terça-feira, 4 de julho de 2017

Notas sobre: Escrita Espelhada (Intervalos, modos, acordes) e algo sobre Harmonia Negativa.

                                                                                                        Organizado por Marcello Ferreira Soares Junior

Oi pessoal! Nessa postagem vamos abordar uma assunto pouco falado, mas muito interessante para composição e improvisação.

Algumas observações iniciais:

1. Esse texto não tem nenhuma pretensão acadêmica. É um texto informal;
2. Nos exemplos da primeira parte uso a clave de Dó para facilitar a observação do Dó centralizado; 
3. Quando estava publicando esse texto encontrei esse vídeo muito legal sobre o assunto a segunda parte do texto.    

Procurar formas organização diferentes para geração de possibilidades para modos e acordes é um exercício que todo aspirante a compositor fez em algum momento da vida. Principalmente, quando você quer sair um pouco do tonal sem cair no atonal.

Uma boa pedida é um recurso muito interessante  chamado de “Espelhamento”. Fui apresentado a esse recurso nas aulas de composição do Prof. Dr. Eli-Eri Moura. O professor gostava de conceder algumas informações (e exemplos) e deixar que nós experimentássemos a nova ferramenta por nossa conta e risco (já diria o Fleetwood Mac “Go Your Own Way”!). Mas sempre incentivados a ler algum capitulo do livro do Persichetti.

Bom, Esse texto não é uma aula e nem vai substituir um bom livro sobre o assunto. Prefiro pensa-lo como um primeiro passo. Por isso, serei o mais direto possível.

Espelhamento: Ato ou efeito de espelhar, de produzir reflexo como o do espelho. Na escrita esse engenho é chamado escrita especular.

Observemos a palavra Roma:   RomAmoR

Reproduzindo as mesmas letras num sentido contrário (tento a letra A como eixo), surge outra palavra. Claro, para aplicar de forma satisfatória escrita especular teremos que escolher bem a palavra para obtemos um resultado interessante.

Na música (particularmente nos modos) aplicamos - com algumas ressalvas - essa ideia sobre os intervalos na composição do contraponto. No contraponto modal/tonal essas inversões obedecem aos intervalos fixos da escala (claro, as vezes fugimos para dessa máxima para regar variedade ou uma modulação, mas são casos excepcionais). 

Por exemplo, num contraponto modal a duas vozes (voz 1 aguda e voz 2 grave) no modo Dó Jônico, iniciamos com um movimento clássico partido da nota inicial do modo:

- Sentido contrários (voz 1 ascendente e voz 2 decentemente) em grau conjunto.

Esse movimento irá obedecer aos intervalos do modo, nos quais, para alcançar a nota que está próxima ao Dó (I grau) por grau conjunto ascendente (II grau) “caminharemos” uma 2º maior. Já para alcançar a nota que está próxima ao Dó (I grau) por grau conjunto descendente (VII grau) “caminharemos” uma 2º menor. Isso ocorre, pois observamos de forma restrita os intervalos que compõem o modo Jônico.





Libertai-vos das amarras!!!

Ok, “vou chutar o balde”! Nada de seguir modelos de escalas para distribuir os intervalos numa inversão. Vou ser "curto e grosso" inverter os intervalos com as distâncias fixas se tenho uma 2º maior ascendente a inversão será uma 2º maior descendente. E vamos ver no que dá!!





Quando aplicamos esse raciocínio aos modos gregos, surge algo curioso! 

A inversão espelhada dos intervalos gera outros modos sobre a mesma nota inicial.

Pois, por apresentarem assimetrias na distribuição de seus intervalos, quando invertidos formam estruturas diferentes. 

Claro, como toda regra tem uma exceção o único modo com o qual não ocorre esse fenômeno é o Dórico (modo com intervalos simétricos). 

O modo Jônico, por exemplo, quando invertido de forma espelhada produz os intervalos do modo Frígio.




Dentro do contexto tonal, o que era Dó maior se tornou Láb Maior. Numa mera mudança de direção dos intervalos migramos para outro contexto tonal.

O mesmo ocorre com o Mixolídio que se transforma no Eólio (no exemplo, Dó Mixolídio em Fá Maior migra para Dó Eólio em Mib).  




Já o modo lídio quando escrito de forma especular se torna o Lócrio (no exemplo, Dó Lídio em Sol Maior migra para Dó Lócrio em Sib).  




