terça-feira, 14 de abril de 2026

Bartok Axis simplificado, "Aladim Sane" do David Bowie e como Erno Lendvai evita você perder tempo com “ginásticas e martelinhos teóricos”.


Bom, nesse texto vou ser rasteiro mesmo. Isso aqui vai funcionar com algumas regras.

1. Não vou começar com contextualizações sobre quem é Bartok, Lendvai ou conceitos teóricos como fundamentos da harmonia funcional. Coloco os links para você ir pesquisar;

2. Vai ter figurinha!

3. O texto irá direto ao ponto.

Tá, mas o que é esse Bartok Axis?

Bartok Axis [BA] (Link) é uma formulação teórica elaborada pelo pesquisador Erno Lendvai (link) para demonstrar o método de expansão da tonalidade utilizado por Bela Bartok (link).

Em poucas palavras esse método permitia o compositor expandir os limites de uma determinada tonalidade utilizando acordes “estranhos”, porém mantinham as funções tonais básicas da tonalidade inicial, ou seja, ele não fazia uso de modulações. A base para essa engenharia foi a harmonia funcional (link) e seu foco nas funções exercidas pelos acordes dentro da estrutura harmônica de uma composição.

Em resumo, o BA é um sistema que indica acordes estranhos a uma tonalidade que substituem “nativos”, mas mantém as funções dessa tonalidade de forma mais ou menos incisiva. Esse sistema tem o intuito de expandir as possibilidades tonais e modais numa composição. E para a felicidade de alguns não soa atonal.

👀Um último ponto antes de começar. O Bartok Axis em sua forma básica é um excelente mecanismo para a composição. Entretanto, se mostra pouco eficiente para harmonização ou para rearranjo uma composição já existe. Sobre isso falaremos mais adiante.

Como funciona esse brinquedo?

👉Bom, para brincar temos de ter regras porque aqui não é bagunça!

Regra 1: os eixos.

Bartok/Lendvai olharam para o circulo das quintas (link) e pensaram: hum, deixa eu ligar uns pontos!

Observação: A partir daqui vou utilizar C como nossa tonalidade base para facilitar o entendimento e a visualização.   

Observando o circulo das quintas traçamos uma linha reta vertical ligando C – F# e outra horizontal ligando Eb – A. Esse eixo em forma de cruz é nosso eixo dos acordes com função de tônica.



Eixo da Tônica: C - F# e Eb - Ab (vermelho).

Seguindo esse desenho de eixos procuramos os eixos de dominante e subdominante. Se nosso acorde/tonalidade tônica é C. Então, nosso acorde de dominante será G e subdominante será F. A partir deles faremos o mesmo desenho de eixos.

Eixo dominante: G – Db e E – Bb (Verde).

Eixo subdominante: F – B e D – Ab (Roxo).


Regra 2: Contrapolo.

Contrapolo será todo o acorde que estiver na outra ponta de uma linha 

Exemplo: 

O “contrapolo” do acorde de C no eixo é o acorde principal e F#.

O “contrapolo” do acorde de A no eixo é o acorde de Eb.


Regra 3: eixo principal e eixo secundário.

Iremos hierarquizar os eixos internamente como principal e secundário. Na minha opinião essa hierarquia serve muito mais para organizar as ideias do que uma influência determinante. Vale aqui a regra de ouro: vai muito do ouvido de cada músico!







Agora que temos tabela montada, podemos determinar os acordes que iremos usar para substituir os acordes "nativos" da tonalidade base.


Agora é só brincar!

Tendo os eixos podemos aplicar os acordes substitutos sobre as progressões tonais funcionais e “fugir da tonalidade sem realmente fugir”. Vamos tentar com algo simples.

Exemplos:

Experimente tocar uma progressão clássica de I – IV – V – I.

Observe a tabela acima para facilitar a visualização das substituições.

Toque as sequencias e concentre a atenção na sensação das funções.

