Organizado por Marcello Ferreira Soares Junior
segunda-feira, 8 de março de 2021
segunda-feira, 3 de agosto de 2020
quarta-feira, 29 de julho de 2020
segunda-feira, 27 de julho de 2020
quinta-feira, 23 de julho de 2020
quarta-feira, 22 de julho de 2020
quarta-feira, 15 de julho de 2020
quarta-feira, 8 de julho de 2020
segunda-feira, 29 de junho de 2020
Escalas heptatônicas: Uma visão geral de estruturação.
Organizado por Marcello Ferreira Soares Junior
Olá amigos,
Bom, aqui quero "passar uma vista" de forma geral sobre a construção das escalas heptatônicas maiores/menores. Não vou trazer nenhuma "sacada" teórica genial, ultra-mega-blaster. Mas apenas compilar informações que possam auxiliar em várias dúvidas relacionadas os aspectos de construção da base dessas escalas que são o fundamento do idioma musical do ocidente.
Inicio
Conceitos norteadores (uma bussola):
1. Escala (do latim scala, significa escada) é uma série de sons que são reunidos e organizados por meio de uma série de intervalos acústicos.
2. Toda escala musical segue algum tipo de organização de intervalos.
3. A maioria das escalas musicais são construídas dentro do âmbito de uma oitava.
4. A escala determina um grande número de aspectos da estrutura musical, desde as notas usadas numa melodia como também é ponto de partida para construção nos acordes (campo harmônico).
5. Na música ocidental temos dois tipos básicos de escalas, as maiores e a menores (a escala menor deriva da maior). Alguns autores chamam essas escalas básicas de “escalas naturais”, pois são as mais básicas e primitivas no estudo de música (ocidental).
6. As escalas maior e menor diferem entre si por causa da organização interna de seus intervalos, mas principalmente, por causa do intervalo acústico entre suas primeiras e a terceiras notas.
7. As escalas também são chamadas de escalas diatônicas. O termo “diatônico” vem do Grego DIATONIKÓS, “relativo a certas escalas musicais”, de DIA, “através”, mais TONOS, “modo de fazer, tom”, podemos traduzir como “através dos sons”. Na teoria musical, a escala diatônica é uma escala composta de sete notas (heptatônica) que segue uma determinada organização de intervalos.
++++++++++++++++++++++++++++++
OBSERVAÇÃO: ALGUMAS INFORMAÇÕES IMPORTANTES COMO:
A. DIVISÃO DA ESCALA POR TETRACORDES;
B. CLASSIFICAÇÃO DOS TETRACORDES;
C. FÓRMULA DE INTERVALOS DA ESCALA MAIOR.
ESTÃO NUMA PUBLICAÇÃO ANTERIOR SOBRE OS MODOS.
++++++++++++++++++++++++++++++
Intervalos acústicos: são distâncias físicas entre dois sons. Eles são medidos utilizando o hertz como grandeza.
Na teoria musical ocidental mediremos a distância usado o intervalo de semitom (ST) como unidade. Dentro da teoria musical temos o semitom como o menor intervalo e a sétima maior intervalo entre dois sons diferentes*. E a oitava como o intervalo entre uma nota e sua repetição em direção ao agudo ou grave.
De forma geral consideramos o semitom o menor intervalo e a oitava o maior intervalo dentro da teoria da música ocidental.
![]() |
| Fig 1 |
(*) Claro que temos textos como de Alois Hába que trata do micro tonalismo e estruturas de outras culturas musicais. Mas vou me deter na "Prática comum tonal" de forma geral).
++++++++++++++
OBSERVAÇÃO: Usaremos nesse texto a contagem usando apenas a unidade semitom (ST) e iremos dispensar o uso do termo tom (T). Essa é uma opção feita por mim em minhas aulas por observar que a contagem dos intervalos usando uma unica unidade de grandeza (semitom) ou invés de duas (semitom e tom) facilita e torna dinâmica a compreensão e a classificação dos intervalos.
