terça-feira, 8 de abril de 2014

História (resumidíssíma) da Sinfônia



Organizado por Marcello Ferreira Soares Junior
Oi Pessoal, esse texto estava perdido em um "backup da vida". O texto está na sua forma bruta, ou seja, sem correções ou revisões. Mas tem informações interessantes. Esse material foi um rascunho para um trabalho da disciplina de história e estética da música

1.  Introdução.

O presente trabalho se propõe a expor de forma suscita a história do principal gênero da música instrumental até o século XIX, a sinfonia. Sua história e desenvolvimento dentro do período clássico (tanto no período embrionário quanto na maturidade da sinfonia com as obras de Haydn e Mozart, até as sinfonias de Beethoven). Não pretendemos aqui nos deter numa analise estilística de processos composicionais, nem reexaminar de forma completa a história do gênero, contudo pretendemos aqui conceder uma visão muito geral da historia do gênero sinfônico (Esse texto é do Blog Parlatório Musical). Para isso pretendemos contextualizar e demonstrar os elementos que compactuaram para o nascimento deste gênero musical. Tratando dos compositores e suas obras e rapidamente veremos os movimentos estilísticos e inovações técnicas, tais como: instrumentação dos conjuntos sinfônicos.

  1. O Classicismo.

Também conhecido como o século das Luzes, o século XVIII foi de imensa importância na historia da Europa e do Mundo, tanto no âmbito do Pensamento, quanto nas demais áreas da Sociedade, Politica e das Artes.
O Iluminismo foi o elemento chave do pensamento do século XVIII, as “luzes” eram seculares, empíricas, praticas, liberais, igualitárias e progressistas. Entre os homens que participaram a principio deste movimento temos Rosseau, Humme, Locke, Montesquieu e Voltaire. Neste momento do pensamento, o homem retorna ao lugar central das discursões, ele fonte e fim para o verdadeiro conhecimento, tudo passa a ser revisto em função dele, a educação, as ciências e as artes(Esse texto é do Blog Parlatório Musical). Para as “Luzes” o homem deveria ter a possibilidade de desenvolver suas capacidades inatas, visando o bem-estar do individuo, e por extensão da sociedade, isto inspirado nos preceitos clássicos dos gregos, Daí o uso da palavra classicismo para evocar este período. O pensamento dos Iluministas tem reflexos longe da Europa, na constituição norte-americana, onde pela primeira vez o direito do individuo se equivale e rivaliza o do estado.

Temos neste ambiente o avanço das ciências, a ascensão da classe média, a modificação nas relações sociais e econômicas, relações estas que aspiram igualdade entre os indivíduos. 

A Europa do século XVIII é cosmopolita. As potências nacionais  passam por um período de tranquilidade, isso graça a grande quantidade de monarcas estrangeiros nos tronos europeus, este dado importante, possibilitou um vasto intercambio de ideias por todo o continente, internacionalizando assim a cultura e o conhecimento. Outra face do Iluminismo é revelada no Humanismo, este incentiva as idéias de fraternidade e igualdade encarnadas pela maçonaria, este contexto as artes rendem frutos como as obras de Goethe, Schiller e Beethoven. 

No domínio da música o período do século XVIII (mas particularmente entre 1770 e 1830[1]), foi marcado por uma modificação de nível qualitativo na composição e no gosto musical. O caráter pesado do barroco aos poucos é abandonado em favor de um estilo mais leve, este que convém mais com a aristocracia (Estilo Rococó), ou em favor de expressões mais variadas e fortes (estilos Galante e Empfindsamkeit), porém esta música em sua maturidade se tornará forte e expressiva, com as Obras dos grandes mestres como Gluck, Haydn, Mozart e Beethoven. 

Apesar de praticamente um século depois os idéias Iluministas estivessem praticamente em cheque, isso por causa de vários percalços políticos na Europa, este período foi crucial para a abertura das portas para a modernidade.

  1. História da Sinfonia Clássica.

Uma breve introdução se faz necessária antes de tratarmos dos estilos que impulsionaram o classicismo musical, é necessário fazer alguns poucos comentários, com objetivo de contextualizar e dar suporte, ao assunto que iremos tratar a seguir.
Nas primeiras décadas do século XVIII, ocorre um movimento de critica a musica então produzida, a musica do Barroco Tardio, esta era chamada de cerebral e “confusa”, Esta critica pode ser corporificada pelo texto de Johann Adolph Scheibe, onde este poderá sobre a “falta” de “amenidade” e “naturalidade” da musica de Johann Sebastian Bach (Esse texto é do Blog Parlatório Musical). Esta atitude critica eram reflexo de um processo gradual que culminaria com o abandono dos usos barrocos, em favor de uma musica, que futuramente seria a musica de Haydn e Mozart. Porém é um erro pensar que este processo tenha sido abrupto, este – como já foi dito – foi muito gradual. Sobre isso é interessante observar, que obras que foram o ponto culminante do estilo Barroco Tardio, foram coevas das obras iniciais do novo estilo, a exemplo disso temos convivendo ao mesmo tempo as Variações Goldberg de Bach e as sinfonias de Sammartini. Observando isso é necessário termos em mente, que ainda em muitas das obras deste período teremos elementos do estilo ‘antigo’ mesclado ao estilo ‘novo’, como percebemos em peças de Leonardo Vince e Albrechtberger. Porém isso não significa que estas obras tenham um valor artístico menor – algo que já foi muito difundido – ou seja, arcaizantes, é certo afirma que estas obras fazem parte de um processo gradativo e orgânico de construção de uma nova concepção musical, a musica do período Clássico.

3.1.    O Estilo Galante e o Enfindkeit.

A musica ‘moderna’  do século XVIII, tem sua primeira manifestação, sub as cores do Estilo Rococó  e  Galante, este de sabor mais leve e informal que o estilo Barroco. Em 1777, Jean-Françoais Marmontel, assinala o nascimento da música ‘moderna’, com Leonardo Vinci que compôs as melodias de suas óperas nos contornos de uma curva “periódica”. Contudo, Vinci apenas abre caminho para a musica deles que se seguiram a ele, entre seus temo a figura de Pergolesi, este a quem a historias confere os louros por ser um dos primeiro a cultiva e delinear o novo estilo.

O Estilo Galante priorizava a melodia, por este motivo, é fundamentalmente homofônico, e pauta-se na clareza tanto nas formas (melodias e organização formal), quando da harmonia, além disso, outra característica importante apontada pelos teóricos da época, é a organização periódica da melodia (Esse texto é do Blog Parlatório Musical). Este estilo estava em consonância com as necessidades artísticas da sociedade de sua época, esta sociedade que tem uma classe media emergente, que encontra-se avida em assimilar da cultura e a arte, que até então era desfrutada apenas pela aristocracia.

O Estilo Galante é nasce na opera cômicos, na necessidade flexibilidade, para poder representar no palco os diferentes sentimentos dos personagens, pois o estilo Barroco em sua uniformidade de caráter, impedia a modificação abrupta na melodia e na harmonia. O estilo Galante sendo mais linear e livre, possibilitava a combinação de melodias construídas em períodos curtos que, por sua vez, podiam ser combinados com outros maiores, sustentados por harmonias simples e que aceitavam cadencias frequentes, sem a necessidade de preparações longas, estes aspectos lhe conferiam leveza e fluência. Podemos verificar estes aspectos nas primeiras sinfonias de Sammartini e na musica para teclas de Galuppi. 