1. C | F | G7 | C ||

2. C | Ab | G7 | C ||

3. C | F | Db7 | C ||

4. Eb | F | Bb7 | C ||


Observações sobre os exemplos.

1 – progressão tonal/funcional mais conservadora impossível.

2 – Temos a substituição do IV. Se fossemos explicar sub a lente do Harmonia Funcional a substituição funciona como uma espécie de SubV do V grau.

3 – Temos outra situação que é propriamente uma SubV com a substituição do V grau.

4 – Aqui radicalizarmos e substituímos o I inicial e o V grau. Gerando uma progressão que poderia ser analisada como: I – V\V – V – VI (picardia) em  Eb.

Se você prestou atenção a sensação harmônica ao tocar as sequencias, deve ter notado que apesar de “sair” da tonalidade inicial com os acordes estranhos. A sensação da função da tonal permanece no decorrer da progressão.

👉Uma coisa que é importante assinalar. Se você quer sair da tonalidade inicial, bom, ai é realmente melhor você utilizar mecanismos convencionais de modulação. 

O Bartok Axis tem como objetivo expandir uma tonalidade por meio desse processo de substituições. Note que com o uso do acorde estranho também teremos a opção de incluir notas estranhas na melodia, ou seja inserir cromatismos, porém sem grandes choques.

Claro, esse texto é uma tentativa de explicação (bem básica) da utilização do Bartok Axis. Devo dizer que tem os “pacotes de expansão” que tornam a coisa ainda mais divertida. Eu tenho em algum lugar umas anotações sobre uma “expansão” para gerar material para harmonizar uma melodia prescrita. Mas preciso achar...kkk


O caso de Alladin Sane de David Bowie.

Se você não conhece essa canção "Aladim Sane" ou seu compositor David Bowie. Considere-se um ignorante. bom, passado o "disclaimer", vamos olhar a progressão da estrofe dessa canção do "alienígena"👽.

| Bm | A | C | B(5) | A | C | B(5) ||

Bom, inicialmente parece que temos uma clássica progressão i – VII em Bm (Bm - A), mas daí me aparece esse C e B(5) que é um powerchord sem a terça (Daí não da para determinar se é maior ou menor).

Olhando baseado no campo harmônico de D maior

I – D \ ii – Em \ iii – F#m \ IV – G \ V – A \ vi – Bm \ viiº – C#5b.

O acorde de C não faz nenhum sentido. Ainda mais pelo fato dele “progredir” em direção ao nosso B(5). 😱

Porém, quando você ouve a canção ele funciona como um reforço a função de Dominante de A. Em termos de sensação estaria tudo resolvido. Mas tem quem gosta de elaboração teórica e blá blá blá (abnt e os caralho).

Então, vamos ser espetinhos e usar nosso amigo Bartok Axi.

Vamos seguir os passos da receita:

1. Vamos colocar a nota D como a base principal do eixo da Tônica;

2. Vamos deslocar os eixos da D e SD;



3. vamos montar nossa tabela.

4. Vamos adicionar um outra linha a nossa tabela, onde vamos colocar os vi de cada acorde.


5. Leve ao forno em fogo baixo... Sacanagem.

Feito isso, vamos observar umas coisitas na tabela. 

Primeiro o óbvio temos o acorde de Bm como um substituto da tônica principal, o acorde de  D. 

👀Agora com  mais cuidado, vamos olhar a linha da Dominante onde temos o acorde de A, e bingo!, o acorde de C!

Se formos ainda mais Caxias observando a linha da Tônica temos o acorde de B, que poderia estar no lugar do B(5).

🤯Concluímos dentro do Bartok Axis que o acorde de C irá funcionar como dominante e o B como uma substituição da tônica.

Tentem experimentar tocar com a melodia:

Bm | A | A | Bm | A | A  | Bm |

Vai até funcionar. Mas será bem menos interessante.

Seguindo essa análise podemos também investigar o refrão da canção. Mas isso vocês que se virem!