Por exemplo: É mais rápido e fácil para o iniciante (e até para o músico experiente) entender que é o intervalo de terça maior:
- É composto por 4 semitons. (aqui temos uma única operação de contagem);
Do que entender que uma terça maior:
- É composta pela soma de dois Tom. (aqui temos que fazer ao menos duas relações para chegar ao mesmo resultado: somar dois semitons para forma um tom e dois a soma desses dois tom).
Agora imaginem a situação para um intervalo como a 6º maior?
Resposta 1: 9º semitons.
Resposta 2: 4 toms + 1 semitom.
Faço o paralelo entre o uso do segundo tipo de resposta com a utilização dos números romanos para somas e multiplicações.
57+43=100
LVII+XLIII=C
Contudo, para um uso ordinal os números romanos são muito mais elegantes e distintivos.
Não quero desqualificar aqui nenhum sistema. Acredito que os dois sistemas são muito uteis em contextos diferentes. Inclusive por que o sistema que usa semitons e tons foi o sistema com o qual eu aprendi e me serviu muito bem por anos. Mas a contagem por unidade tem um paralelo com outras fomas de contagem como a cronológica (segundo/minutos/horas/turnos/dias e etc) ou o ábaco.
+++++++++++++++
Podemos a partir de agora definir as distâncias entre qualquer nota dentro do universo de sons utilizados na música tonal.
Vamos observar a figura a baixo**:
(**) Utilizaremos todos os exemplos inciados com a nota Dó.
Nela estão representadas várias divisões por semitom (ST) dentro de uma "extensão" (tessitura) que vai do Dó central (Dó 3 ou 4 - 261,626 Hz)*** ao Dó uma oitava mais agudo (Dó 4 ou 5). Dentro desta "extensão" temos 12 semitons. Em resumo, uma oitava, ou seja, o maior intervalo é composto por doze semitons (o menor intervalo que serve como unidade de grandeza). Dessas divisão surge a escala cromática.
++++++++++++++++
Aqui temos uma pequena divergência em relação a nomenclatura do Dó central (localizado na linha adicional abaixo da primeira linha da clave de Sol ou na linha adicional acima da clave de Fá). Temos o modelo francês usado no Brasil onde o Dó central é designado como o Dó 3 e o o modelo da Scientific pitch notation utilizada pela American standard pitch notation (ASPN) e international pitch notation (IPN) onde o Dó central é identificado como o Dó 4.
Normalmente, uso o segundo modelo por praticidade quando estudo textos teóricos estrangeiro (principalmente me língua inglesa). Mas vou marcar os dois para fica prático para todos.
++++++++++++++
A escala cromática é uma sequência de notas diferentes organizadas de forma consecutivas que são divididas por intervalos de semitom. Ela é formada dentro do âmbito de uma oitava, ou seja, o intervalos entre a primeira nota e sua repetição deve ter 12 semitons em direção ao agudo ou grave.
Essa escala é composta dentro de uma oitava e é composta por doze semitons é a escala cromática **** (escala de todas as "cores").
![]() |
| Fig 3 |
No ocidente para formarmos qualquer escala tomamos como base as notas da escala cromática.
+++++++++++++++++++
(****) Não vou entrar no percusso histórico e teórico que levaram a formulação dessa escala de sons utilizada em nossa música. Mas sugiro leituras como:
História da Música Ocidental - Donald Grout e Claude Palisca;
Música, Cérebro e Êxtase - Robert Jourdain.
Que tratam desse assunto de forma interessante (e bem melhor do que eu faria..kkk)!!!
+++++++++++++++++++
Dentro da oitava podemos encontra outros onze intervalos menores. Cada um contento um certo número de semitons que os diferenciam.
![]() |
| Fig 4 |
Cada um desses doze intervalos tem um um nomenclatura que o identifica.
