A música e o som no filme: Introdução básica.

Bom, esse é outro material “resgatado” de backup que eu utilizava em aulas para o EM, assim é um apanhado rápido de conceitos do som dentro no ambiente de produções audiovisuais e em especial o cinema. Esse é um material bem simples. Mas como disse é um material introdutório. 🙏Se esse texto foi útil para você, ou simplesmente, você vai copiar e usar sem fazer referência, ao menos dê um apoio ao blog LINK 😂


E surge o som!


A música tem uma ligação ao cinema desde seu nascimento com os irmãos Lumiére. Inicialmente todos os filmes eram “mudos”, ou seja, não tinham elementos sonoros. A música era tocada ao vivo durante a sessão, a música auxiliava nos sentimentos expressados e na sensação de movimento ao filme. Interessante observar que as primeiras salas de cinema eram na verdade teatros com estrutura adaptada, assim, sempre havia um piano ou órgão (ou em teatros maiores, orquestras). O que se tocava? Trechos de peças conhecidas. Existiam catálogos de trechos musicais para serem tocados de acordo com o tipo de cena exibida.


 


O primeiro filme sonoro a ser lançado foi O Cantor de Jazz (1927) dirigido por Alan Crosland, estrelado por Al Jolson, e coestrelado por May McAvoy e Warner Oland. A curiosidade sobre o som desse filme é o fato que o áudio era gravado em disco acetato, assim era necessário “tocar” o disco na vitrola ou sistema de som enquanto se “rodava” o filme. 



O termo trilha sonora (ou soundtrack)


Quando pensamos em trilha sonora (do inglês soundtrack) entendemos que esse termo se refere apenas a música contida em um filme. Porém, tecnicamente, o termo designa todos os elementos sonoros presentes em um filme (diálogos, efeitos, sound design e música).


O soundtrack está presente em diferentes tipos de produções e mídias: games, teatro, publicidade e etc.


A música e o filme


Para se referir a música composta especificamente para um filme temos um termo específico em inglês: Score. Em português utilizamos o termo música original do filme ou música original (ou banda sonora em Portugal).


A música dentro do filme exerce diversos papeis e funções. O especialista Alex North define o papel da música no cinema como:


Ir ao encontro das demandas e necessidades do conflito da história e da inter-relação dos personagens envolvidos, e se possível, adicionar um comentário pessoal.” 


A música inserida em um filme ajuda a potencializar os contextos da trama, intensificar entendimento das sequências e caracterizar a identidade, a psicologia e as emoções dos personagens. A música também pode caracterizar o cenário onde ocorre a ação de forma temporal e geográfica. Ela também pode ser usada para causar contrassenso e ironia. 


Não há um gênero específico para composição de uma música original para um filme. Contudo, existem alguns padrões e clichês. Por exemplo, filmes épicos e de fantasia utilizam a linguagem orquestral. Um marco desse estilo foi a trilha sonora composta por Basil Poledouris para o filme Conan, O Bárbaro (1982) (Senhor dos Aneis, O Hobbit, Harry Potter, Maze Runner).



Em muitos casos a música caracteriza o ambiente onde ocorre a ação do filme tanto temporal quanto geograficamente. Por exemplo: em um filme sobre gângsteres nos anos 30, provavelmente, teremos temas de jazz swing. Já num filme sobre gangues da Califórnia nos anos 90 teremos temas de RAP. 


A música também pode ser uma marcador da estética visual do filme. Como o uso de música eletrônica ou Synthwave em filmes de ficção ou cenários cyberpunk ou synthnoir. 


 



Existem formas mistas ou inesperadas como a trilha sonora do filme Flash Gordon (1980) composta na íntegra pelo banda inglesa Queen ou coletâneas de canções como a trilha sonora de Pulp Fiction (1994). 



A trilha sonora pode ser (a grosso modo) dividida em três categorias:


Música Original - Quando a música é composta para o filme tendo o roteiro do filme como inspiração direta. Normalmente é instrumental.


Canção Original - São canções muitas vezes que também são compostas com inspiração no roteiro.