Finalizando.

Bom, já vi e me diverti ouvindo gente tentando explicar essa progressão com as maiores acrobacias teóricas e “marteladas para encaixar esfera em lacuna quadrada”. Sim, houve época que eu achava graça disso. Hoje, acho que se a coisa está funcionando para meu ouvido está ótimo.

Creio que Bartok Axi é uma ferramenta legal para quem quer compor e colocar um tempero no seu som. Tempero que soe marcante, mas ao mesmo tempo elegante e desorientador para os menos atentos às questões harmônicas (ou seja, 98% do mundo).

Bom, divirta-se!

Harmonia tradicional vs. Harmonia funcional: eterno motivo de DR.

 

Ps.: Esse texto é um desses materiais que estavam perdidos no meio das minhas papeladas. Eu sempre o usei como um guia para uma exposição introdutória para algum estudante de guitarra que me chegasse com essa bobagem de harmonia funcional vs. harmonia tradicional muito repetida pelo pessoal com formação na base da orelhada. Divirta-se ou não!  

Quem é quem!!!

A harmonia funcional surge como uma ferramenta analítica alternativa ao modelo tradicional de análise dos acordes frutos do campo harmônico e suas ramificações. O musicólogo austríaco Hugo Riemann foi o principal nome no período inicial da prática da harmonia funcional. Riemann ao observar obras de Liszt, Wagner, Chopin, Schubert, sugere que ao invés de tentar identificar os acordes de acordo com o campo harmônico, deve-se observar a “sensação” (dentro dos arquétipos de T. SD e D) gerada pelo acorde dentro de um determinado contexto harmônico. 

A harmonia funcional toma cada vez mais espaço com o avanço de obras que cada vez mais se afastam da construção harmônica tradicional em obras de Debussy, Mahler no início do século XX.  A seguir a harmonia funcional passa a ser adotada na análise da música, pontualmente, o Jazz de mestres como Duke Ellington e mais adiante como o Bebop nos anos 40/50 e, em seguida, a revolução modal de Coltrane e Miles Davis. Por causa da flexibilidade do sistema de análise funcional e a popularização do sistema de cifras ânglico, hoje a harmonia funcional é amplamente utilizada como ferramenta de análise e composição.

A diferença reside de forma primordial está em dois aspectos, esses que fazem parte das estruturas da análise harmônica: 

1. O foco e a metodologia de análise da função harmônica dos acordes; 

2. E como esses acordes são engendrados dentro das estruturas das composições. 


Assim, a abordagem funcional surge na análise musical para atenuar problemas relacionados a acordes ou marchas harmônicas que não seguiam aspectos formais consagrados tradicionalmente. 


Em um determinado trecho musical não se é possível analisar a identidade do acorde de acordo dos modelos disponíveis do campo harmônico (e as suas expansões) de uma tonalidade (por exemplo: “o acorde tristão” nos primeiros compassos da abertura da ópera de Wagner). Dessa forma, o acorde passa a ser analisado com base na sensação (Repouso = T; tensão para T = D; tensão para D = SD). Dessa forma, sua função é determinada  pela sensação gerada por esse acorde no trecho musical observado.


Harmonia Tradicional:

Harmonia Funcional:

* Análise: procura identificar os acordes dentro de um padrão de grau construídos sobre a escala diatônica. Nela também se observa o movimento das vozes entre eles, focando em aspectos contrapontísticos como: movimentos paralelos proibidos, resolução da sensível, etc. 

* Análise: na harmonia funcional os acordes são observados como blocos sonoros relacionados através de suas de funções: Tônica (T), Dominante (D) e Subdominante (S). Muitas vezes utilizando símbolos (T, S, D) ou diagramas para representar as progressões harmônicas.

* Notação: A harmonia tradicional está intrinsecamente ligada à notação musical e à análise da partitura.

* Notação: A harmonia funcional se utiliza uma cifragem própria e simplificada, como também utiliza da cifragem (sistema de cifragem Inglês) como uma forma prática de identificação dos acordes da estrutura harmônica. 

