais convencionais: versos, refrões, bridges e letras explícitas. Guitarras, saxofone e outros instrumentos acústicos ocasionais conferem uma sonoridade AOR dos anos 80. Os ritmos e andamentos são acelerados e dançantes, e a produção tende a ser mais polida e com uma cara de arena.
Artistas referenciais: FM-84, The Midnight, The Weeknd, Dana Jean Phoenix, Kristine, NINA, LeBrock.
VAPORWAVE: Nostalgia Irônica
O Vaporwave é um estilo de música eletrônica que emergiu no início dos anos 2010 como um estilo de arte visual e meme de internet. ligado a gêneros experimentais como post-noise e hypnagogic pop, teve seu som delineado por artistas como:
Daniel Lopatin com o álbum Chuck Person's Eccojams Vol. 1 (2010);
James Ferraro com Far Side Virtual (2011).
Porém o álbum Floral Shoppe (2011), de Macintosh Plus deu os contornos finais ao estilo. A produtora e artista gráfica Ramona Andra Xavier (também conhecida como Vektroid) é o nome por trás da obra.
O nome do estilo é um ironia ao consumismo e combina dois conceitos: "vaporware" — termo da indústria de tecnologia para descrever um produto amplamente anunciado que nunca é lançado e a metáfora para o caráter efêmero das relações capitalistas ("tudo que é sólido se desmancha no ar") de Karl Marx. A conexão linguística é diretamente relevante para a filosofia do gênero.
Som e técnica de produção
O som do Vaporwave é definido pelo uso de samples, desaceleradas e uso pesado reverb, e elementos de smooth jazz, R&B, lounge music e muzak corporativa dos anos 80/90. As técnicas de "chopped and screwed" — herança do hip-hop do sul dos EUA — são usadas para desacelerar drasticamente as gravações originais, transformando músicas de ambiente de elevador ou comercial de TV em paisagens sonoras surreais e levemente perturbadoras (sabe backrooms?). A sensação evocada de "vagar por um shopping deserto" ou "ouvir musak de um vídeo de treinamento corporativo esquecido".
Filosofia e crítica cultural
O Vaporwave é amplamente interpretado como uma crítica ambígua e paródia do capitalismo consumidor e do utopismo tecnológico. O estilo cria conteúdo audiovisual que parece uma memória de um futuro que nunca chegou. Daí o uso de estéticas "mortas" de um passado recente para evocar uma sensação de nostalgia por um futuro que nunca se materializou.
O "vaporware" representa uma promessa corporativa que nunca se concretiza, a música e a estética vaporwave exploram os "futuros perdidos" prometidos pelo capitalismo do final do século XX. Ao mostrar e distorcer o "lixo" da cultura de consumo — como muzak de elevador, infomerciais e Muzak corporativa. Essa ambiguidade entre sinceridade e ironia é um elemento central e deliberado.
Estética visual
A estética visual é uma colagem distinta que mistura elementos publicitários e corporativos dos anos 80/90: design de interiores de shoppings e lobbies, estátuas e colunas clássicas greco-romanas, plantas de palmeira, cores pastel de rosa e ciano, pisos de azulejos. Estéticas “digitais mortas”: padrões Memphis Lite, imagens da internet dos anos 1990, design de websites do final da década de 1990, glitch art, anime, e objetos renderizados em 3D. As letras japonesas — sem conteúdo específico — são um elemento visual recorrente, aludindo a uma visão ocidentalizada e fetichizada da cultura pop asiática dos anos 80 e 90.
Diferença fundamental em relação ao Synthwave
As diferenças entre Vaporwave e Synthwave são profundas, embora tenham surgido do mesmo ambiente da internet e do mesmo fascínio pelos anos 80/90.
O Synthwave é caracterizado por uma celebração sincera e enérgica das cores vibrantes da cultura pop dos anos 1980, focando em motivos "legais" como velocidade, tecnologia e heroísmo, com acabamento polido e em alta definição. Synthwave quer ser a trilha sonora de um filme de ação dos anos 80.
O Vaporwave utiliza uma paleta mais suave de tons pastéis e incorpora imagens de baixa fidelidade, glitchadas ou surrealistas para criar um tom satírico ou melancólico. O Vaporwave encontrou essa trilha numa fita VHS deformada num shopping abandonado e está reproduzindo-a em meia velocidade.