Os intervalos são divididos em quatro grupos de acordos com suas Qualidades: Justos, Maiores/Menores, Trítono, Aumentados/Diminutos.
Para cada uma dessas Qualidades há um conjunto de dos intervalos:
Intervalos Justos: que não tem variação na sua estrutura (Número de semitons): Oitava, Quinta e Quarta.
Maiores e menores: Forem variação na sua estrutura (Número de semitons): Segundas, Terças, Sextas e Sétimas.
Trítono: intervalo que divide a oitava ao meio e se encontra entre a Quarta e a Quinta.
Aumentados e Diminutos: Não se encontram "naturalmente" na divisão dos intervalos da escala cromática. Na verdade, esses são intervalos são um "artificio" teórico (artificio dentro do artificio) para designar intervalos que extrapolam as "regras de escrita dos intervalos" em casos excepcionais (que não iremos tratar nessa publicação).
![]() |
| Fig 6 |
Inversão de intervalos
Sobre a inversão de intervalos a definição dada por Med:
Inverter um intervalo consiste em trocar a posição de uma nota, isto é, transportar a nota inferior uma oitava acima ou uma nota superior uma oitava abaixo.(Teoria Musical. Ed. MusiMed Pág. 78)
Pensemos em uma nota como um eixo:
| Fig 7 |
Tendo uma nota como eixo e trocando a posição das notas que gravitam ao seu redor a relação de distância intervalar entre a notas se altera. Dessa forma se altera também a classificação do intervalo. Essa alteração funciona como um espelhamento. *****
Na figura abaixo temos um quadro onde temos as de inversão das qualidades dos intervalos.
![]() |
| Fig 8 |
++++++++++++++
(*****) Sobre os espelhamento segue o artigo anteriormente publicado nesse blog Notas sobre Escrita Espelhada (Intervalos, modos, acordes) e algo sobre Harmonia Negativa.
+++++++++++++++
Na figura 9, temos a relação de inversão da Qualidade dos intervalos.
Grau
Aqui mais uma vez irei usar uma definição baseada naquela usada por Med (Teoria Musical. Ed. MusiMed Pág. 87).
Graus é um conjunto de nomenclatura utilizadas para enumerar as notas de uma escala de acordo com sua posição em relação a nota inicial. Normalmente, usa-se numerais romanos para enumerar os graus:
Exemplo: Primeira nota = I; Segunda nota = II; Terceira nota = III...
As Escalas Maiores e menores.
Praticamente todas as escalas na música ocidental (e muitas orientais) são construídas sobre três intervalos fundamentais:
- Oitava;
- Quarta;
- Quinta.
Fig 10
Por uma série de aspectos teóricos, perceptivos e culturais esses três intervalos são a fundação de diversas escalas em diferentes idiomas musicais (novamente sugiro a leitura do Música, Cérebro e Êxtase - Robert Jourdain).
Construção e estruturação de uma escala
Antes uma digressão
Antes de começarmos o processo de entendimento de construção de uma escala, é necessário fazer uma rápida digressão.
Levando em consideração o item 3 dos Conceitos Norteadores (inicio do texto) Uma escala pode ter no minimo um intervalo****** (a oitava) e no máximo 12 intervalos (semitons).
++++++++++++
(******) O termo tom é usado para se referir a nota como entidade sonora dentro de um contexto musical.
+++++++++++++
A quantidade de intervalos internos pode variar da acordo com a escala utilizada. Temos escalas com diferentes quantidades de intervalos internos dentro de uma oitava:
Pentatônica: 5 tons; Hexatônica: 6 tons; Heptatônica: 7 tons...
Dentro da tradição tonal utilizamos a escala de sete tons diversos (Heptatônica). Aqui trataremos das escala heptatônicas.
Exemplo a escala de Dó maior: Dó - Ré - Mi- Fá - Sol - Lá - Si.
Seguindo em frente: tetracordes
Vamos agora partir para montagem de uma escala maior (heptatônica). Tomaremos como base a escala de Dó maior: Dó - Ré - Mi- Fá - Sol - Lá - Si.