Como falamos acima, a escrita especular não produz efeito de transformação sobre o Dórico, isso graças à simetria doa intervalos desse modo. Assim, mesmo escrito de forma especular o modo Dórico mantém a mesma ordem de intervalos.






No campo da produção de acordes a Escrita Espelhada (ou especular) pode nos auxiliar na geração de opções para acordes substitutos para harmonização. Por exemplo, vamos pensar numa aplicação básica com acordes formados por tríades.
  



Por exemplo, para harmonizar a nota dó (tonalidade de Dó maior) posso usar o acorde de Dó Maior (acorde que tem a nota dó como fundamental). Aplicando espelhamento posso gerar outra opção para harmonização (Fá menor empréstimo modal sobre o IV grau). 

Básico! 

Agora ampliando esse conceito para todas tríades que contém a nota dó na tonalidade de Dó maior. Utilizando a nota dó como eixo para inversões.Ou seja, a nota fica fixa e invertemos os intervalos ao seu redor. 




Na Escrita Espelhada em alguns casos a função dos graus e o modo dos acordes irá ser modificar.

Por exemplo: Tríade de Dó maior.

Escrita Espelhada: Dó (F) – Mi (III) – Sol (V) à Dó (V) – Láb (bIII) – Fá (F).

Expandindo minhas possibilidades!

Aplicando sobre o campo harmônico de Dó Maior a coisa toda vai ficando interessante! 

Voilá! Temos um campo harmônico ampliado à lá Bartok!  


Notem que muitos acordes resultantes são sobre as 4º ou 5º da fundamental do acorde inicial com o modo invertido (acorde maior que se torna menor), outros estão uma segunda menor acima ou abaixo da fundamental do acorde inicial.

Uma forma simples de estudo da aplicação tanto dos modos quanto dos campos harmônicos ampliados está no exemplo abaixo.





Partindo de uma melodia simples no modo Jônico utilizo o eixo (a nota dó) como ponto de partida para transformação do modo, gerando assim, tanto um novo material melódico quando um novo contexto tonal. Onde poderei explorar possibilidades harmônicas.



Toda essa brincadeira só com as tríades simples!

A coisa toda vai ficando mais “divertida” a medida que você passar aplicar a ideia de escrita especular sobre acordes com mais intervalos. 

Por exemplo, acordes com sétima, logo na primeira operação de escrita espelhada resulta num acorde que no contexto tonal está “distante” do acorde inicial (alguém vai perguntar, onde está a tabela com essas inversões? Bom, essa tabela eu deixo para vocês!).



Harmonia negativa

Bom, ultimamente se tem falado muito sobre o assunto, admito nunca ter dado muita atenção à matéria. Também admito que não li o livro do compositor e professor suíço Ernst Levy. Meu contato com as ideias de Levy, possivelmente (se não me falha a memória), foi através de alguma roda de discussão entre os colegas de faculdade. 

Aqui vou transcrever as anotações da época. O método visa ser uma alternativa a harmonia tonal ou uma expansão das suas possibilidades. Bem aplicado, ele produz um "arsenal" de acordes substitutos e alternativas modais.

Diferente da “escrita espelhada” que se baseia na simples inversão rígida dos intervalos de uma escala ou acorde, a chamada “harmonia negativa” (nomezinho mais feio!) tem como ponto de partida a teoria dos números positivos e negativos.



Os números se apresentam em posições rigidamente simétricas em relação a sua origem (ou eixo). Cada número positivo tem sua contraparte negativa. Tanto o número positivo X quanto o número negativo X estão localizados a uma distância idêntica em relação ao eixo, porém, em sentido contrário.

Partindo dessa ideia Levy elaborou a seguinte aplicação. Partido do circulo das quintas, ele estabeleceu que o intervalo de 5º justa seria “polos” localizados em sentidos extremos (positivo/negativo), em seguinte descrever um “eixo” entre esses extremos.

O “polo positivo” está no sentido horário e o “polo negativo” no sentido anti-horário. Nesse texto vou usar como polos Dó e Sol. Mas quaisquer relações do Circulo das Quintas podem gerar polos Ré/Lá, Fá/Dó, Mi/Si, Láb/Mib. Notem que sempre há uma relação entre a primeira nota do circulo e a nota em posição de dominante (vizinha imediata no sento horário).
    