A palavra Empfindsamkeit pode ser traduzida como “sentimentalismo” ou “sensibilidade”, por causa deste sentido, esta palavra foi utilizada para designar o que seria a grande expressão musical germânica do período pré-clássico.

Durante os primeiros anos do século XVIII a influencia da cultura francesa era enorme, ao ponto do de Frederico “O Grande”, considera o francês sua língua nativa. O Empfindsamer stil (ou estilo expressivo) caracterizava-se  através de melodias de motivos curtos, de maneira rapsodica com figurações rítmicas irregulares e ‘nervosas’, a harmonia sofria inflexões incomuns, por causa do cromatismo muito utilizado na melodia, porém a característica marcante é a proximidade da melodia com fala ou recitativo, o estilo é mais característico em movimentos lentos e recitativos obbligato. Este estilo foi cultivado por compositores como W.F. Bach, porém, ao mesmo tempo também podemos observa na obra de seu irmão C.P.E. Bach um mescla deste com o estilo galante (Esse texto é do Blog Parlatório Musical). A assimilação Estilo Galante de orientação italiana e francesa em voga na época, e a miscigenação com o Empfindsamer stil,  foi de imensa importância para musica européia, assim possibilitando aos compositores o desenvolvimento de um estilo internacional.

3.2.    A forma allegro-sonata.

Antes de iniciarmos, é importante definir o que enredemos neste trabalho, por forma allegro-sonata e forma sonata. Por allegro-sonata designamos o plano formal tripartido encontrado em uma única peça instrumental. E por forma sonata entendemos um plano formal amplo constituído por um conjunto de quatro peças, sendo que a primeira apresenta o plano formal do allegro-sonata.

O primeiro passo  para a formatação da forma sonata, como a conhecemos, se deu  com o uso da melodia homofônica, construída por meio de uma divisão periódica,  esta desenvolvida no período pré-clássico. Pois esta possibilitou a organização segmentada do fraseado, colaborando com a facilitação da variação de caráter e textura dentro de uma mesma obra. Diferente da Música do Barroco que mantinha sempre dentro da peça uma homogeneidade de caráter, tonalidade e textura. A música pré-clássica procura uma ruptura  com este expediente através da variedade e da descontinuidade de caráter e textura.

Os primeiros esboços que proporcionariam a criação da forma allegro-sonata, encontram-se na Itália, os compositores italianos já habituados com o uso melodia periódica na opera cômica, e menos ligados as tradições contrapontísticas,  encontravam-se a vontade para trabalhar com formas mais leves e ágeis, permitidas pela melodia organizada em frases periódicas (Esse texto é do Blog Parlatório Musical). Compositores que nos permite observa esta “liberdade” em sua obra são D. Scarlatti e Sammartini, neles encontramos maior variedade e leveza de texturas, e um ritmo harmônico mais lento. Porém estes compositores em termos de plano formal, ainda encontravam-se muito próximos as formas binárias do Barroco.  

Nas obras de Sammartini, temos uma gradual valorização do contraste na apresentação dos temas, este contraste configura-se no uso de dois temas em tonalidades diferentes, podemos também encontrar em sonatas escritas nas décadas de 1730-40. Nelas na seção A o primeiro tema aparece na tônica, e o segundo na dominante ou relativa, já na seção B a tonalidades dos temas se invertem. Também devemos observar como Sammartini, já incorpora em suas obras, o uso não só da tonalidade como elemento de contraste, ele lança mão  do uso do timbre e da textura para acentuar as diferenças entre os temas (Esse texto é do Blog Parlatório Musical). Esta pratica se tornara uma “formula” para conceder identidade própria aos temas, entre os compositores sinfônicos ulteriores. 

O outro aspecto importante é a forma de manejo temático, para a formatação do plano formal da allegro-sonata, graças a chegada do novo estilo ao norte da Europa, a exploração funcional dos temas  começa ser desenvolvida por alguns anos depois temos por compositores alemães. Esta exploração tinha como objetivo, a clareza e independência das estrutura dos temas, tem entre os músicos germânicos três escolas: a primeira tem os compositores de Mannheim como  J. Stamitz, F.X. Richter, I. Holzbauer e K. Stamitz, tinham um predileção por temas contrastantes em seus planos formais, este temas tinham tanto a harmonia como o caráter contrastante entre si, porém eles quase ou não sofriam desenvolvimento. Em Viena temos a segunda escola, com compositores como G.M. Monn e G. C. Wagenseil preferiam o uso de grupos temáticos em seus esquemas, este também pouco era manuseado. A terceira esta no norte da Alemanha com C.P.E. Bach,  J.G. Graun,  J.A. Hasse e J.W. Hertel, estes compositores trabalhavam com um único tema (monotemático), contudo, este tema único sofria processos de transformação e desenvolvimento. O processo de uso e desenvolvimento de temas em pouco tempo tornou-se internacional, isso fez com que nos planos formais começassem a surgir breves períodos de desenvolvimento, nas segundas seções das sonatas.

O Allegro-sonata como nós conhecemos, vem a ser firmar como um “padrão” apenas nas décadas de 1770-80, a característica marcante é o crescimento do tamanho e importância da seção de desenvolvimento, nas obras finais de Haydn e Mozart, e culmina com Beethoven (Esse texto é do Blog Parlatório Musical). Contudo, fala em padronização, pode nos levar a um erro,  pois mesmo tendo se estabilizado num “plano fixo”, o allegro-sonata sofre adições de introduções lentas e codas após a reexposição.

Passemos então agora a tratar da sonata forma, esta como plano formal mais extenso, dividido em movimentos, temos seus primórdios ligados a abertura operística italiana, com três movimentos de caráter distintos, rápido-lento-rápido. Durante um logo período as sinfonias escritas com três movimentos,  foram praticamente norma, podemos ver que Haydn e Mozart escreveram sinfonias em três movimentos, como exemplo podemos cita a sinfonia nº. 31 de Mozart, em três movimentos. Porém alguns compositores incorporaram um quarto movimento, entre eles Haydn, verificamos a forte influencia dele, pois ao final do século XVIII, a sinfonia com quatro movimentos tornou-se comum. Os movimentos inclusos no modelo de três movimentos, podiam ser um finale ou um movimento em ritmo de dança (o minueto ou Landler). Assim o ‘padrão’ de quatro movimentos seguiu inabalável, até Beethoven, propor a substituição do minueto, por um movimento de caráter mais rápido e incisivo, o scherzo.  Beethoven também aumentou as proporções forma sonata e do allegro-sonata, a uma extensão nunca ainda vislumbrada até então.



Nas figuras acima observamos  a evolução do plano formal do allegro-sonata.

3.3.    A orquestra.

As mudanças na forma de compor, foram de imensa influencia sobre a maneira de se instrumental as obras. No novo estilo não encontramos a complexidade polifônica e densidade textural do Barroco de J. S. Bach e Haendel.  No novo estilo os instrumentos passaram a se organizados em duas funções, a primeira sustenta a harmonia, esta função é concedida as madeiras, que fazem o “pano-de-fundo”  harmônico, a segunda função executa e dá movimento a musica, este função é efetuada pelas cordas, graças a sua agilidade e capacidade de variação de cor e dinâmica.

Este processo de redirecionamento das funções dos instrumentos dentro do grupo orquestral afetou o desenvolvimento de vários instrumentos e condenou outros ao desuso quase completo.