Essa configuração apresentada na figura 10 divide a oitava de forma equidistante a partir do eixo formado pelo quinto e quarto quando os intervalos são invertidos. Nessa divisão utilizamos apenas três notas das doze encontradas na escala cromática. contudo, para monta uma escala escala heptatônica iremos ter que dispor de mais 4 tons.
Vamos chamar cada parte da escala de tetracordes (quatro notas).
Podemos dizer que os tetracordes tem funções claras:
- O primeiro tetracorde define a o tipo de escala (Maior/Menor):
Uma escala é considerada maior quando seu primeiro tetracorde é um tetracorde maior. Ou seja, intervalo entre o I grau da escala e o III seja uma terça maior (4 ST). Ex.: dó - mi.
Uma escala é considerada menor quando seu primeiro tetracorde é um tetracorde menor. Ou seja, intervalo entre a I grau da escala e o III seja uma terça menor (3 ST). Ex.: dó - mib.
- O segundo tetracorde define a "força conclusiva" dessa escala.
A força conclusiva está ligada a sensação gerada pelos intervalos finais do tetracorde. Essa sensação é mais acentuada quando temos um ST entre o sétimo e o oitavo grau da escala (Ex.: si-dó). Mas num sentido mais amplo para nossa percepção tonal dois requisitos concedem uma maior sensação conclusiva ao tetracorde final:
1. Ter entre o V e VIII (I) graus o intervalo de Quinta Justa (7 ST);
2. Ter entre o VII e VIII (I) graus o intervalo de Segunda menor (1 ST).
Em muitos casos apenas o segundo requisito basta.
![]() |
| Fig 11 |
Na figura 11 temos a divisão da escala heptatônica em dois tetracordes:
1. O primeiro tetracorde (as notas dó. ré, mi, fá) parte do primeira grau e segue para o quarto grau da escala.
2. O segundo tetracorde (as notas sol. lá, si, dó) apresenta a quinta nota e segue para a repetição do primeiro grau uma oitava acima da escala.
Os dois tetracordes apresentam internamente o mesmo número de tons (quatro) e intervalos (três). Os dois tetracordes estão separados por um intervalo de 2º maior (dois semitons).
Essa estrutura inicial é uma boa base para geração de escalas tanto "naturais" e "artificiais".
- Agora é aquela hora que tu me pergunta: Como eu completo?
Bem, vai de acordo com o cliente. Mas vamos nos deter primeiro a escala maior.
Vou chamar o conjunto de intervalos que formam a escala de "fórmula". Observando a figura 11 podemos ver que na fórmula da escala maior a divisão dos intervalos é igual dentro dos dois tetracordes.
Para representar as Fórmulas das escalas acredito que o uso do termos termos semitons e tons juntos são aqui ajudam a facilitar a memorização. Pelo fato das grandezas serem aqui apresentadas de forma individualizada.
Vejamos o a Fórmula da escala maior: T T ST (T) T T ST*******
![]() |
| Fig 13 |
A seguir uma variação a escala de Dó maior Harmônica: T T ST (T) ST 3ºm ST
![]() |
| Fig 14 |
++++++++++++++++
(*******) Existe todo um processo histórico e estético que culminou na escolha dos intervalos que complementam a estrutura dos tetracordes de uma escala. Contudo, não pretendo discutir ou apresentar todo esse processo. Mais um vez sugiro as leituras História da Música Ocidental - Donald Grout e Claude Palisca; Música, Cérebro e Êxtase - Robert Jourdain.
++++++++++++++
Em resumo as fórmulas das escalas maiores:
![]() |
| fig 15 |
Claro não existem regras pétreas! Você pode experimentar e buscar as sonoridades que reflitam sua ideia sonora. Afinal diferentes culturas lançam mão de diferentes idiomas que se adequam a sua expressão particular. Vejam que as escalas Húngara e Cigana "ferem" princípios estabelecidos anteriormente. (figura 16)
![]() |
| Fig 16 |
Os mesmos princípios das escalas maiores também serve para as escalas menores guardo as devidas particularidades.