Apesar dessas diferenças, a fronteira é porosa, artistas de ambas as cenas frequentemente colaboram, misturando a energia do Synthwave com as texturas surrealistas do Vaporwave.
Artistas referenciais:Macintosh Plus / Vektroid (Ramona Xavier), James Ferraro, Daniel Lopatin (Chuck Person / Oneohtrix Point Never), 2814, Blank Banshee.
DARKSYNTH: Os trevosos
O Darksynth é um estilo desenvolvido por produtores e artistas ligados ao cenário do metal. Tomou forma como um estilo distinto por volta de 2012. A França (mais uma vez ela) é o “berço” de estilo. Afinal, artistas como Perturbator e Carpenter Brut são ambos franceses. O estilo direciona os elementos do Synthwave a uma linha mais rápida e agressiva, incorporando elementos como linhas de baixo com timbres pesados e synths com timbres saturados do Industrial.
O som do estilo obteve nas trilhas sonoras dos games Hotline Miami (2012) e Hotline Miami 2: Wrong Number (2015), com artistas como Perturbator, Carpenter Brut (eles de novo!) e Mega Drive.
O Darksynth é uma mudança da "vibes de Miami Vice" para as sonoridades mais sombrias dos compositores de trilha para filmes de horror como John Carpenter e Goblin, além dos sons do post-punk, industrial e EBM.
O artista Wraith Walker, numa entrevista ao Massachusetts Daily Collegian, descreve a relação de forma direta: "Darksynth essencialmente brotou das trilhas sonoras de filmes de horror de John Carpenter. A partir de 2010 em diante, pessoas pegaram essa ideia e foram adiante."
O som
O Darksynth é caracterizado por uma abordagem de produção alta distorcida, percussiva e agressiva e também:
- Andamentos são rápidos (115–135 BPM);
- Uso de timbres de sintetizadores vintage comuns no synthwave saturados;
- Uso Roland TR-808 para sequências de bateria, muitas vezes combinada com uma bateria real;
- Uma estrutura composicional influenciada pelo metal. Com ênfase em riffs e climas pesados.
Com o lançamento de álbuns como: EP I (2012)de Carpenter Brut; Skull (2013) de GosT; 198XAD (2014) de Mega Drive consolidaram o estilo na década dos anos 2010.
Ao longo do tempo, o Darksynth passou a incorporar também elementos de electro-house e drum & bass, expandindo ainda mais sua paleta.
Estética visual
A identidade visual do Darksynth rompe com a nostalgia pop da Synthwave. Ela é muito influenciada pelos filmes de horror e ficção científica dos anos 1970 e 80 (particularmente as obras de John Carpenter, Dario Argento, Horror cósmico e sobrenatural). Capas de álbuns, videoclipes e branding são uma miscelânea de:
- paleta mais escura de cores; - imagens de distopia cyberpunk, simbolismo ocultista e satânico (como pentagramas e cruzes invertidas); - temas de ultraviolência.
Criando uma atmosfera coesa de "cyber-doom-horror", em contraste com o otimismo luminoso do Outrun.
Artistas referenciais: Perturbator, Carpenter Brut, GosT, Mega Drive, Dance With The Dead, Dan Terminus.
SLASHERWAVE: Synths, Final Girls e B-movies
O Slasherwave é uma ramificação interna do Darksynth, com temática que vao mais direção ao horror específico dos filmes slasher dos anos 70/80. Para muitos é o Darksynth que trocou as referências do horror clássico pelos filmes slasher.
O som
O Slasherwave que além das influências do metal e do uso de sintetizadores, emprega batidas de baixo distorcidas e caixas da bateria super comprimida, com breaks, crescendos e decrescendos muito marcados.
Na estrutura musical usam de padrões rítmicos irregulares procurando reproduzir a atmosfera instável e ameaçadora dos filmes de horror.
Também temos o uso de samples de diálogos de filmes de terror e efeitos sonoros comuns em filmes slasher. Em geral, o Slasherwave soa ainda mais cru, imprevisível e visceral do que o Darksynth convencional.
Estética visual e temática
As características visuais do Slasherwave apresentam: facas, máscaras, sangue em paleta neon, referências explícitas a franquias como Halloween, Friday the 13th e A Nightmare on Elm Street.
Artistas referenciais: GosT, Neoslave, SurgeryHead, HUBRID.