O processo de modificação visava um maior equilíbrio e balanço entre as madeiras e as cordas, assim entre as cordas as família dos violinos tornou soberana, com o desuso gradual dos instrumentos da família das violas. A sonoridade mais “cheia” e maiores possibilidade de variação dinâmica deram a possibilidade das cordas, tornarem-se a espinha dorsal da orquestra, porém inicialmente esta “espinha dorsal” era apoiada por um continuo, desempenhado por um cravo ou cravecebalo (Esse texto é do Blog Parlatório Musical). Contudo com as melhorias dos instrumentos de corda e de madeira, o continuo gradualmente foram caído em desuso completo.
                                      

orquestra Clássica “patrão”  em muitas obras de Mozart e Haydn.

Quando aos instrumentos de madeira, muitos instrumentos foram caindo em desuso, e os que permaneceram mudaram de função, pois no estilo Barroco de Bach e Haendel, temos um intenso fluxo contrapontístico, onde as madeiras participavam ativamente. Nas primeiras formações orquestrais escritos no novo estilo, temos o uso muito comum dos oboés, primeiras obras de Haydn, estes muitas vezes substituídos por flautas. Também em Haydn, mais adiante, encontramos o uso destes dois instrumentos juntos, mais o fagote na instrumentação[2].  Outro instrumento que se mantem em utilidade, é o fagote, ele muitas vezes nas primeiras partituras do século XVIII, era colocado abaixo das cordas graves, indicando nitidamente sua função de dobra. Contudo com o estabelecimento do conjunto das madeiras na orquestra, o fagote  passa a ser o instrumento grave deste conjunto (Esse texto é do Blog Parlatório Musical). O conjunto das madeiras é completado por um instrumento que nasce no Classicismo, o clarinete, este instrumento muito apreciado pelos compositores Clássicos – entre eles Mozart – foi adicionado a orquestra, graças a sua grande “paleta” de possibilidades tímbricas e dinâmicas.

Os metais tiveram um caminho mais lento, em direção a sua admissão no conjunto orquestral. Eles foram incluídos para reforça o arcabouço harmônico junto com as madeiras. Os primeiros instrumentos utilizados foram o trompete e a trompa. É curioso observar que em muitas composições as partes destes instrumentos eram confeccionadas, apenas se solicitadas ao compositor, pois normalmente não eram incluídas. Porém com o tempo estes instrumentos são utilizados de forma comum nas orquestras.  O trombone e a tuba tiveram sua vez apenas com Beethoven, que resgata estes instrumentos da musica sacra e os inclui na orquestra. Outro dado importante,  sobre os metais, é que, a partir da invenção do sistema de válvulas, que possibilitou estes ampliar seus limites, em relação a serie harmônica, tornou-os mais aptos ao uso dos compositores em obras com tonalidades variadas. 

No grupo de figuras abaixo temos algumas formações instrumentais de Bach, Mozart, Haydn e Beethoven, neles poderemos observar as diferenças e afinidades entre cada um deles.

   

Acima temos o concerto Brandesburgo N.1 e a Sinfonia N. 5 de Haydn, podemos observar a diferença tanto das funções dos grupos instrumentais, como também da utilização da textura.




Na figura observamos a diferença entre duas obras de Haydn de períodos diferentes, temos acima a sinfonia N. 13 e logo abaixo a N.103 “rufar dos tambores”, verificamos como Haydn aumenta sua paleta instrumental,  marcadamente no conjunto das madeiras e metais.

Acima temos as sinfonias N.40 de Mozart e a N.1 de Beethoven, verificamos que a instrumentação de Mozart esta mais próxima das obras iniciais de Haydn, enquanto Beethoven tem claramente as influencias de Haydn.

  1. Sinfonia pré-clássica.

A sinfonia pré-clássica se desenvolveu no período que abarca a primeira metade do século XVIII. Neste período quatro centros foram destacados no desenvolvimento deste gênero. Sendo estes a Itália; o norte da Alemanha, principalmente Berlin; Mannheim também na Alemanha; e Viena na Áustria. Cada um destes centros contribuiu de maneira efetiva para criação e afirmação da sinfonia como gênero. 

Na Itália temos os primeiros esboços do gênero sinfônico, isto ocorre com a cada vez mais acentuada independência da abertura operística do resto da obra (Esse texto é do Blog Parlatório Musical). Esta passa a ser apresentada muitas vezes sozinha assim os compositores italianos passa a dar mais atenção a composição destas obras, ao ponto de torna-las composições independentes. Entre os compositores italianos podemos destacar B. Galuppi e N. Jomelli, o primeiro trabalhou as estruturas temática em suas obras, seus experimentos, tentaram atingir um balanço equilibrado numa seqüência de exposição-desenvolvimento-reexposição, podemos observa isso em seu Il filosofo di campagna de 1754. Já Jomelli fez experimentos em relação a forma, um exemplo é seu allegro-chacona, e sua complexa versão de um abertura Da capo, onde temos um allegro na exposição, seguindo para uma modulação para dominante; um pequeno andante na tonalidade da tônica em menor e um allegro da capo apenas como transição e finalizando com um presto em 3/8. Porem estes experimentos não chegaram a se tornar formas definitivas, contudo, abriram caminho para os avanços alcançados, por uma segunda geração de compositores.  O Compositor italiano, mais importante para o gênero sinfônico na época foi G Sammartini, suas peças estão muito mais próximas do que conhecemos hoje, como sinfonia, do que as de seus compatriotas (Esse texto é do Blog Parlatório Musical). No plano da forma, o compositor definiu bem a pontuação das frases, como também estabeleceu por meio da tonalidade e da textura a identidade dos temas contrastantes. Sammartini não apenas se limitou na questão formal, ele também trabalhou o desenvolvimento sobre temas de base triadica, adiantando assim, um uso comum entre os compositores alemães.

O norte da Alemanha, em inícios do século XVIII, não apresentava grandes compositores sinfonistas (algo que mudaria no último quarto deste século). O nome de maior contribuição é o de C.P.E. Bach, este capaz de transitar sem dificuldades por estilos diferentes como o barroco tardio e o estilo galante e Empfindsamer stil. O compositor foi mestre nas técnicas de contraste dinâmico, além disso sua imensa capacidade de efetuar tratamentos temáticos dos mais diversos em temas simples, contribuíam para seus experimentos com os novos parâmetros de harmonia e colorido orquestral em voga na época. No gênero sinfônico podemos apontar sua capacidade de surpreender a audiência, harmonias e temas inesperados. No plano formal C.P.E. Bach alcançou um excelente balanço em formas amplas.

Outro centro importante foi Viena, deste muito tempo esta cidade foi um centro de convergência de toda Europa, isto podemos observa na atividade musical desta cidade, a influência de vários correntes. Os principais compositores vienenses da primeira metade do século XVIII são M.G. Monn e G. C. Wagenseil. Em Monn encontramos todos os movimentos escritos numa mesma tonalidade, ele escreveu quase unicamente sinfonias em três movimentos (Esse texto é do Blog Parlatório Musical). Em Wagenseil temos um princípio de recapitulação, porem este ainda em pequenas dimensões, em seus trabalhos após 1765 temo obras escritas em quatro movimentos. Outro compositor importante foi F. Gassmann, que construiu sua reputação como compositor de operas. Ele experimentou constantemente nos primeiros movimentos de suas sinfonias, sofisticações em seus planos temáticos, tais como: o desenvolvendo matérias secundários a partir do primeiro material. Outros compositores Vienenses importantes antes de Haydn e Mozart foram: M. Haydn e Ditterdorf. A grande contribuição dos vienenses pré-clássicos, está ligada a claridade com a qual estes apresentavam seus temas. No campo do desenvolvimento do plano formal, temos a inclusão de um quarto movimento em suas obras, o movimento incorporado era uma dança estilizada, o minueto. A característica marcante nas obras dos Vienenses eram suas predileções por núcleos temáticos e não temas isolados, como também a leveza e bom humor de suas composições.

