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domingo, 12 de julho de 2026

A música é igual a um relógio de pulso - Parte 3: Durações

 Agora tirar algumas camadas do campo das Durações. Nos deteremos as definições de conceitos básicos de divisão e escrita das durações.


Definições:

Material de Pesquisa: Ritmo e Métrica (O Fator Temporal)


1. Ritmo, Pulsação e Metro 


Conceito de Ritmo: Derivado do grego rhythmos (que significa fluxo ou continuidade de movimento), o ritmo é um termo guarda-chuva utilizado que abrange todos os elementos relacionados à duração na música. A música é concebida, percebida e vivenciada dentro do fluxo de eventos no tempo, podemos dividir esses elementos em segmentos temporais micro (pequeno), meso (médio) e macro (grande). O termo ritmo também é aplicado para designar as divisões do metro na execução musical.


A Pulsação: É o batimento regular e recorrente que determina uma referência de velocidade para os eventos relacionados a duração dentro uma obra musical. Desenvolver a percepção rítmica permite ao músico acompanhar o movimento musical e manter-se na velocidade designada (andamento/tempo), independentemente das variações e transformações simples ou complexidades das durações impostas às alturas.

Metro

O metro descreve pulsações regularmente recorrentes de igual duração, geralmente agrupadas em padrões de dois, três, quatro ou mais, com uma das pulsações de cada grupo acentuada. Esses padrões de pulsos fortes (>) e fracos são chamados de tempos (beats).



O metro binário (dois tempos) e o metro ternário (três tempos) são os dois metros fundamentais. Todos os outros metros resultam de alguma combinação desses dois.


Atuando em junto com o metro, o ritmo é um conjunto padrão de durações iguais ou desiguais. Enquanto os tempos regulares do metro se combinam para formar compassos, um ritmo pode assumir quase qualquer extensão.


Exemplo: O metro estabelece uma base regular de pulsos, enquanto o ritmo cria padrões variados sobre essa base — como a diferença entre o tique-taque constante de um relógio (metro) e a melodia de uma música (ritmo).


2. Métrica e Fórmulas de Compasso


Figuras rítmicas: ícones gráficos utilizados para representar um certo tempo de duração. 




Dentro do contexto da divisão simples de compassos, cada figura tem um tempo de duração e é representada tanto por seu design quanto por um número.


Figura

Duração

Número

Semibreve

4 batidas

1

Mínima

2 batidas

2

Semínima

1 batida

4

colcheia

½ batida

8

semicolcheia

¼ batida

16



Métrica: É um padrão repetitivo que combina batidas acentuadas (fortes) e não acentuadas (fracas). está relacionado ao metro.  A música organiza esses grupos de pulsações em unidades específicas chamadas compassos, que são separados graficamente por barras de compasso. (Mais informações sobre métrica veja o LINK)



Fórmula de Compasso: Consiste em dois números dispostos verticalmente colocados no início da música ou onde quer que haja mudança métrica.


Número Superior: Em sua interpretação literal, representa a quantidade de tempos/batidas dentro do compasso.


Número Inferior: Determina a figura geométrica (nota) que receberá um tempo (a unidade de tempo).


Exemplo: No compasso 4/4 cada compasso tem 4 tempos que são representados pela figura de um semínima (4) para cada batida.


3. Agrupamentos e Sinais de Prolongamento


Bandeiramento/Ligação: Substitui as bandeirolas (colchetes) de notas isoladas por barras horizontais (linhas de ligação) quando agrupadas. Esse método serve para facilitar a leitura e respeitar as práticas de notação rítmica de cada métrica.



Ponto de Aumento: Um ponto colocado após a nota ou pausa aumenta o seu valor de duração em metade do seu valor original. Pontos duplos adicionam metade do valor do primeiro ponto  (Ex: um semínima pontuada vale 3 batidas, ela representa a soma de uma mínima vale 2 batidas, a semínima 1 batida pontuada) . Raramente usam-se mais do que dois pontos.



Ligadura de Valor: Linha curva que conecta duas notas da mesma altura, somando suas durações em um único som contínuo. É indispensável para estender notas através das barras de compasso.


4. Classificação dos Compassos (Simples, Composto e Assimétrico)


Historicamente, até século XVI, o compasso ternário era considerado a única métrica natural (representando a Santíssima Trindade), chamado de tempus perfectum (sinalizado pelo círculo "O"). Outras métricas usavam o círculo quebrado "C", que evoluiu para o símbolo de Common Time e o "C" cortado para o compasso Alla Breve 


Modernamente, as fórmulas de compasso dividem-se em:


Compasso Simples: É aquele em que a pulsação básica é dividida naturalmente em duas partes iguais. Ex.: 2/4, 3/4 e 4/4 onde cada batida do tempo é representada por uma semínima. Na escrita os números da parte superior por padrão são 2 (binário), 3 (ternário) e 4 (quaternário) e o inferior sempre 4 (semínima).