* Estética: Tratamento da dissonância ou a resolução das dissonâncias irá seguir os padrões estéticos do período de cada obra (barroco, clássico ou romântico), cada uma com diferentes mecanismos.

* Estética: A abrangência da ideia de sensação harmônica abre espaço para compressão de estruturas musicais contemporâneas que se pautam sobre diferentes parâmetros de elaboração harmônica (jazz Bebop, EDM, blues, bossa nova, música experimental, regionalismos). 

Em resumo:

* A harmonia tradicional se preocupa mais com a mecânica da escrita musical e o movimento das vozes.

* A harmonia funcional se concentra no papel de cada acorde dentro da tonalidade e nas sensações de tensão e repouso que eles criam.

Entretanto, as duas abordagens não são mutuamente excludentes. Em alguns casos se complementam. Pois dentro de cada uma abordagem encontraremos elementos, que por suas naturezas, não serão contemplados pelo outro. 

Por exemplo, dentro na harmonia tradicional temos toda uma teoria do estudo do manuseio dos acordes de quinta aumentada ou cadências específicas para determinados movimentos melódicos como a cadência frígia, por outro lado na harmonia funcional temos observamos uma abordagem mais sistemática dos acordes de empréstimo modal.

Aqui para efeito de nossos estudos, a harmonia funcional se apresenta como uma ferramenta útil para analisar e criar músicas dentro do ambiente da música popular. Dado o fato da música popular ser em sua quase totalidade homofônica. Assim, através dela podemos observar e construir progressões de acordes de forma mais objetiva.

Pra quê eu uso isso na guitar? ou a relação entre a harmonia funcional e o acompanhamento no violão e na guitarra.


Baseado nos modelos de estudo de Koellreuter/Almada podemos resumir as bases da HF na manipulação das três funções tonais.


As Três Funções Harmônicas Principais (contexto de uma tonalidade maior):


 * Tônica (T): Estável, ponto de partida ou chegada de marchas harmônicas. Os acordes de função de tônica dentro de um campo harmônico são tríades formadas sobre: I e vi graus da escala maior.


 * Dominante (D): Instável, ponto de flutuação da marcha harmônica em direção a Tônica. Os acordes com função de dominante dentro de um campo harmônico são tríades formadas sobre: V e vii graus da escala maior.


 * Subdominante (S):  Instável, ponto de flutuação da marcha harmônica primordialmente em direção à dominante, e de forma secundária em direção à Tônica. Os acordes de função subdominante dentro de um campo harmônico são tríades formadas sobre: IV e ii graus da escala maior.


Outro aspecto da harmonia funcional é sua ênfase sobre a percepção das funções e na sensação gerada por elas Tônica (repouso e estabilidade); Dominante e Subdominante (tensão e instabilidade).


Como a Harmonia Funcional se Aplica ao Acompanhamento na Guitarra:


Vamos dividir essa abordagem em aspectos técnicos e teóricos. O primeiro irá se referir a as possibilidades técnicas da performance. Já o segundo, irá se referir aos aspectos relacionados à elaboração de uma arranjo ou composição.


Aspectos técnicos: Afinação, Fretboard e sistema CAGED no  instrumento.


A afinação:


A afinação (ou afinações): influencia diretamente na disposição das alturas no instrumento, possibilitando ou impossibilitando determinadas configurações de acordes e escalas. É importante ter em mente que cada afinação se constitui em um “ecossistema” onde o instrumentista pode explorar as possibilidades de condução e construção de estruturas melódicas e harmônicas.


A afinação standard do violão e da guitarra tem uma longa história, em resumo, podemos dizer que (como todas as afinações de instrumentos de cordas do ocidente) ela se baseia numa interpolação de intervalos de quinta (G - D - A - E - B) que foram sendo reelaborada e reorganização até chegarmos a nosso padrão atual, onde também foram padronizadas as formas de execução de acordes e escalas. 