Mannheim nos finais do século XVII e início do século XVIII, tornou-se uma importante cidade do sul da Alemanha, pois está neste período, foi elevada ao posto de capital do príncipe Eleitor, assim houve a possibilidade de nesta cidade, de se formar uma das mais influentes escolas do gênero sinfônico pré-clássico. Em Mannheim trabalharam numa mesma orquestra (tocando e compondo para esta), um seleto grupo de instrumentistas/compositores, entre eles podemos figurar J. Stamitz, F.X. Richter, C. Cannabich, I. Holzbauer e K. Stamitz. Estes homens formaram a orquestra que foi chamada por Burney de “exército de generais”, dada era a disciplina e precisão do grupo instrumental. Graças as possibilidades técnicas desta orquestra, os compositores de Mannheim, desenvolveram um estilo ousado de contrastes dinâmicos, onde o uso de crescendos diminuendos marcantes, tanto na dinâmica e no pulso rítmico, quanto nas variações de volume. Outro dado sobre esta orquestra foi o uso feito por esta dos instrumentos de madeira, como arcabouço harmônico, novidade trazida por K. Stamitz de uma bem sucedida passagem por Paris, onde o compositor pode observar o uso e a importância das madeiras por Gossec, assim Stamitz trouxe esta ideia e a desenvolveu nos moldes da música produzida em Mannheim. Quanto ao plano formal os compositores de Mannheim apesar de fazeres uso de dois motivos contrastantes em seus primeiros movimentos, estes não eram desenvolvidos, os compositores desta escola ainda estavam muito ligados as formulas de exposição-recapitulação.

Houve outros centros de menos importância como Paris com Gossec e S. Leduc, O primeiro causou imensa impressão em K. Stamitz, com o uso das madeiras na orquestra, além de demonstrar o trabalho refinado no fraseado e a claridade na divisão temática (Esse texto é do Blog Parlatório Musical). Os compositores de Paris tinham como característica a forte expressão rítmica. Outro centro foi Londres graças a C.P.E. Bach e os concertos públicos que atraíram compositores e músicos de toda a Europa.


5.      Haydn, Mozart e Beethoven.

Haydn foi um compositor que passou por todas as fases da música sinfônica classicismo, ele escreveu obras de extrema importância e outras de mínimo interesse. Contudo, a obra sinfonia de Haydn, reflete as mudanças de estilo da música sinfônica ao longo do século XVIII. Suas primeiras sinfonias em nada são inovadoras, ainda seguiam a orientação de escrita em três movimentos, e eram monotemáticas. Porém nos anos seguintes, ele tornou-se um compositor de soluções surpreendentes, tanto para os problemas temáticos e harmônicos propostos em suas obras, como também, no tratamento instrumental e no uso do plano forma de quatro movimentos (allegro-andante-minueto-allegro), que graças a sua forte influência, este plano formal, passaria a se tornaria um padrão nos anos de 1770-80. Haydn também introduziu uma serie de variações neste plano, como a incorporação de introduções lentas nos primeiros movimentos (sinfonias N. 11,15,27), uso do minueto como segundo movimento (sinfonias N. 25 e 44), ou ocasionais reversões do plano forma de quatro para três movimentos dependendo da ocasião, ao contrário, o aumento da extensão da obra para mais de quatro movimentos (sinfonia N.60). Além de fazer uso dos movimentos em forma rondo no movimento final ou em movimentos lentos (sinfonia N. 93). Os temas de Haydn são um de suas marcas registradas, com seu gosto por temas de caráter folclórico e rustico. Podemos perceber um grande refinamento no tratamento temático de suas obras finais, com o uso de esquemas fugatos e em cânon dos temas.

Haydn foi um grande inovador, todos os aspectos ligados a composição sinfônica foram trabalhados por ele, deste o tratamento equilibrado da segmentação formal dentro de uma organização sintática do fraseado e dos temas, este firme e consciente, até as imaginativas combinações instrumentais e de efeitos. Além do tratamento harmônico muitas vezes inusitado. Em suas obras observamos o crescimento cada vez mais acentuado da seção de desenvolvimento, esta vai se tornando mais elaborada e importante.

Haydn tem em suas obras descritas a história do “gênero sinfônico” no século XVIII, suas contribuições ao gênero serão apenas equiparadas por Beethoven.

Mozart encontra-se numa posição curiosa na História da sinfonia, o gênero pelas mãos de Haydn já se encontrava bem definido e difundido, ao genial Mozart restou dar o seu toque pessoal ao repertório sinfônico. Contudo, Mozart deixou uma grande contribuição ao gênero trazendo para este uma escrita mais idiomática para as madeiras, particularmente o clarinete (Esse texto é do Blog Parlatório Musical). A sensibilidade musical de Mozart possibilitou ao compositor explorar o colorido sonoro e textural dentro das peças sinfônicas. Em termos formais Mozart utiliza de seu senso apurado de simetria, para demarca pontos de cadencia e equilíbrio entre as partes da música, esta simetria e equilíbrio estão presentes não só nas proporções, como também no tratamento do material rítmico e harmônico. O tratamento motivico tem especial atenção do compositor, este muitas vezes desenvolve os temas já na exposição, em seguida os descarta utilizado outros no desenvolvimento. Durante toda sua carreira Mozart assimilou influencias de várias escolas, entre elas do próprio Haydn, das escolas de Mannheim e Viena. Nas sinfonias finais de Mozart apresentam uma maior complexidade e extensão. Nestes trabalhos temos um aspecto dramático mais forte, podemos observar isso nos períodos de contraste.


Beethoven é um personagem chave na história da música do período clássico, sua influência sobre seus contemporâneos e gerações que o seguiram é de caráter quase incomparável. No campo da música sinfônica Beethoven, empreendeu sua própria reforma, nos parâmetros da composição e escrita sinfônica. Em seu texto sobre o mestre alemão, o maestro Hermann Scherchen, escreve que as inovações impostas por Beethoven, (Esse texto é do Blog Parlatório Musical) vão deste a incorporação definitiva de alguns instrumentos ao corpo orquestral, até a revisão do uso e função dos parâmetros composicionais, como motivo e o tema. Em termos formais Beethoven ampliou as proporções da sinfonia, de maneira que em sua última sinfonia, a nona temos o último movimento com quase meio hora de duração. Ainda na nona o compositor ousou adicionar ao corpo instrumental um coro com solistas. 

Nas duas primeiras sinfonias de Beethoven, encontramos influencias diretas de Haydn, na primeira sinfonia têm logo no início do allegro, uma abertura lenta, onde temos proposto um problema harmônico, este resolvido ainda dentro desta abertura. Outra influência de Haydn está na formação instrumental da orquestra, típica das últimas obras de Haydn. Contudo esta sinfonia já trazia uma ousadia no mestre, a designação do terceiro movimento como minueto, soa como uma picardia do compositor, que impõem a este movimento um pulso e um vigor inéditos a este movimento, na segunda sinfonia Beethoven retoma o vigor no terceiro movimento, contudo, agora este é designado de scherzo, palavra italiana de significa divertimento ou gracejo (Esse texto é do Blog Parlatório Musical). Este movimento tornou-se norma nas obras do compositor (ainda que na oitava ele retorne a designar o terceiro movimento de minueto), com o uso dele o compositor criou mais tensão dramática em suas obras.