Compasso Composto: É aquele em que a batida principal é dividida em três partes iguais, aqui uma figura rítmica pontuada representa a unidade de tempo. Atua em dois níveis: por exemplo, o compasso 6/8 há teoricamente 6 batidas de colcheia por compasso , mas em andamentos rápidos elas se agrupam de três em três, transformando o compasso em um "binário composto" onde a pulsação é a semínima pontuada. Os números superiores são 6 (binário), 9 (ternário) e 12 (quaternário).



Compasso Assimétrico: Métricas cujos compassos não podem ser divididos em frações ou agrupamentos iguais. Eles formam subgrupos desiguais de dois, três ou quatro tempos. Os compassos assimétricos podem ser simples ou compostos Ex:5/4, 7/4, 5/8, 7/8.



5. Divisões Proporcionais Alteradas 


Quiálteras: Alteram a subdivisão convencional dos compassos. As mais comuns são as tercinas e duplinas. 


Tercinas: Ocorre quando um tempo de divisão binária (simples) é temporariamente dividido em três partes iguais. A tercina é um grupo de três notas que possui a mesma duração que normalmente teriam duas notas daquela mesma figura. (Ex: três colcheias em tercina ocupam o espaço de duas colcheias normais, equivalente a 1 tempo completo) .


Duplinas: Mais comuns em compassos compostos (com o número 8 na base), ocorrem quando se força uma divisão de duas partes iguais sobre um espaço que originalmente comportaria três batidas.



Também é comum o uso de quiálteras para alterar conjuntos de semicolcheias que nos compassos simples apresentam de 4 semicolcheias passam a apresentar 5 semicolcheias.


6. Conceitos Avançados de Performance


Interpretação: Envolve a aplicação de nuances estilísticas do gênero e a visão artística individual do regente ou executor. Expressões como staccato (curto/destacado) ou indicações de dinâmica como mf (mezzo forte) não são absolutas ou medidas em decibéis; elas são aproximações artísticas dependentes do contexto, andamento e estilo.


Outros conceitos importantes já foram examinados em postagens anteriores como:

Contratempo e Síncope LINK

Fraseologia LINK

Textura LINK


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sábado, 25 de janeiro de 2020

Contratempo

                                                                                                        Organizado por Marcello Ferreira Soares Junior


Vamos continuar nossa série sobre tópicos básicos da teoria musical. Nosso foco está na compreensão das estruturas rítmicas básicas como é apresentada da literatura.

O entendimento do conceito de contratempo é muitas vezes ignorado por muitos (mas muitos mesmo!) músicos. Existe uma imensa confusão sobre o tópico! Ao ponto de muitas vezes o conceito de contratempo ser confundido com a sincope! Assim, vamos tentar esclarecer essa confusão nesse rapidíssimo artigo.


CONCEITO DE CONTRATEMPO


A Síncope ocorre quando a duração de um tempo fraco ou de uma parte fraca de um tempo se prolonga sobre um tempo forte ou a parte forte de um tempo seguinte.

O Contratempo é o deslocamento do acento métrico para uma parte fraca do tempo ou para um tempo fraco dentro de um compasso. (LACERDA pág. 39)

Ele ocorre quando:

1. Há omissão das figuras rítmicas nas partes fortes de um tempo ou nos tempos fortes de um compasso. (MED pág. 46)

Ex. Temos pausas nos tempos fortes de uma compasso.

2. Deslocamos os acento métrico de uma figura rítmica. Para sinalizar utilizasse o sinal (>).

Observemos os dois casos na figura 1 e 2.

Figura 1

Figura 2


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Observação: Usa-se, em casos raros, a sigla (sfz) do termo sforzando para demarcar um deslocamento no acento.
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LACERDA (pág. 38 tópico 73) chama a atenção para os contratempos "sinalizados" através das ligaduras de expressão. (figura 3)

Figura 3

  •  "A nota de onde parte a linha curva recebe, então, mas acento que a seguinte" - (LACERDA pág. 38 tópico 73).

TIPOS DE CONTRATEMPO

Contratempo regular: É aquele onde a figura que recebe o acento e a figura que perde o acento e/ou pausa tem a mesma duração. (figura 1) (MED pág. 147)

Contratempo irregular: É aquele onde a figura que recebe o acento e a figura que perde o acento e/ou pausa apresentam durações diferentes.(figura 4).

Figura 4

Observamos na figura 4 que as figuras rítmicas acentuadas (>) apresentam durações diversas das pausas ou figuras que se apresentam nas partes fortes de uma tempo ou de um compasso.

Bom, esse tópico foi rápido e direto! Continuaremos com a analise das configurações rítmicas que iniciam e concluem temas e frases musicais. 

Divirtam-se (Ou Não!)

Teoria Musical - Bohomil Med (4º edição);
Compêndio de teoria elementar da música - Osvaldo Lacerda;
Fraseologia Musical - Esther Scliar;
Elementos básicos da música - Roy Bennet.

Seis ótimos documentários sobre música que você pode assistir de graça.

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