![]() |
| Fig 17. |
Existe uma falsa ideia de supremacia de uma determinada escala para outras. Acredito que na verdade as escalas se prestam para diferentes finalidades expressivas. Dessa forma, uma música não será melhor ou mais complexa por usa determinada escala exótica ou artificial que outra que utiliza a boa e velha escala maior.
Na próxima publicação vou trazer os mesmos aspectos transplantados paras as escalas Pentatômicas e Hexatônicas.
Bom, então divirtam-se experimentando!
Referências
Bennett, Roy. Como Ler Uma Partitura. Ed Zahar - 2001
Bennett, Roy. Elementos Básicos da Música. Ed Zahar - 2001
Day, Holly / Pilhofer, Michael. Teoria Musical Para Leigos. Alta Books - 2013
Jourdian, Robert. Música, Cérebro e Êxtase. Objetiva - 1998.
Grout, Donald. Palisca, Claude. História da Música Ocidental. Gravita
Lacerda, Osvaldo. Compêndio De Teoria Elementar Da Música. Ricordi - 2006
Med. Bohumil - Teoria Musical (edição ampliada). MusiMed - 2012
Sadie,Stanley - Dicionário Grove de Música (edição concisa). Ed. Zahar - 2001
Slonimsky, Nicolas. Thesuarus of Scales and Melodic Patterns. Anmsco Publications - 1975
Minhas anotações de estudo.
quarta-feira, 25 de março de 2020
Tópicos de teoria musical: textura.
Por Marcello Ferreira Soares Junior
O conceito de textura em música
(em linhas gerais) é a forma na qual os elementos melódicos (solo, dobras, contraponto),
rítmicos (polirrítmica) e harmônicos (Acordes, ostinatos, baixo de Alberti) são
combinados em um trecho ou ao longo de uma composição musical.
Podemos dize que a textura musical pode dentro de uma obra: demarca diferentes seções dentro da forma musical; cumpri funções estruturais e/ou sugerir impressões extra-musicais ao ouvinte.
Exemplos:
➤ A textura como demarcador
entre diferentes seções de uma peça.
![]() |
| Fig. 1 - Mussorgsky - Gnomus de Quadros de Uma Exposição. |
➤ A textura com características
densas ou rarefeitas tem efeitos estéticos diversos.
![]() |
| Fig. 2 - Debussy - Nuages |
A sensação de leveza etérea de Nuages de Debussy.
![]() |
| Fig. 3 - Wagner - Cavalgada Das Valquírias abertura II ato. |
A força épica da Cavalgadas das Valquírias de Wagner.
➤ A textura também pode servir para
descrever aspectos como densidade e extensão da tessitura.
![]() |
| Fig. 4. Holst - Suíte Os Planetas (Jupiter). |
Observamos no trecho extraído da Suíte Planetas de Holst uma passagem onde um trecho de textura densa (um quase total Tutti da orquestra) e de tessitura (agudo ao grave) muito ampla transita em direção de outro trecho de densidade e tessitura reduzida.
As texturas podem apresentar diversas características:
Podem ser ágeis e cheias de movimento (fig. 5a) ou quase estáticos (fig. 5b) e completamente estáticos (fig. 5c) como podemos ver nos exemplos abaixo:
![]() |
| Fig. 5a - Holst - Suíte Os Planetas (Mércurio) |
![]() |
| Fig. 5b - H. Brian - Sinfonia nº. 1 (Gótica) |
![]() |
| Fig. 5c - Debussy - Jeux de Vagues |
É muito comum a utilização diversos termos para descrever a textura. Muitas vezes alguns certeiros e outros muito vagos. Diversos autores em livros de analise ou orquestração fazem uso de um repertório imenso de termos para analisar as texturas. Dessa forma é sempre bom não entrar em pânico quando um determinado autor usa um termo diferente para designar algo que você utiliza outro. Como muita coisa dentro da teoria musical não temos termos universais.