Música Adaptada - Quando uma obra que já existe é utilizada dentro de um filme ou sequência do filme. Concedendo ou redefinindo seu significado original. Exemplo: o poema sinfônico Assim falou Zaratustra, de Richard Strauss usado no filme 2001 - Uma Odisseia no Espaço. E a trilha do filme Pulp Fiction.


Música original ou adaptada: Todos conjunto de músicas presentes dentro do filme.


Sound Design 


É a criação, manipulação e organização dos elementos sonoros (rugido do t-rex, som dos veículos e etc). Das várias técnicas usadas a mais conhecida é o foley, criada pelo técnico Jack Foley, que gravava o sons dos passos para reforçar a ambiência da cena. (Criação de efeitos sonoros vídeo)


Efeitos Sonoros (Sound Effect): é um dos aspectos do sound design. Os efeitos sonoros são todos os sons criados para com o objetivo de destacar movimentos, valorizar sensações e enriquecer a linguagem visual.


Ambiência (Background): São os sons constantes e não sincronizados que dão a sensação de ambiente para uma cena. Exemplo: Sons de uma rua movimentada, interior de uma fábrica. As ambiências podem ser reais e artificiais, um exemplo de ambiências artificiais, são as ambiências criadas para o interior das naves espaciais em filmes de ficção científica e fantasia. 


Diálogos: Na história do cinema os diálogos têm um papel essencial para as obras. Os diálogos são captados de suas formas: Direta (no momento da gravação da cena) e dublagem (onde os diálogos são gravados em estúdio e depois editados).


Temos ainda a substituição automatizada ou automática de diálogo (ADR). É um processo de regravação dos diálogos  em um estúdio durante a pós-produção para sincronização com imagem filmada. Essa técnica melhora a qualidade de áudio dos diálogos substituindo um áudio de baixa qualidade gravado na filmagem. O ator vai para o estúdio onde revê a cena gravada e vai repetindo os textos. O processo é repetido até que o trecho alcance um sincronismo com o movimento labial gravado. O processo é utilizado quando o áudio original está “contaminado” com ruídos externos ao diálogo.


Foley ou Sonoplastia 


A técnica batizada como Foley consiste na criação artificial ou reprodução de sons cotidianos que compõem o ambiente ou ação de uma cena de um filme, vídeo ou de outros meios audiovisuais Sons de passos, bater de portas, vidro quebrando). A técnica recebeu esse nome em homenagem ao técnico e engenheiro de som Jack Donovan Foley que ajudou a popularizar essa prática. Em português, utilizamos o termo sonoplastia para identificar a prática do Foley.


Normalmente, ela é uma ferramenta de pós-produção para criar ou recriar sons de uma ambiente (sons naturais) concedendo realismo e vida para uma cena. Algumas vezes o foley é usado para melhorar a qualidade de algumas sonoridades. 




Outros termos importantes para a montagem de som

 

Cues: Cada trecho de música de um filme, por menor que seja, é chamado de cue. Fazendo uma analogia com a música popular, ela seria equivalente à faixa de um disco, com a diferença de poder durar apenas alguns segundos.


Decupagem: a decupagem, ou spotting em inglês, é o processo que define onde a música vai estar presente no filme, de acordo com a cena escolhida.


Mickeymousing: é uma técnica de composição onde os movimentos sincronizados com a música. É frequentemente associada a desenhos animados (daí o nome), e têm como função exercer um efeito cômico.O mickeymousing é uma técnica controversa. 


Source music: é um termo técnico para música que ocorre numa cena onde tanto os espectadores quanto os personagens do filme ouvem. Um exemplo clássico do uso de source music é "As times goes by" no filme Casablanca (1942).


Tema: é "a parte mais reconhecível em uma obra ou trecho musical". Normalmente tocada numa determinada situação ou nas aparições de um personagem.


Referências:

A música no filme - Tony Berchmans. Ed. Escrituras.

A arte de compor música para o cinema - Eugênio Matos. Ed. Senac.

O sentido do filme - Serguei Eisenstein. Jorge Zahar Editor.


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