Para descrever esse “eixo” o autor recorre às notas cromáticas entre os dois “polos”. Instituindo o eixo nas duas notas localizadas no “meio do caminho” entre os polos. A partir daí, ele “completa” os polos com as notas que “sobraram”, claro sem repetir nenhuma, para garantir a diferença entre cada polo. 



Você pode está se perguntando: Qual o motivo que levou o autor a usar o intervalo de 5º justa para instituir os polos (e depois “completa-los”)?

Admito não recordar dos princípios usados pelo autor para defender sua escolha. Na minha humilde opinião, acredito que o uso desse sistema se justifica por mera facilidade de assimilação, visualização e organização. Afinal o Circulo das Quintas é um principio amplamente conhecido da linguagem musical entre os músicos (uma obrigação, eu diria!).   

A aplicação na construção de acordes é muito parecida com a utilizada na escrita espelhada. Entretanto, ao invés, de utilizar a inversão dos intervalos utilizaremos uma “tabela de eixos” (Não é o termo correto! Se alguém souber coloque nos comentários).  





Com a tabela, cada nota do acorde que está no Polo Positivo serão substituídas por sua contraparte do Polo Negativo. Como na teoria dos números positivos/negativos, as notas apresentam uma distância rigidamente simétrica em relação ao eixo.


Diferente do processo de “escrita espelhada” nós não iremos tomar uma nota como eixo e inverteremos os intervalos. Na Harmonia Negativa (volto a perguntar: Não tinha uma nomezinho melhor?) aplicaremos a tabela que apresenta na qual cada nota de um polo tem contrapartes polo inverso. 

Um universo de possibilidades!


A Harmonia Negativa gera outro grupo de possibilidades para além daquelas que encontramos na Escrita Espelhada.

Além disso, o número de possibilidades possíveis é muito maior!

Posso fazer o convencional, aplicar a tabela entre os polos Dó (negativo) e Sol (positivo) sobre o campo harmônico de Sol Maior.




Como também posso aplicar a mesma tabela sobre o campo harmônico de Dó Maior (campo harmônico sobre o Polo Negativo).





Posso tornar Dó um “Polo Positivo” e gerar outro Eixo tendo Fá como “Polo Negativo”. E criar outra série de campos harmônicos (Esses também deixo para vocês!).



Resultando em dois Eixos!



Posso misturar as ideias da Escrita Espelhada com a Harmonia Negativa na geração de escalas!




Criar campos harmônicos substitutos mistos (construção dos modos utilizando as ideias da Harmonia Negativa e formação dos acordes com a Escrita Espelhada)!





Aplicar o espelhamento dos intervalos para gerar outros acordes e campos harmônicos.




Para facilitar e evitar todas essas tabelas eu gosto de pensar a tabela usando graus e suas  inversões por grau por grau. 




O limite é sua imaginação (e bom senso!)

Talvez o mais complicado seja aplicação desses sistemas. É necessário muito experimento (tentativa e erro). 

Lembrem, nem tudo são flores! Algumas coisas irão soar esplêndidas, outras nem tanto e algumas horríveis! 

A dica é experimentar e usar o “ouvidomêtro”  (a melhor ferramenta da música).



Divirtam-se!! Grande Abraço!

Postagem dedicada aos jovens músicos João Pedro Abarno Dias, Mateus Ginger, Murilo Kessler de Azambuja, Guilherme Schüler e Heitor Barbosa.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Como medir o que é boa música? "Medir" a música é igual a entendê-la?

Por Marcello Ferreira Soares Junior

Antes de qualquer não estou tomando partido de nenhum gênero musical!

Está circulando na internet uma (bela) pesquisa de análise de dados (de caráter quantitativo levando em consideração aspectos qualitativos dos acordes como: tamanho dos acordes, raridade, variedade) que analisa as quantidades e variedades de acordes/palavras para gerar uma escala de complexidade nas composições da música popular brasileira de diferentes épocas e gêneros. (link para a pesquisa)

O pesquisador provavelmente nunca teve a intenção de denegrir ou glorificar músico ou gênero X ou Y. Na verdade a pesquisa é um experimento sobre um logaritmo usando como objeto algo de nosso cotidiano.

O que é extremamente válido!

Ps.: Minha dissertação foi algo bem parecido (menos sofisticado que o logaritmo do colega!).

O autor da pesquisa talvez tenha tido a ideia de comparar gêneros musicais para chamar a atenção para seu experimento!

O que também é válido!

E o autor ainda manteve seu afastamento de cientista apresentou todos os dados resultantes sem fazer juízo de valor!