CAGED: formatos padrões para os acordes.


O sistema CAGED permite visualizar, articular e conectar de forma simples os acordes no violão e na guitarra. Para isso, no sistema CAGED os acordes seguem contornos fixos (Exemplo: C representa o “formato” (shape) da nota Dó Maior na primeira posição) que quando deslocados ao longo do braço do instrumento mantém o caráter do acorde (Maior, menor, dominante, diminuto e etc). O sistema CAGED é fruto da compreensão e observação do “ecossistema” de alturas.


Esses modelos de formatos padronizados de escalas e modos foram adotados, em grande medida, com o intuito de universalização de um léxico único para os acordes e escalas, a facilitação do ensino.


Fretboard: Disposição das notas nos instrumentos.


Para fins de observação das especificidades técnicas do violão e da guitarra. Aqui vou me permitir uma extrapolação fazendo uma comparação entre o fretboard (violão e guitarra) com o teclado do piano. Vou basear essa extrapolação no fato de que assim como o violão e a guitarra, o piano também cumpre funções de acompanhador e solista.


Ao contrário do teclado do piano onde as alturas são dispostas em um plano linear que possibilitam uma observação direta e organizada das alturas dentro dos nossos modelos de gramática musical, essa disposição também traz conforto para realização de engendramentos contrapontísticos. 


Já no violão e na guitarra temos as notas dispostas num “sistema de grade”. Onde não temos uma linearidade na disposição das alturas e muitas vezes ocorrem situações de redundâncias e impossibilidades.


Essas peculiaridades do Piano, violão e guitarra, implicam de forma decisiva na forma que os músicos realizam e planejam as harmonias e escalas em direções diversas.




Enquanto o pianista realiza seus acordes num sentido “horizontal”. Já um violonista ou guitarrista realiza seus acordes num sentido “vertical”.





Num primeiro momento pode parecer um detalhe preciosista. Contudo, observemos o exemplo abaixo e veremos como esse aspecto é importante técnico e musicalmente importante. 





Vejamos como a parte do piano é fluída e de execução e condução tranquila das vozes. Por outro lado, quando o violonista ou guitarrista tenta emular a mesma condução das vozes, o resultado é uma execução com desconfortos técnicos e de condução “acidentada” das vozes. Esse exemplo demonstra o desconforto técnico gerado quando aplicamos estritamente uma abordagem voltada à condução contrapontística das vozes. 


Já numa abordagem funcional, onde a percepção das funções está no plano principal, o formato dos acordes dentro de um modelo como CAGED ou inversões desses acordes torna tecnicamente a execução mais confortável dentro do fretboard da guitarra e violão.


A afinação e o fretboard são tão essenciais para compreensão do funcionamento e performance dos instrumentos, alguns gêneros musicais baseados no violão e na guitarra como: como o blues e milonga tem suas características de idiomáticas fraseado e marchas harmônicas provavelmente ditadas por esses aspectos técnicos.


Aspecto teórico: elaboração de arranjos e composições


 * Escolha de Acordes: Ao entender a função harmônica de cada acorde em uma música, o guitarrista pode escolher os acordes apropriados para o acompanhamento. Em vez de tocar acordes aleatórios, ele pode construir progressões que sigam a lógica da harmonia funcional, criando uma sensação de movimento, tensão e resolução.


 * Criação de Progressões Harmônicas: O conhecimento da harmonia funcional permite ao guitarrista criar suas próprias progressões de acordes para composições e improvisações. Ele pode combinar acordes de diferentes funções para gerar o efeito desejado. Por exemplo, a progressão I-IV-V-I (Tônica - Subdominante - Dominante - Tônica) é uma das mais comuns e cria uma sensação completa de movimento e resolução.