DREAMWAVE: Sonhos nos Sintetizadores
O Dreamwave é descrito como o "suave" do synthwave. O Dreamweaver é bastante similar ao Outrun e muitas vezes visto como uma extensão dele. Surgiu no final dos anos 2000 e é um dos estilos mais bem-sucedidos em termos de alcance em outras cenas. Inicialmente, o Dreamwave não tinha nome próprio e era mais uma forma de fazer synthwave. Só no início dos anos 2010 que passou a ser reconhecido como estilo distinto.
O Dreamwave se mescla com outros gêneros e pode transitar junto a gêneros como indie, chillwave e popwave. Enquanto o Outrun convoca imagens liberdade, dias de sol, autoestradas e neon urbano, o Dreamwave viaja em direção ao que é mais íntimo e contemplativo.
O som
Uma das principais diferenças em relação ao Outrun é que o Dreamwave é andamento das composições. Elas tendem a ficar entre 80 e 110 BPM.
Outrun vs Dreamwave
Os vocais, quando presentes, têm qualidade suave e quase sussurrada, frequentemente tratados com reverb e delay para criar uma sensação de profundidade e distância.:
Conexão com a cultura pop
A faixa "A Real Hero" de College & Electric Youth é responsável por levar o Dreamweaver a um público mais amplo. A faixa que ficou famosa no filme Drive (2011). A faixa é um exemplo icônico do estilo: melancólica, cinemática e ao mesmo tempo acessível.
Artistas referenciais: Timecop1983, The Midnight, Electric Youth, FM Attack, Trevor Something.
NOIR SYNTH / TECH-NOIR: A Cidade numa noite chuvosa
O Noir Synth, também chamado de Tech-Noir, é um sub estilo musical e estética dentro das cenas do synthwave e darksynth, caracterizado por uma atmosfera escura, cinemática e distópica.
O termo "Tech Noir" vem da crítica cinematográfica, cunhado pelo diretor James Cameron para descrever o gênero de seu filme O Exterminador do Futuro (The Terminator, 1984), em referência a cena da boate de mesmo nome onde os personagens principais se encontram (um espaço neon, violento e ao mesmo tempo sedutor).
Embora as raízes estéticas estejam nas trilhas sonoras dos anos 1980 nos trabalhos de Brad Fiedel (Terminator) e Vangelis (Blade Runner), o "Tech-noir" como descritor musical distinto solidificou-se em meados dos anos 2010, junto a explosão do Synthwave e do Retrowave. O estilo é uma ponte entre a nostalgia pop do Synthwave e o Cyberpunk.
O som
A música Tech-noir tem seu o foco numa atmosfera cinemática usando emulações de sintetizadores analógicos vintage (como o Yamaha DX7 ou Roland Juno) e o uso da caixa gated reverb de forma intensa.
Como em quase todos os estilos de Synthwave, a linha de baixo é a condutora ( frequentemente usando semicolcheias) para criar uma sensação de urgência e movimento, típica de uma cena de perseguição.
Harmonias em tom menor e acordes suspensos de nona e décima primeira.
Uso de samples de narrações, diálogos de filmes, paisagens sonoras que evocam decadência urbana (trânsito, chuva uma área urbana) são marcas características do estilo.
Efeitos sonoros industriais — clangs metálicos, vapor, texturas maquínicas — contrastam com as melodias neon dos sintetizadores saturados.
Relação com o cinema noir e o neo-noir
O Tech-noir não homenageia apenas o som dos anos 80, mas toda uma tradição visual e narrativa do cinema noir e do neo-noir: ruas molhadas, letreiros de néon refletidos nas poças, protagonistas moralmente ambíguos, sensação permanente de ameaça latente. O tom cyber-noir de filmes como RoboCop (1987), Escape from N.Y. (1981), Blade Runner (1982) e o Terminator (1984) são pontos de referência. Também a influência da literatura cyberpunk de William Gibson.
Artistas referenciais: Gunship, Power Glove, Perturbator (obras mais distópicas), Noir Deco.
QUADRO COMPARATIVO DOS SUBGÊNEROS
👘Menção honrosa: City Pop Japonês (revival) Música pop japonesa dos anos 1970–80 amplamente sampleada no vaporwave. Estética visual: fantasias ensolaradas com barcos, carros de luxo e horizontes oceânicos. Atração ocidental: soa como uma versão "pura" e não comercializada da nostalgia dos anos 1980.
Conclusão (por enquanto)
Nenhum comentário:
Postar um comentário