Tanto que a pesquisa indica que uma cantora da atual música pop brasileira tem um coeficiente de complexidade mais elevando que uma das bandas mais importantes da nossa história da música popular.

Os números são frios!!

Apesar da minha "crença" e da minha "preferência" pelo segundo como exemplo de "música de estrutura sofisticada"! Os números do levantamento dizem outra coisa!

Os números não mentem!!


O que eu acredito ser discutível é o fato que muitas pessoas estarem usando esses dados como um cavalo de batalha para justificar o preconceito ou ignorância.

----------------------------------- Intervalo para nota de esclarecimento -----------------------------------

Só uma coisa que eu gostaria de deixar claro!

Tem muita gente por aí produzindo comentários com o seguinte teor: Só se fazia "música boa" até tal época! depois só tem lixo!
E ainda completam: Os culpados são os músicos e compositores que não produzem mais "música boa"!!

Poderíamos reelaborar esse comentário da seguinte forma: O tipo de música que eu gosto, foi "mainstream" (ou já teve mais visibilidade) durante uma época, depois a indústria musical tomou um outro rumo e o mainstream adotou outros gêneros! 

E completar: Eu sempre espero que o mainstream "me mostre" o que consumir! Ao invés de usar os recursos com a internet e os streams para buscar e dar oportunidade para os novos músicos dos gêneros que me agradam. Mas ao invés disso, prefiro me agarrar no passado (nas memorias sentimentais) e o transformo num paraíso musical idílico. 

Ps.: Nenhum gênero da música popular se extingue tão fácil! Alguns tornam-se cult dentro de nichos.
 ----------------------- Fim do intervalo: retornamos a programação normal --------------------------

Para começar, apreciemos ou não, gêneros como Rock, Funk Carioca, Jazz, Sertanejo Pop, Maracatu, Forró de Plástico, são produtos de uma miríade aspectos estéticos, técnicos, sociais, antropológicos, educativos, comerciais e econômicos. Assim, a sonoridade, a forma, a função, a temática do produto musical atual variam infinitamente.

Usar como "cavalo de batalha" uma pesquisa que tem como parâmetro "quantidade de acordes" (a pesquisa é mais complexa e interessante que isso! Só estou sendo rasteiro para dá um efeito dramático ao texto! rsrs) para definir o que é música boa? É no mínimo inocente! Volto a dizer o autor da pesquisa dificilmente quis fazer tal julgamento!

Sobre o aspecto harmônico qualquer melômano sem grandes conhecimentos musicais sabe que determinados gêneros se apoiam com uma certa quantidade e qualidade de acordes (isso também não indica que as essas harmônias tenham algo de genial ou original) e outros não necessitam de tantos acordes (e muitas vezes apresentam soluções harmônicas muito mais interessantes).

A apreciação da música (assim como da arte e da ciência) exige que vários aspectos estéticos de cada gênero devam ser levados em consideração por aqueles que querem construir uma argumentação sobre o assunto. Caso contrário, tudo se transforma em "achismo", "gostismo" e auto (pretensa) afirmação.

Imaginem! Nós fazermos uma "pesquisa" tendo como parâmetro o uso de batidas eletrônicas! Os "gênios" da MPB não passariam de "medíocres" e os (ditos) "medíocres" seriam "gênios".

Por mais que as pessoas torçam o nariz, o conceito de "música boa ou ruim" será julgado, em última instância, por quem consome e se identifica com cada gênero musical.

Além disso, determinados gêneros musicais estão aí porque existe uma indústria que os (re)produzem e os vinculam, além de um público que os consomem.

Deveríamos discutir quais são os aspectos antropológicos que direcionam fruição do individuo para gênero (ou sonoridade) X ou Y. E a partir daí sofisticar a educação musical, social e cultural (Mas até isso tem de ser pensando e estudado para não transforma numa espécie de doutrinação cultural). Você pode medir a música, mas essa medição é apenas uma ferramenta para entende-lá (isso se você precisar medir! kkk)! E não defini-la!
















quinta-feira, 22 de junho de 2017

Tópicos sobre o som e a audição (rascunho de material de aula)

Organizado por Marcello Ferreira Soares Junior

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“Ausência de pálpebras para ouvidos” nos animais. Até hoje, não se tem notícia de uma espécie que possa interromper a audição. “Se você fechar os olhos, para de ver. Mas note que não temos pálpebras nas orelhas. Nenhum animal tem. E por uma boa razão: no ambiente selvagem, é muito perigoso parar de escutar. É um processo essencial para a sobrevivência. Nascemos para escutar” - Gordon Hempton (pesquisador acústico).fonte: http://www.revistaplaneta.com.br/ecologia-acustica/

Esse material é a apenas uma levantemento de tópicos para discussão em sala de aula. Então não irei entrar na parte biologica do funciomamento do aparelho auditivo. Creio que temos bons livros que vão explicar muito melhor do que eu faria. Em todo caso, vou deixar um vídeo de um resumo do Escola Brasil (LINK). 