No tocante a instrumentação, Beethoven foi de extrema importância para a formulação da orquestra moderna. Ele incorporou a orquestra instrumentos não utilizados de maneira comum. Instrumentos este como a flauta-picolo, o contra-fagote, o trombone e uma serie de percussões como os címbalos e o triangulo. Além disso temos também em Beethoven usos e combinações instrumentais inusitadas até então.

Porém a talvez mais evidente das contribuições de Beethoven, está no aumento das proporções das obras sinfônicas, graças seu imenso gênio dramático, e grande domínio da construção da sintaxe da formal, Beethoven expande as dimensões da sinfonia. As peças sinfônicas comumente no período dos finais do século XVIII e início do XIX, não ultrapassavam mais que 3/4 de hora, em suas últimas sinfonias Beethoven extrapola estes limites, dimensionando as suas sinfonias ao corpo titânico em relação a suas coevas.

 

Além de tudo isso que já foi colocado, as sinfonias de Beethoven, representaram para o compositor o ponto culminante de suas pesquisas e conquistas técnicas e composicionais. Estas sobras também representam o ápice das formas do período clássico, e é com certeza o repertório sinfônico mais conhecido e apreciado entre público, músicos, compositores e estudioso.   

 

Bibliografia.


BENNETT, Roy. Uma breve historia da musica. Rio de Janeiro. Maria Teresa R. Costa (trad.). Jorge Zahar Ed. 1992. 

BENNETT, Roy. Instrumentos da orquestra. Rio de Janeiro. Luis C. Cseko (trad.). Jorge Zahar Ed. 1985.

PAULY, Reinhard. music in the classical period. London – 2nd edition. Prentice Hall. 1973.

RUSHTON, A musica clássica: de Gluck a Beethoven. Rio de Janeiro. Clóvis Marques (trad.). Jorge Zahar Ed. 1988.

ROSEN, Charles. El estilo clasico: Haydn, Mozart, Beethoven. Madrid. Elena Gimenez Moreno (trad.). Alianza Editora. 1986.


[1] Rushton, Julian – A Música Clássica: Uma historia concisa e ilustrada de Gluck a Beethoven. trad. Clóvis Marques. Rio de Janeiro – Jorge Zahar Editores. 9 pp.
[2] J.W.Hertel nas décadas de 1750-60, já adicionava a flautas e  o fagote em suas instrumentções.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Rock de Tempos em Tempos


Montei esse pequeno slide para introduzir a história do Rock'n'Roll para turmas de 8ª Série. Pensei que pode ser útil para alguém então ai esta!! 

Divirtam-se...

http://www.slideshare.net/marcelloferreirasoaresjr/rock-de-tempos-em-tempos  

sábado, 16 de outubro de 2010

Receita de bolo: Pitadas de harmonia básica.

Organizado por Marcello Ferreira Soares Junior

A linguagem é cheia de pequenos detalhes que fazem muita diferença de bem colocados. Uma formula ou célula rítmica, uma ornamentação na melodia ou uma simples ligadura podem mudar o que parecia previsível. Aqui passo para vocês umas anotações rápidas sobre este tema.

Plagal

Este tipo de resolução não é definitivo, “ela deixas as coisas no ar”, é útil para fechar temporariamente a apresentação de uma ideia.

Normalmente a cadência do Amém como é conhecida a plagal, se caracteriza pela passagem entre o IV para o I grau do campo harmônico Maior. Contundo uma notinha de passagem ali e outra aqui acrescenta um tempero para a passagem.

- A quarta diminuta entre o soprano e o contralto soa suave sem forçar a resolução.

- No primeiro exemplo o acorde de IV com o quinto duplicado na passagem torne-se um II6/5, para isso é só ascender umas das quintas uma segunda maior.

- Se ascendermos umas das quintas uma segunda maior e baixarmos a outra uma segunda menor termos na passagem um acorde de VII4/3.

Ilustração 1

Tirando força de uma cadência perfeita

Para muita gente isso é contraversão, mas e daí? No máximo você vai gerar uns narizes torcidos. Novamente as notas de passagem podem influenciar o sentindo harmônico de um trecho, contundo utilizaremos outro recurso as ligaduras.


- No primeiro exemplo “atrasamos” a conclusão no primeiro, colocando um descansado II2 (que também pode ser lido como um V7b com uma 4ª). Observem as ligaduras a primeira poderia se caracterizar como um retardo dentro de um acorde de I e também este a ligadura “corta” um pouco da energia do ataque sobre as notas do acorde.


- O retardo que concluiria o acorde de I grau numa segunda maior descendente (o que realmente ocorre!), mas ao invés de esta dentro do acorde de Tonica temos um acorde de II2, isso graças o movimento descendente de terças no soprano e contralto.


- Este acorde intruso interfere na força conclusiva do V grau. Conduto o V é retomado rapidamente por uma nota de passagem no soprano.


- Mas as ligaduras seguintes incrementam esta interferência, deixando o ataque apenas para as notas nas vozes intermediarias e mesmo assim utilizando um intervalo brando como a terça. O segundo exemplo segue o mesmo procedimento.


Ilustração 2

Conhecido também como Sexta de Rameau a inclusão do sexto grau em um acorde por meio de uma ligadura com uma nota do acorde que o precede. O uso deste procedimento numa cadência proporciona elegância até as passagens mais simples.


Temos três exemplos:


- Exemplo 1: Aqui funciona como uma antecipação: a sexta de II (que também pode ser lido como VII4/3) é a terça (nota do acorde) do V.


- Exemplo 2: Novamente antecipamos uma nota do acorde de V por meio de ligadura, neste caso IV (que também pode ser lido como II4/3).


Coloca uma sexta aí!!!

- Exemplo 3: Nos exemplos anteriores usamos as sextas dos acordes para “completar” o V. Não causamos qualquer alteração à intenção de conclusão. Contudo, se nos incluirmos uma sexta no próprio V podemos realmente transformar o sentindo harmônico. A quinta do VI ligada sobre o acorde de V como sexta que por sua vez também é ligada ao I na categoria de terça deste acorde, “engessa” a força da cadência.


Ilustração 3

- Como dica de utilização coloquei na ilustração 4 uma das formas que gosto de utilizar esta formula. Analisem e façam seus experimentos!!


Ilustração 4



sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Receita de bolo de cadências básicas.

Organizado por Marcello Ferreira Soares Junior

Bom pessoal, andei um pouco enrolado e sem tempo de escrever e postar muita coisa, mas atendendo a um pedido editei este material bem simples sobre cadências básicas. O resto do material de contrapondo modal vou ficar devendo, mas prometo pagar...rrss

Harmonia básica – Dicas Rápidas [sistema receita de bolo]

Cadências

Basicamente temos dois tipos de cadencias: Simples e Compostas.

1. As cadencias Simples são aquelas formadas por apenas dois acordes diferentes, por exemplo: I à V à I.

Podemos subdividir as cadencias simples em:

A] Autênticas perfeitas e imperfeitas. Formula [I à V à I; I6 à V à I]

A.1. Perfeitas: quando a sensível esta no soprano e resolve na tônica.

A.2. Imperfeitas: quando a sensível não esta no soprano e resolve na tônica.

Ilustração 1-autênticas perfeitas e imperfeitas

B] Plagais perfeitas e imperfeitas. Formula [I à IV à I; I6 à IV à I]

B.1. Perfeitas: quando a nota comum esta no soprano.

