quarta-feira, 19 de março de 2025

Acordes com alteração cromática parte 2: Acordes de Quinta Aumentada.

Dando sequência a nossa série sobre acordes alterados (Vê primeira parte LINK

De forma simples os acordes de Quinta Aumentada são o que popularmente se convencionou chamar de acordes aumentados. 

Dentro de um contexto diatônico esses acordes são gerados de duas formas:

1). Os acordes maiores do campo harmônico tem seu quinto grau elevando um semitom;

2). Os acordes menores do campo harmônico tem sua tônica rebaixada um semitom.

Nesse texto irei utilizar a seguinte cifragem para identificar os acordes:

Acordes maiores alterados:

- Acorde de primeiro grau com quinta aumentada = +I

- Acorde de quarto grau com quinta aumentada = +IV

- Acorde de quinto grau com quinta aumentada = +V

Acordes menores alterados:

- Acorde de segundo grau com a fundamental rebaixada = +bII

- Acorde de terceiro grau com a fundamental rebaixada = +bIII

- Acorde de sexto grau com a fundamental rebaixada = +bVI


Sua estrutura de intervalos apresenta duas terças maiores sobrepostas.


Normalmente são utilizados como acordes de passagem, onde a nota alterada funciona como uma espécie de “sensível” da nota diatônica mais próxima (vizinha ascendente ou descendente) que se encontra tanto no acorde que antecede quanto naquele que sucede o acorde aumentado.

É importante dentro de um contexto de harmonia tradicional ou harmonização de uma melodia que a nota alterada nunca deve estar localizada na voz superior e sempre nas internas dos acordes aumentados. 

Por serem acordes com uma função de passagem e de destacar o acorde que o sucede, os acordes aumentados sempre tem de ser preparados pelo acorde que o antecede. Muitas vezes tanto os acordes antecedente e consequente são o mesmo acorde dispostos em inversões diferentes. Em outros casos, o acorde aumentado está entremeado são os chamados acordes substitutos na harmonia funcional.


1). Alteração dos acordes maiores com quinto grau elevando um semitom.

Vamos observar algumas aplicações dentro do contexto da harmonia tradicional na harmonização de uma melodia.
  
A) Temos aqui um exemplo básico de um acorde de primeiro grau com a quinta aumentada. Onde o acorde +I é preparado pelo ii e resolve no vi sem a necessidade de alterar a configuração do baixo dos acordes. Temos caso de rara ocorrência dada a dificuldade de movimentação das outras vozes dos acordes.   

B) Aqui temos uma ocorrência mais comum O acorde de +I na primeira inversão preparado por pelo acorde de ii na primeira inversão, já a resolução segue para IV em posição de fundamental.

C) Esse exemplo mostra que o movimento de resolução da nota alterada irá ser ascedente ou descedente com o tipo de alteração cromática sofrida. Quando temos um quinta elevada sua resolução será sempre ascedente, como já dito anteriormente, simulando uma nota sensível de uma acorde de dominante. Já quando temos a fundamental rebaixada sua resolução será descedente simulando a resolução dp sétimo grau de uma acorde de dominante.

Os exemplos seguintes (D, E e F) formas de preparação e resolução dos acordes de quinta aumentada com acordes em dispoções "cerradas".

2). Alteração dos acordes menores com fundamental grau rebaixada um semitom.

G) O exemplo nos devemos ter cuidado com a preparação e resolução do acorde aumentado e como devemos observar com atenção quais acordes iremos utilizar e como o movimento interno das vozes desses acordes pode tornar nossa harmonização efetiva ou pobre. Aqui o I esta se encontra numa disposição aberta passando para um +bII na primeira inversão e resolvendo num IV na segunda inversão. O uso do IV na segunda inversão causa uma sensação de suspensão que "chama" por um V grau (Imaginemos que a seguir do IV6/4 temos um V6 (com a nota sol na voz agunda) que resolve para um vi (com uma nota mi na voz agunda).

H) Temos um exemplo que apresenta um atalho de usar um acorde em disposição aberta para preparação para o acorde alterado com um acorde em disposição aberta.  

I e J) Mostram como os acordes alterados podem ser usados para criar espectativa ou embelezar passagem corriqueiras como: IV - V ou ii - V.

K) Aqui temos um complemento das ideias expostas no item G. A melodia trabalha através de salto pouco elegantes que poderiam nos leva à uma resolução sub a nota Mi. Ao invés disso o acorde +bVI assume contornos de dominante para uma resolução no V.

L) Temos um exemplo onde o acorde aumentado é utilizado como uma preparação para um acorde de dominante.

Bom, o texto é curto, mas espero que ele seja útil para os musicistas descobrir novas ideias ou ampliar conhecimentos que já detenha.     

A seguir teremos a terceira parte: Acordes de sexta aumentada e o Acorde Napolitano. (LINK)

Se você quiser e puder colabore com o Parlatório Musical (LINK)


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