Uso cotidiano do audição humana? Onde e como.

Localizar:
- Orientar a buscar ou a fuga de uma fonte sonora;
- Avaliar a distância de uma fonte sonora;
- Deduzir a direção fonte de um som.

Qualificar:
- Diferenciar a intensidade e a volume de um som;
- Diferenciar a altura de um som (grave ou agudo);
- Distinguir o timbre de um som;
- Diferenciar a velocidade e a duração de um som.

Comunicar:
- Auxiliar na diferenciação dos sons e nos seus significados concretos e subjetivos;
- Conferir sentidos estéticos e emocionais para determinadas sonoridades;
- Auxiliar na distinção e articulação dos sons usados na comunicação.





O som

Fenômeno físico produzido pela vibração de um objeto. Essa vibração libera energia em um meio que se propaga em forma de onda. 

O campo da Física que estuda o som é chamada de Acústica.

As propriedades do som são:



A altura está relacionada com a frequência do som. Distinguimos os sons mais altos como os de maior frequência (mais agudos) e os mais baixos como os de menor frequência (mais graves). As notas musicais buscam agrupar diferentes frequências sonoras produzidas por um instrumento.

A intensidade está ligada à quantidade de energia transportada pelo som. Desta forma, conforme a intensidade do som dizemos que ele é mais forte (a onda possui maior amplitude) ou mais fraca (a onda possui menor amplitude).

O timbre corresponde ao conjunto de ondas sonoras que formam um som. O timbre permite diferenciar diferentes fontes sonoras, por exemplo, é fácil perceber que o som de uma guitarra e de uma flauta são completamente diferentes. Ele é a identidade de um som!

A duração está ligada à extensão temporal do som. Ela é determinada pela extensão da onda sonora.

Resumo:

Intensidade: Som forte ou fraco.

Duração: tempo de existência do som.

Altura: Som agudo ou grave.

Timbre: formas diferentes de som (identidade dos sons).

O som como fenómeno

O som é um fenómeno que necessecita ser percebido para se concretizar. A apesar da onda existir na natureza e poder "viajar" através de um meio como o ar ou o solo, para se propagar. As frequências de um ouvido para ser tornarem audíveis. O som é uma fenómeno tanto da natureza quando do cerébro que o percebe. 



Campo auditivo

Ouvido humano ficam entre 20 Hz e 20.000Hz (20kHz). A intensidade de uma som é medida em Hertz. Quanto maior for a quantidade de hertz mais agudo é um som e vice-versa para um som grave.

Abaixo de 20Hz temos os infra-sons, produzidos por vibrações da água em grandes reservatórios, batidas do coração, etc.
Acima de 20kHz estão os ultra-sons emitidos por alguns animais e insetos (morcegos, grilos, gafanhotos...), sonares, aparelhos médicos e industriais.

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O campo auditivo varia de acordo com as espécies. Durante a evolução algumas espécies se especializaram em desenvolver campos auditivos com abaragencias mais agudas ou graves. Ou desenvolver forma de utilizar o som como o prinicipal elemento sensivel qualificador ou localizador.
  
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Na música os instrumentos musicais que são as fontes sonoras. Também se desenvolveram de formas diferentes, prestigiando alguns registros de altura e ignorando outros. Entre os que mais se destacam estão aqueles compostos por:

Cordas vibrantes como violão o  piano, as cordas vocais etc.

Tubos sonoros como órgão flauta, clarineta.

Membranas e placas vibrantes tal como o tambor

Hastes vibrantes como o diapasão, triângulo, etc.

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Comportamento do som

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Esses comportamentos, Freud NÃO EXPLICA!