B.2. Imperfeitas: Quando há movimento na melodia do soprano; ou quando o acorde de IV esta na primeira inversão; ou quando não há movimento no soprano, mas o acorde de I grau cai no tempo fraco do compasso.

Ilustração 2-Plagais perfeita e imperfeita

*Observação: evitar que a fundamental que esta no baixo do IV faça o movimento descendente quando a fundamental também estiver no soprano.

2. As cadencias Compostas são aquelas formadas por mais de dois acordes diferentes, por exemplo: IV à V à I.

Ilustração 3-formulas ritmicas

Observações: Quando tivermos num mesmo compasso os acordes de IV e V graus. Os acordes devem seguir as seguintes formulas de divisão:

C.1. Cadencia Composta tipo: IV à I6/4 à V à I.

1- o acorde de I grau com a quinta no baixo tem as notas comuns sempre ligadas.

2- o acorde de I6/4 duplica a quinta.

3-o acorde de IV NUNCA (tudo bem que nunca é uma palavra um tanto forte, digamos que é melhor evitar) deve esta no mesmo compasso do de I6/4 e V [mesmo que haja espaço no compasso].

4-veja no exemplo que a melhor posição para o acorde de I6/4 é com a fundamental no soprano.

Ilustração 4-Cadencia composta com I grau na segunda inversão

Semicadencia.

É um tipo de cadencia que se resolve não no I grau e sim no IV ou V. temos dois tipos: semi-autentica e semi-plagal.

D.1. Semi-autentica quando resolve no V grau.

D.2. Semi-plagal quando resolve no IV grau.

Ilustração 5-formulas de semi-cadencia e

semi-autêntica

Ilustração 6-semi-plagal

Como Organizar um coral de oito compassos.

Basicamente todo coral é dividido em frases de 4 compassos, normalmente os exercícios sempre tem 8 ou 16. Ao final de cada frase sempre devemos ter uma cadencia ou semicadencia. As Autênticas perfeitas [CD] [simples ou compostas] devem sempre ficar no ultimo compasso, pois esta cadencia tem um sentido de conclusão. Já todas as demais [Autentica imperfeita; as plagais e as semi-cadencias], podem ficar no meio do coral, de preferência no meio do coral é sempre melhor usar as semi-cadencias [SC]. Veja os esquemas:

Ilustração 7-exemplo de estrutura harmônica de um coral

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Pontos nos iis.

Bom, pessoal, fico muito feliz e agradecido pelos emails que vocês me enviaram a respeito das postagens de algumas de minhas notas de estudo, eu sinceramente não imaginava que seria tão bem recebido [eu devia ter feito isso antes..rsr]. Mas admito que por falha minha, esquecer-me de colocar certos esclarecimentos que caberiam na ocasião da primeira postagem e também aproveito para responder outras questões, vou fazer tudo por pontos para ser mais objetivo:

1. Nada do que estar postado foi “inventado” por mim!!...rsrs... Nem era minha intenção...rrs... Na verdade apenas algumas siglas para torna a leitura mais ágil. Tudo que há nos textos, você poderá encontrar diluído em livros de contraponto e outras coisitas foram notas que tomei quando: analisava obras; aulas dos meus professores da faculdade [UFPB]; e das observações por vezes curiosas e desconcertantes dos meus alunos. Por favor, pessoal, como todos vocês sabem bem, o contraponto não é uma invenção de alguém, e sim o resultado de um longo processo histórico, e no meu humilde papel de estudante [preguiçoso as vezes..rsr] e professor [remunerado!] procurei organizar, compilar, utilizar e apresentar.

2. Nada do que tem aqui é verdade absoluta!! Por isso mesmo vocês deviam posta suas observações para podermos enriquecer e somar idéias, além de democratizar o conhecimento.

3. Existem dezenas de abordagem diferentes para o estudo, ensino, e práticas do contraponto. Meditando e experimentando vocês podem usar estas idéias aqui expostas de várias formas em várias linguagens, não há limite em música, o ouvido e a sensibilidade são os melhores juízes [quem já dizia isso só que “em outras palavras” era Debussy].

4. Gosto de deixar a parte ruim para o final, então vamos lá. Sobre democratizar conhecimento, vou ser curto de grosso: de forma nenhuma aceito alguém me dizer que o que estou fazendo é “jogar pérolas aos porcos”, pois é no mínimo – para mim – fascista a idéia de que o conhecimento esta e deve ficar num curso universitário ou mofando em livros de biblioteca esperando um “escolhido”, e que eu não devia postar este material na internet, e sim, “escrever um artigo ou tentar uma publicação”. Primeiro lugar, este conhecimento [que é pouco] encerrando nestes textos eu recebi de graça, alias nem de graça, porque muita gente pagou [e ainda paga] impostos para que minha pessoa pudesse freqüentar uma universidade, receber bolsa e etc. Assim, agindo com um mínimo bom senso estou apenas fazendo o que devo fazer, procurar divulgar o que foi me passado. Não estou querendo mostrar que sei nada [quem me conhece sabe que meu ego sofre de anemia, e não sem razão a meu ver!], e sim simplesmente fazer um favor à música [algo que muita gente envolvida com ela se esquece que tem de fazer], pois em minha visão quanto mais gente deter conhecimentos como esse maior será a valorização das obras do passado e melhor serão apreciadas as obras dos compositores do presente [que afinal estão vivendo entre nós e merecem serem reconhecidos!]. Além do fato de que se músicos das vertentes da música popular tomando conhecimento desta arte possam introduzir cada vez mais sofisticação as suas composições, tornando as mentes e os ouvidos de seu público mais aguçados. Assim, acredito que “por tabela” estes ouvintes se tornaram sedentos de uma música com cada vez mais qualidade. Isso é um tanto utópico, mas temos que tomar iniciativas, pois se ficarmos esperando a chegará um momento em que não haverá mais “os escolhidos” para apreciar música.

Pessoal desculpem o tom da postagem, mas o “santo é de barro” [não que eu seja santo..rsr] e muitas vezes o barro se desfaz na chuva.

Lembrem este material tem mais intuito de apresentar o contraponto e suas possibilidades, e nunca substituir um bom livro da matéria ou um bom professor, procurem cursos de composição, adquiram livros, gravações, muitas das partituras de obras deste estilo estão a disposição em bibliotecas e Internet.

Abraços.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Contraponto Modal parte 6: Contraponto de quarta espécie

Oi pessoal, esses artigos sobre contraponto modal receberam muita atenção dos leitores. Por algum tempo tirei os "textos do ar", pois resolvi revisar e melhorar algumas coisas para em seguida republicar. Mas creio que isso foi um pouco injusto com os leitores. Então resolvi deixa-los a disposição. Ainda estou pensando como vou vincular o material revisado e ampliado (e aceito sugestões), mas quando rolar estará disponível no blog.  

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Contraponto de quarta espécie.

Objetivo: valorização da sonoridade da dissonância e sua resolução através da suspensão do movimento melódico e ao mesmo tempo rompendo com a métrica por meio de sincopes.

Primeiramente para facilitar a absorção das idéias desta nova espécie devemos ter bem fundamentadas as diretrizes que regem as três espécies anteriores, principalmente as diretrizes da segunda espécie com a qual a quarta espécie guarda afinidade. A grande diferença entre esta espécie é o uso de ligaduras entre as notas do CP, ligando a nota do tempo secundário [TS] com aquele do tempo principal [TP] que a sucede.

Ilustração 1

Desta forma a métrica da linha melódica do CP “flutua” e defasa em relação ao CF. Já a combinação vertical entre CP e CF sobre uma sensação de suspensão em relação a consonância que sempre é atacada sobre o a nota no TP. Pois a nota suspensa no CP muitas vezes será um intervalo dissonante em relação ao CF.