Tipos de textura
Podemos apresentar quatro tipos
mais comuns de texturas musicais:
➤ Monofônica: é a mais simples e
consiste numa única linha melodia. Em alguns casos essa linha melodia pode ser
dobrada num intervalo de oitava. Muito comum na música sacra medieval e em
algumas manifestações folclóricas.
![]() |
| Fig. 6 - Veni Creator Spiritus |
➤ Polifonia: consiste em duas ou mais linhas melódicas independentes que estão inter-relacionadas por aspectos harmônicos e intervalares. Essas linhas podem ser similares ou contrastantes. Esse tipo de textura é comum nas peças polifônicas de um extenso período que vai dos compositores da Escola de Notre Dame até J.S.Bach e contemporâneos. Temos nessa categoria: o contraponto entre vozes (fig. 7); a imitação (fig. 8) e a fuga (fig. 9).
![]() |
| Fig. 7 - Palestrina - Missa Papa Marcellus |
![]() |
| Fig. 8 - Josquin Desprez - Absalom, Fili MI. |
![]() |
| Fig. 9 - J. S. Bach - Fuga em Sol menor BWV 578 |
Homofonia: consiste em uma melodia acompanhada por algum apoio
harmônico. Esse é o tipo de textura mais comum na música do período clássico
até os dias atuais.
O acompanhamento pode ser utilizado de forma similar por toda a
peça ou variar. Em alguns casos diferentes formas de acompanhamento podem ser
sobre postos.
Homorritmo: Quando todas a vozes apresentam a mesma distribuição
rítmica. Esse tipo de textura também é conhecido como: Estilo coral; Homofônica
de acordes; textura cordal.
![]() |
| Fig. - Mozart -Sonata nº. 1 para Piano K279. |
![]() |
| Fig. - Mozart - Concerto para Violino K216. |
![]() |
| Fig. - F. Schubert - Ständchen |
![]() |
| Fig. - Wagner - Idílio para Siegfried |
➤ Homorritmica: quando todas as vozes apresentam a mesma distribuição rítmica. Esse tipo de textura também é chamado de estilo hino, homofonia de de acordes, textura cordal. è importante lembrar que muito dificilmente encontraremos uma obra que seja construída especificamente sobre esse tipo de textura.
![]() |
| Fig. - Debussy - Nuages |
Bem, pessoal o estudo focado na textura (assim como no timbre) é algo relativamente recente (tens uns 50 anos..rsrs). Para se ter uma ideia poucos livros de teoria musical (ao menos em língua publicados no Brasil) apresentam um enfoque mais profundo nessa matéria (se vocês conhecem algum! Por favor, indiquem!). Esse tema é mais comum em livros sobre orquestração ou de analise assuntos ou obras especificas.
Como sempre digo o texto acima é só uma mera introdução e um recorte desse imenso campo do estudo da música.
Divirtam-se!
Até a próxima.
Referências:
Bruce Benward, Marilyn Saker - Music in Theory and Practice 8th Edition.
Cope David -Techniques of the Contemporary Composer.
Harvard Dictionary of Music.
Imogen Holst - ABC da Música.
Roy Bennet - Elementos Básicos da Música
Samuel Adler - The Study of Orchestration.
Walter Piston - Orchestration.
Minha dissertação de mestrado.
(Ps: não estou nem ferrando para ABNT!)
domingo, 22 de março de 2020
Métrica: Inícios e terminações de frases.
Organizado por Marcello Ferreira Soares Junior
Nessa última postagem da série sobre métrica e fraseologia irei abordar as estruturas de inicio e termino de frases musicais pela perspectiva das estruturas métricas.
Esse post será direto sem muitas analises. Apenas irei apresentar os conceitos e exemplos.