A propagação das ondas sonoras seguem princípios gerais que já vimos anteriormente. Contudo, existem fenômenos que ocorrem em ocasiões excepcionais que mudam o “comportamento” do som: 

Reflexão do som

Refração do som 

Difração do som

Interferência do som 

Efeito Doppler


A reflexão do som ocorre quando uma onda sonora encontra um obstáculo (como uma parede), que ao atingi-lo retorna ao ponto de propagação. Desse acontecimento originam-se dois outros, os quais são chamados de eco e reverberação.

- O eco ocorre quando o som refletido retorna à fonte depois da extinção total do som original. Ocorre em lugares abertos.

- A reverberação acontece quando o som refletido retorna à fonte antes que o som original tenha se extinguido, ou seja, ocorre o reforço do som emitido. Ocorre em lugares fechados.


A refração do som em uma onda acontece quando ela passa de um meio (AR) para outro (ÁGUA) com índice de refração diferente, ocorrendo, dessa forma, a variação da velocidade de propagação da onda. Essa variação ocorre no comprimento de onda, mas nunca na variação da frequência. Ou seja, a velocidade com a qual o som viaja sofre alteração, mas sua frequência (nota) não se altera!

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A difração do som ocorre quando uma onda sonora desvia ou contornar um obstáculo. Quando a onda se propaga e pode sofrer desvios de diversos modos (refrações, de reflexões). Já a difração é quando essa onda “encontra” um atalho para continuar se propagando.

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A interferência do som ocorre quando temos a superposição de duas ou mais ondas em um mesmo ponto. Ou seja, quando duas ondas apresentam a mesma frequência, o mesmo comprimento de onda, mas uma diferença de fase constante, são tocadas ao mesmo tempo. Uma nula a audição clara da outra.

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Interferência destrutiva – ocorre quando as ondas não tem a mesma fase e uma anula  audição da outra.

Interferência construtiva - ocorre quando as ondas apresentam a mesma fase, dessa forma passam a possuir um caráter de reforço, ou seja, há a formação de uma onda maior que as que deram origem.

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Curiosidade: A equalização e distribuição panorâmica (PAN) são processos utilizados numa mixagem de uma música com o objetivo de evitar a interferência destrutiva numa gravação musical. A equalização é um dos processos utilizados para evitar a interferência destrutiva numa gravação musical.

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Equalizador é um aparelho de som empregado para se fazer a equalização das frequências, ou seja, ele “equilibra” as frequências, permitindo que todas se tornem audíveis. Para isso, o equalizador altera a quantidade de “energia” empregada para emitir as frequências (medidas em kHz ou quilohertz) do sinal de áudio.

44450992518115854.jpg Os equalizadores mais comuns usam dez faixas divididas em três regiões: Agudas: Faixa de 16kHz: Agudos super delicados. Faixa de 8 kHz: Agudos comuns. Faixa de 4 kHz: Os agudos estridentes "ardidos". Médios: Faixa de 2 kHz: Médios. Faixa de 1 kHz: Médios. Faixa de 500Hz: Médio-graves. (Mais "ocos"). Faixa de 250Hz: Médio-graves. (Menos "ocos"). Graves: Faixa de 125Hz: Graves normais. Faixa de 64Hz: Sub graves. Faixa de 32Hz: Extremos sub graves.

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Efeito Doppler (ou efeito carro com sirene), por exemplo, Cotidianamente vivenciamos o efeito doppler quando passar por nós um veículo com sirene, a medida que ele se aproxima o som da sirene é mais mais agudo e a medida que o veículo se afasta se afasta, o som sirene se torna mais grave. Esse é um fenômeno característico da propagação de onda.

Utilização do Efeito Doppler: 

- Medir a velocidade de objetos através de ondas que são emitidas por aparelhos como os radares nas estradas. 

- Na astronomia esse fenômeno é utilizado para medir a velocidade relativa das estrelas e outros objetos celestes em relação ao planeta Terra. 

- É utilizado nos exames de ecocardiograma para medir a direção e a velocidade do fluxo sanguíneo ou do tecido cardíaco.


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Um alerta final

Um exposição demasiada a sons com muita intensidade, volume ou altura podem causar danos a audição. Dessa forma tenha cuidado com os ambientes sonoros aos quais você esta exposto.

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Referências

INTRODUÇÃO A FÍSICA E PSICOFÍSICA DA MÚSICA. JUAN G.ROEDERER.

Seis ótimos documentários sobre música que você pode assistir de graça.

Imagem montada no Banana 1.5 Bom, assistir documentários sempre foi uma forma de ler teses sem a chatice, o enchimento de linguiça e as imen...