Ilustração 2

Aspectos verticais:

1. Seguir prerrogativas da 2ª espécie.

2. O intervalo entre a nota do CF e a nota do CP no tempo secundário que será ligada ao TP seguinte deve ser obrigatoriamente uma consonância.

3. A resolução da dissonância suspensa é sempre em movimento descendente.

4. Temos algumas formulas de resolução das dissonâncias suspensas pela ligadura que podemos seguir como padrão: a 4ª suspensa resolve na 3ª; a 7ª resolve na 6ª e a 9ª na oitava. Vejamos a figura a baixo:


Ilustração 3

5. Já quando temos uma consonância suspensa pela ligadura, não temos necessidade de resolução, então a nota seguinte a ligadura pode ser tanto outra consonância [1] quanto uma dissonância como nota de passagem [2], lembremos que não podemos ligar uma dissonância no tempo secundário a outra dissonância no tempo principal. Exemplo abaixo:

Ilustração 4

Apêndice: algumas dicas de resolução.

Casos de Resolução da suspensão:

Sempre que possível valorizar o movimento contrario das vozes:

Resolução descendente:

Ilustração 5

Com a sexta nota do modo dórico em ré seguida da sétima nota no CF. este tipo de resolução é possível em quase todos os modos.

Resolução ascendente:

Ilustração 6

Cuidado com o tritono oculto nas suspensões:

Ilustração 7

Contraponto Modal parte 5: Contraponto de terceira espécie

Oi pessoal, esses artigos sobre contraponto modal receberam muita atenção dos leitores. Por algum tempo tirei os "textos do ar", pois resolvi revisar e melhorar algumas coisas para em seguida republicar. Mas creio que isso foi um pouco injusto com os leitores. Então resolvi deixa-los a disposição. Ainda estou pensando como vou vincular o material revisado e ampliado (e aceito sugestões), mas quando rolar estará disponível no blog.  
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Contraponto de terceira espécie.

Objetivo: reforçar as idéias de enriquecimento melódico do CP com uma gama maior de opções, contudo mantendo o sentido métrico que temos fortes e fracos na linha melódica.

O Contraponto [CP] de terceira espécie tem como característica o enriquecimento da linha melódica do CP por meio de uma maior numero de figuras rítmicas. O CP de terceira espécie é normalmente escrito com 4 figuras no CP contra 1 no Cantos Firmus [CF]. Em alguns casos temos o uso de 3 no CP contra 1 CF, contudo, aqui adotaremos apenas o estudo da terceira espécie no modelo 4x1, como é comum na maior parte da literatura sobre o assunto.

O CP de terceira espécie também tem seu próprio sistema de divisão métrica em tem Parte Principais [PP]; Parte Secundaria [PS] e o que chamaremos de Parte Secundaria interna [PSi], vejamos abaixo:

Ilustração 1

Justificamos esta inclusão Parte Secundaria interna [PSi] como uma opção pessoal, com o intuito de facilitar o estudo do tratamento dado a dissonância nesta parte da melodia do CP. Pois em exemplos e exercícios em livros de autores como Jeppesen e Koellreutter, podemos observar diferenças neste tratamento da dissonância quando ela ocorre nesta parte da métrica. Entretanto, não há nestes textos uma sinalização que indique este acontecimento de forma clara ao estudante/compositor. Repito que esta é uma opção pessoal e não é uma norma ou nomenclatura universal. Contudo, temos que ter em mente que este não é um texto acadêmico e nem tem o interesse de ser, o que pretendemos aqui é transmitir uma experiência do autor e não reproduzir normalizações acadêmicas [apesar da prática e estudo do contraponto em nossos dias – infelizmente – esta atrelada a academia e não ao uso comum dos músicos].

Aspectos Verticais

  1. O uníssono com o CF é mais útil se usado nas PP do CP.
  2. Todas as normas das espécies anteriores continuam validas.

Aspectos da escrita da melodia do CP

  1. O CP pode se iniciar em qualquer parte da métrica seguindo as normas de intervalos para as PP’s e PS’s da segunda espécie.
  2. Não alcançar o ponto culminante da melodia [grave ou agudo] por meio de salto [ver parte 1].
  3. Não efetuar mais de um salto [ascendente ou descendente] consecutivamente.
  4. Os saltos ascendentes só em PS quando nelas ocorre uma consonância para alcançar outra consonância.
  5. Já os saltos descendentes são possíveis nas PP e PSi quando nelas ocorre uma consonância para alcançar outra consonância. Contudo temos uma exceção na PSi quando ela esta dentro de uma Cambiata [veremos a seguir].
  6. Qualquer salto ascendente ou descendente, que exceda a distancia de uma 3ª maior/menor deve se compensando na nota seguinte com um grau conjunto na direção contraia ao salto.
  7. A dissonância PSi pode ser usada como nota de passagem ou como bordadura inferior [ver CP de segunda espécie]. Já no PS a dissonância continua sendo usada apenas como nota de passagem.
  8. Podemos usar bordaduras superiores e inferiores na PSi, contudo apenas com intervalos consonantes em relação ao CF. Temos duas formulas: bordadura superior 5ª àà 5ª; bordadura inferior 6ª àà 6ª.
  9. Não é permitido repetir notas das PP’s nas PS’s e vice-versa.
  10. Não escrever bordaduras consecutivamente.


Ilustração 2

A Cambiata

É uma figuração melódica muito comum no CP de 3ª para se alcançar uma nota que esta a uma segunda menor inferior entre duas partes principais iniciais sobre notas do CF. Ver exemplo abaixo:


Ilustração 3

O movimento melódico da cambiata é este arco entre as duas Partes Principais [PP] e é sempre descendente. Além disso, cada parte da métrica recebe um tratamento intervalar.

1. As Partes Principais [+]: sempre recebem uma consonância.

2. A Parte secundaria interna [°]: recebe uma consonância ou dissonância, sobre esta dissonância alertamos que ela é um único caso de exceção a regra de uso de dissonâncias apenas como notas de passagem, aqui ela é seguida por um salto descendente de terça para se alcançar uma consonância, podemos ver isso em textos teóricos sobre contraponto modal, como por exemplo, para citar um texto de fácil acesso temos o livro “contraponto modal do século XVI” de H. J. Koellreuter.

3. A parte secundaria: recebe uma consonância ou dissonância como nota de passagem em sentido ascendente.

Dependendo do modo utilizado alguns intervalos serão mais práticos que outros para se iniciar a cambiata. No modo dórico, por exemplo, ao iniciarmos cambiata com intervalos 8ª, 5ª e 6ª tendo a nota principal do modo [no caso do exemplo ré] no CF não encontraremos problemas no enlace melódico tanto no movimento das vozes do CP quanto do CF [apenas observar que no caso de se iniciar a cambiata com a 6ª no CP ter o cuidado de verificar se no CF se o intervalo ascendente entre a nota inicial e a nota seguinte seja de uma terça, pois se for de segunda teremos um movimento oitava paralela]. Contudo se iniciarmos com a terça ocorrerá um problema, pois na segunda parte principal da métrica do CP teremos uma dissonância [nota indica com um x no exemplo abaixo].

Ilustração 4

Uma dica interessante é testar varias combinações de cambiatas sobre diferentes CF em vários modos diferentes. Você pode chegar a conclusões como saber que as cambiatas iniciadas sobre a nota principal do modo apresentam menos problemas se iniciadas com a 8ª e a 6ª em modos como dórico; frígio; mixolídio; lídio e eólio.