Inícios
Podemos ter dois tipos de início de frases:
A. Tético: Inicia na parte forte do primeiro tempo de um compasso.
B. Anacruse: A frase inicia na parte fraca de um compasso. Ou como diria Med:
“As notas iniciais precedem o início do compasso” (MED pág. 147).
![]() |
| figura 1 |
Também são considerados ocorrência de anacruse nos seguintes casos:
1 → Notas que precedem uma mudança de compasso.
![]() |
| figura 2 |
→ Mudança de tonalidade.
![]() |
| figura 3 |
→ Mudança de andamento.
![]() |
| figura 4 |
C. Acéfala: Quando a parte forte do primeiro tempo apresenta uma pausa.
![]() |
| figura 5 |
Bohomil Med faz uma classificação dos tipos de inícios de
frases baseado na duração das figuras dentro dos compassos.
![]() |
| figura 6 |
Anacruse: “Quando as
durações das figuras abrangem menos da metade de um compasso simples [binário
ou quaternário] e menos de 2/3 de um compasso ternário ou qualquer compasso
composto”.
![]() |
| figura 7 |
Acéfalo: “Quando as durações
das figuras abrangem mais da metade de um compasso simples [binário ou
quaternário] e mais de 2/3 de um compasso ternário ou qualquer compasso
composto”. (Med pág. 149)
![]() |
| figura 8 |
Terminações
Podemos ter dois tipos de terminações de frases:
Masculina ou truncada: Quando a frase termina no tempo forte
de um compasso.
![]() |
| figura 9 |
Feminina ou plana: Quando a frase termina no tempo fraco de
um compasso.
![]() |
| figura 10 |
Vamos dá uma olhada no exemplo abaixo. Nele temos as primeiras frases do coral Schmücke dich, o Liebe Seele.
![]() |
| figura 11 - Schmücke dich, o Liebe Seele. |
Temos bem claras as ocorrências de inícios tético (primeiro compasso) e uma terminação masculina ou truncada e um início anacruse e uma terminação feminina ou plana.
![]() |
| Figura 12 - Herzlich tut mich verlangen. |
![]() |
| Figuras 13 - Nun komm, der Heiden Heiland. |
Na figura 13, temos a primeira frase do coral Nun komm, der Heiden Heiland onde temos um início tético e uma terminação feminina.
Podemos várias sem ficar presos a padrões. Contudo é importante colocar que cada gênero ou estilo musical irá ter seus padrões dominantes. Por exemplo, nos corais a quatro vozes harmonizados por J. S. Bach teremos uma grande ocorrências de frases que se iniciadas téticas irão ter terminações masculinas ou truncadas e frases iniciadas de forma anacruse irão apresentar terminações femininas ou planas.
Bom, espero que seja uma boa introdução aos conceitos apresentados. Sugiro sempre a busca de bons livros de teoria e fraseologia.
Para esse texto utilizei como referência:
Teoria Musical - Bohomil Med
Fraseologia Musical - Esther Scliar
Curso de Formas Musicales - Jorquin Zamacois
Teoria Musical - Bohomil Med
Fraseologia Musical - Esther Scliar
Curso de Formas Musicales - Jorquin Zamacois
Assinar:
Postagens (Atom)
Seis ótimos documentários sobre música que você pode assistir de graça.
Imagem montada no Banana 1.5 Bom, assistir documentários sempre foi uma forma de ler teses sem a chatice, o enchimento de linguiça e as imen...
-
Por Marcello Ferreira Soares Jr Harmonia Modal A harmonia modal permite tanto uma música de movimentos esparsos, incertos e etéreos (Jazz, M...
-
Organizado por Marcello Ferreira Soares Junior A Europa – e por extensão, o Ocidente – moderna nasce no século XI, este período entre os a...













