 * Substituição de Acordes: Dentro da mesma função harmônica, acordes podem ser substituídos para criar diferentes sonoridades sem alterar a estrutura fundamental da progressão. Por exemplo, um acorde de tônica (I grau) pode, em muitos casos, ser substituído por outro acorde de função tônica (III ou VI grau).


 * Arpejos e Levadas: A harmonia funcional influencia a escolha das notas para arpejos e o desenho rítmico das levadas. O guitarrista pode destacar as notas que pertencem aos acordes de cada função, reforçando a sonoridade e o caráter da progressão.


 * Improvisação: Para guitarristas que improvisam sobre uma base harmônica, entender a função de cada acorde é crucial para escolher as notas e escalas apropriadas para soar coerente com a harmonia. As notas da tônica tendem a soar mais estáveis sobre acordes de função tônica, enquanto a dominante pode sugerir o uso de escalas que contenham a sensível, criando tensão.


Improvisação modal 


É uma abordagem para criar melodias improvisadas que se concentra no uso de escalas modais (também conhecidas como modos gregos) em vez de depender exclusivamente das escalas maiores e menores tradicionais e suas relações harmônicas.


Como Funciona a Improvisação Modal?


Na improvisação modal, o improvisador geralmente se concentra em um único acorde ou em uma progressão de acordes com pouca ou nenhuma mudança de tonalidade tradicional (como as progressões V-I da harmonia tonal). Em vez de pensar em relações dominantes e tônicas, o foco está em explorar as características melódicas e expressivas do modo que corresponde ao acorde ou à harmonia predominante.

Principais Características da Improvisação Modal:


 * Ênfase na melodia: A melodia se torna o elemento principal, com menos dependência das funções harmônicas tradicionais.


 * Exploração das cores modais: Cada modo oferece um conjunto único de intervalos que criam diferentes "cores" ou atmosferas sonoras. O improvisador busca destacar essas características.


 * Menos tensão e resolução tradicionais: A improvisação modal muitas vezes evita a forte sensação de tensão e resolução que é comum na música tonal. Em vez disso, pode criar uma sensação de planar ou de exploração de um espaço sonoro.


 * Uso de notas características: Cada modo tem uma ou mais notas que contribuem significativamente para sua sonoridade única. O improvisador pode enfatizar essas notas para realçar o caráter do modo.


Exemplo Prático:


Se a harmonia de uma seção musical permanece em um acorde de Dó Maior por um tempo prolongado, um improvisador modal pode optar por usar o modo Lídio de Dó (Dó, Ré, Mi, Fa#, Sol, Lá, Si, Dó). A quarta aumentada (Fa#) dá a esse modo sua sonoridade brilhante e espacial, e o improvisador pode construir melodias focando nas relações intervocálicas dentro dessa escala.


Aplicações:


A improvisação modal é amplamente utilizada em diversos estilos musicais, incluindo:


 * Jazz Modal: Popularizado por músicos como Miles Davis em "So What," onde a improvisação se baseia em poucos acordes e na exploração dos modos Dórico e Mixolídio.


 * Rock: Muitas músicas de rock utilizam progressões modais para criar atmosferas específicas.


 * Música Clássica Contemporânea: Alguns compositores exploram as sonoridades modais em suas obras.


 * Música Folclórica de Diversas Culturas: Muitos sistemas musicais tradicionais ao redor do mundo são inerentemente modais.


Em resumo, a improvisação modal oferece uma abordagem rica e expressiva para a criação de melodias, permitindo aos músicos explorar diferentes sonoridades e atmosferas ao se concentrarem nas qualidades únicas das escalas modais. É uma ferramenta valiosa para expandir o vocabulário musical e a criatividade na improvisação.


Espero que esta explicação tenha sido útil!

Bartok Axis simplificado, "Aladim Sane" do David Bowie e como Erno Lendvai evita você perder tempo com “ginásticas e martelinhos teóricos”.

Bom, nesse texto vou ser rasteiro mesmo. Isso aqui vai funcionar com algumas regras. 1. Não vou começar com contextualizações sobre quem é B...