Contraponto Modal parte 4: Contraponto de Segunda Espécie

Oi pessoal, esses artigos sobre contraponto modal receberam muita atenção dos leitores. Por algum tempo tirei os "textos do ar", pois resolvi revisar e melhorar algumas coisas para em seguida republicar. Mas creio que isso foi um pouco injusto com os leitores. Então resolvi deixa-los a disposição. Ainda estou pensando como vou vincular o material revisado e ampliado (e aceito sugestões), mas quando rolar estará disponível no blog.  

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Objetivo: Valorizar a idéia de movimento entre as notas que estão em contraponto direto com o cantus firmus, enriquecendo a sonoridade das linhas melódicas.

Nesta espécie trabalhamos com duas notas na melodia do contraponto [CP] para cada nota da melodia do Cantos Firmus [CF]. Assim antes de iniciarmos nos deteremos no entendimento do conceito de “partes principais e secundarias” na melodia do CF, este conceito é importante, pois no facilita o trabalho no momento da composição melódica do CF.

· Parte Principal [PP] ou Arsis: Toda a nota do CP que é executada ao mesmo tempo em que a nota do CF.

· Parte Secundaria [PS] ou Tersis: Toda a nota que se segue a PP ou que é executada após a nota do CF.

Ilustração 1

O uso das Consonâncias Perfeitas e Imperfeitas [CNP e CNI] segue os mesmos preceitos da primeira espécie, contudo, no contraponto de segunda espécie temos a adição do uso da Dissonância [DIS]. O uso de cada modalidade de intervalo é determinado pelo fato de se esta trabalhando no PP ou PS. Vejamos abaixo:

· No PP apenas utilizamos Consonâncias Perfeitas e Imperfeitas seguindo as normas da primeira espécie.

· No PS podemos utilizar tanto as Consonâncias Perfeitas e Imperfeitas seguindo as normas da primeira espécie. Como também as dissonâncias, porém uma dissonância só pode ser utilizada como uma Nota de Passagem entre duas consonâncias.

A Nota de Passagem [NP] é alcançada e deixada por grau conjunto numa mesma direção [ascendente ou descendente]. No contraponto modal de segunda espécie normalmente ela esta no meio de um intervalo de terça [maior ou menor]

Observemos o caso da ilustração [2] logo abaixo, temos uma passagem entre duas CNP [intervalo de terça] nos PP entre elas num movimento descendente temos uma DIS na PS como Nota de Passagem.

Lembre: A Nota de Passagem pode ser ascendente ou descendente.

Ilustração 2

Analisamos o caso acima:

  1. O quê determina que intervalo seja consonância ou dissonância são os intervalos que se encontram entre o CF e as Partes Principais e Secundarias do CP.
  2. Na ilustração [2] temos no CF a nota ré e no CP no PP a novamente a nota ré uma oitava acima, logo em seguida no PS temos o dó que esta uma sétima menor acima do CF, logo a seguir temos uma nova nota no CF, o mi, com a nota si no CP, ou seja, um intervalo de quinta justa. Sabemos que a oitava e a quinta são CNP e a sétima uma DIS. Observem que a DIS na verdade apenas serve como ligação entre as duas CNP, ela serve apenas como Nota de Passagem.
  3. Também podemos usar CNP e CNI como Nota de Passagem, mas apenas entre duas consonâncias [ver ilustração 3].

Ilustração 3

Um aspecto interessante do CP de segunda espécie é a possibilidade de podermos em alguns momentos repetir o intervalo do PP no PS, pois os dois serão consonantes com o CF [ver ilustração 3].

Normas para construção do CP de segunda espécie.

1. O CP na segunda espécie pode ser iniciado tanto na PP quanto no PS:

  • Quando ocorre na PP devesse usar apenas CNP [8ª ou 5ª justa].
  • Já quando iniciar no PS pode-se usar tanto CNP quanto CNI [8ª; 5ª justa; 3ªs e 6ªs maiores e menores]. [Ver ilustração 4]

Ilustração 4

2. Na finalização do CP a penúltima e ultima nota devem ter a mesma figura rítmica do CF, isso ajudar a reforçar a noção de conclusão da melodia modal. [Ver ilustração 5]

Ilustração 5

3. Nunca sair ou ir para uma dissonância por salto [sobre o uso dos saltos observe as normas da primeira espécie].

Ilustração 6

4. É permitida a repetição da nota do PP no PS, mas nunca o contrario.

Ilustração 7

O uso da Bordadura é um aspecto particular do CP de segunda espécie e deve ser tratado com muito cuidado.

A Bordadura [BD] é uma nota ornamental que se localiza entre a repetição de uma mesma nota, a bordadura é alcançada e deixada por grau conjunto em direções opostas, ou seja, se formos alcançá-la por movimento ascendente devemos sair dela por movimento descendente.

As Bordaduras podem ser:

  • Superiores: quando a nota ornamental é mais aguda que a nota repetida.
  • Inferiores: quando a nota ornamental é mais grave que a nota repetida.

Como também podem ser podem ser diatônicas ou cromáticas. Por enquanto usaremos apenas notas diatônicas.

Seguiremos com a apresentação de alguns caminhos que facilitaram a escrita da bordadura no CP:

  1. Nunca usa nota ornamental da bordadura uma dissonância.
  2. Quando a bordadura cair no PP, a nota seguinte pode ser uma dissonância como nota de passagem.
  3. Quando a bordadura cair no PS, a nota seguinte pode ser uma consonância.

Seguem abaixo algumas formulas de BD:

Ilustração 8

Vejamos agora a aplicação das formulas [ilustração 9]:

Formula A: é pratica quando temos no CF um salto de terça maior ou menor [ascendente ou descendente].

Ilustração 9

Observação: Quando o salto na melodia do CF for ascendente a BD será mais fácil de ser praticada de forma descendente e vice-versa.

Formula B: é pratica quando a BD é superior ou ascendente, independente do sentindo da melodia do CF [ascendente ou descendente].

Ilustração 10

Observação: independente do sentindo da melodia do CF, teremos diferentes intervalos sob a nota que repetida na BD. Podemos fazer uso de alguns clichês, tais como: termos uma melodia ascendente no CF e sairmos de uma 5ª para 6ª; termos uma melodia descendente no CF e sairmos de uma 5ª para 3ª.

A BD descendente dificilmente pode ser praticada nesta formula, pois além das dificuldades de encaixar os intervalos, podemos provocar passagem entre CNP por movimento paralelo ou direto consecutivamente. Na escrita estes intervalos podem até não parecer graves, contudo, na audição eles são expressamente denunciados.

Ilustração 11

Formula C: é pratica tanto com a BD superior quanto ascendente, independente do sentindo da melodia do CF [ascendente ou descendente].

Ilustração 12

As Oitava e Quintas Ocultas.

As Oitava e Quintas Ocultas são uma dificuldade constante na escrita do CP, pois muitas vezes, por causa das notas nas PS’s o aluno/compositor passa desapercebido da ocorrência deste problema.

As Oitava e Quintas Ocultas ocorrem quando em PPs consecutivas ocorrem CNP [uníssonos, 8ªs ou 5ªs] por movimento paralelo/direto. Elas devem ser evitadas a qualquer custo na escrita do PC, para isso, temos apenas dois remédios:

  1. Domínio das técnicas do CP de primeira espécie.
  2. Atenção na escrita.

Vejamos alguns casos abaixo:

Ilustração 13

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