Organizado por Marcello Ferreira Soares Junior
Oi pessoal! esse é outro material para sala de aula. É simples e bem resumido, mas cumpre seu papel de guia inicial para uma aula.
Conceito e história
O conceito mais aceito para definir vídeo clipe é "Um videoclipe — ou simplesmente "clipe" — é uma obra audiovisual criada a partir de uma canção ou peça musical".
Logo no início da história do cinema, inventores desenvolveram soluções para sincronizar som e imagem. Isso possibilitou a criação de filmes nos quais o público podia ouvir o som e era convidado a cantar junto com a música que estava sendo executada. Datadas de 1902, as *Phonoscènes* figuram entre os primeiros exemplos de videoclipes em termos de formato.
Oskar Fischinger um pioneiro na união da música e imagem em movimento. Fischinger cineasta de vanguarda, começou a desenvolver suas ideias durante os anos 20, em pequenos filmes de
animação, nelas as imagens tentavam interagir com a música, (A trilha geralmente utilizada era o Jazz).
Ele foi o primeiro a aplicar a cor e som, usando o movimento, geometria e
espaço e os recursos relativos ao tema.
Nos
anos 30, temos o advento do cinema falado, com o lançamento do filme O Cantor de Jazz, Hollywood impulsiona um novo gênero: o musical.
Criando toda uma nova técnica de movimento de câmera, os gestos dos atores, coreografia, dança e cenários, todos dependentes do enredo e das músicas escolhidas
para o filme. Um famoso exemplo desse tipo de vídeo musical na década de 50 é a cena de Gene
Kelly em Cantando na Chuva (1952). Os produtores de Elvis Presley tomaram carona nessa tendência em Jailhouse Rock - vídeo (1957).
Nos anos 50 e 60, esse gênero vai continuar diversificando e criando
novos formatos. Nos
anos 50 iniciou-se a distribuição (forma reduzida) vídeos com performances ao
vivo ou em estúdio. A primeira canção a ter um vídeo produzido para sua
divulgação foi Penny Lane vídeo (não era uma performance filmada e sim uma compilação de cenas com a banda) dos
Beatles.
O vídeo de Bohemian Rhapsody (vídeo) do Queen de 1975, é considerado o primeiro vídeo clip moderno. Ele foi dirigido
por Bruce Gowers. A insistente divulgação na TV levou o single da canção ao
posto número um da parada inglesa por nove semanas. Bohemian Rhapsody não tem o formato de uma canção pop tradicional.
Mas a força da divulgação potencializada pela imagem alavancou seu sucesso e gerou um novo conceito. O clipe passou a ser considerado um formato audiovisual de divulgação na
música popular.
Nos
anos 80, algumas produtoras do mercado fonográfico dos EUA criaram um canal a
cabo dedicado a transmitir música 24 horas por dia. A MTV, nascido 01 de agosto
de 1981, tinha inicialmente cerca de quatro milhões. A estreia do canal marcou
uma nova era da divulgação na indústria musical. Curiosamente o primeiro vídeo exibido
foi Video Killed the Radio Star (vídeo) do
The Buggles.
Nos
anos 80, os clips de vídeo passam a ser produzidos em larga escala, mas ainda
seguindo a estética das décadas anteriores. Ou seja, compilações de imagem da
banda ou artista, em alguns casos ocorriam tentativas de criar algum sentido
temático.
Michael
Jackson foi um dos visionários (numa postagem anterior falei sobre MJ e o vídeo clipe), contratou o diretor de cinema John Landis para dirigir alguns de seus
clipes. O mais famoso foi, sem dúvida, Thriller (vídeo), que teve uma
história de horror com uma maquiagem muito credível complementado e coreografia
que marcou toda uma geração. Foi um dos primeiros que decidiu alterar o formato
de vídeo criando um mini filme de três minutos. Linha do Tempo
Primeiros Registros e Performances Registradas
Anos 1950
1957 – The Ballad of Paladin: Destacado como um dos primeiros exemplos de vídeo promocional montado com cenas de TV (Have Gun – Will Travel), apresentando cortes de 3 a 9 segundos sincronizados com a música.
Estética do Registro ao Vivo: As produções dos anos 1950 eram gravadas em take único, simulando shows em estúdio ou curtas para jukeboxes operadas por moedas. As apresentações no The Ed Sullivan Show (Elvis Presley, Chuck Berry) estabeleceram o padrão de exibição televisiva da música popular.
Ruptura Estética dos Beatles e Filmes Promocionais
Anos 1960
A Influência de Richard Lester: Os filmes dos Beatles (A Hard Day's Night e Help!) libertaram a canção da lógica narrativa tradicional, introduzindo cortes rápidos, atitude e gags visuais que influenciaram diretamente a estética do videoclipe.
Filmes Promocionais para a TV: Grupos como The Beatles e The Rolling Stones passaram a produzir clipes conceituais para enviar a programas como o Top of the Pops, evitando viagens exaustivas de divulgação.
1967 – Strawberry Fields Forever: Marco divisor filmado em cores. Utilizou efeitos de reversão, sobreposições, estética psicodélica e simbolismo abstrato, rompendo definitivamente com a simples dublagem de palco.
Afirmação Conceitual, Glam, Disco e Punks
Anos 1970
Elevação dos Orçamentos de Produção: O Glam Rock (David Bowie) e a Disco Music (Bee Gees) trouxeram figurinos extravagantes, iluminação cênica e conceitos visuais elaborados.
O Vídeo como Agitprop no Punk: Grupos marginalizados pelas rádios comerciais (como o movimento punk) foram pioneiros em usar o videoclipe como ferramenta de divulgação independente e veículo de contestação.
1975 – Bohemian Rhapsody (Queen): Provou conclusivamente que o videoclipe podia definir a recepção e o sucesso de um single, tornando-se o modelo conceitual definitivo da era pré-MTV.
A Revolução MTV e o Pós-Modernismo
Anos 1980
1981 – Estreia da MTV: A transmissão contínua de clipes transformou a promoção musical. O clipe inaugural, "Video Killed the Radio Star" (The Buggles), profetizou a passagem do rádio para a televisão.
Linguagem Pós-Moderna: Consolidação da montagem associativa e da apropriação de ícones do cinema, pintura, jornalismo e publicidade.
1983 – O Curta-Metragem Cinematográfico: Michael Jackson redefiniu o formato com "Beat It", "Billie Jean" e "Thriller" (1983), unindo narrativa narrativa ficcional, maquiagem de terror e coreografias históricas.
Madonna e a Construção de Imagem: Utilizou o videoclipe como plataforma de moda, provocação religiosa e expressão de identidade sexual ("Like a Prayer", 1989; "Justify My Love", 1990).
Diversificação Estética, Grunge e a Idade de Ouro do R&B/Hip-Hop
Anos 1990
1991 – Smells Like Teen Spirit (Nirvana): A estética lo-fi, escura e anárquica do clipe canalizou o sentimento da juventude dos anos 90 e popularizou o grunge em escala global.
Decodificação de Abstrações: Produções como "Losing My Religion" (R.E.M., 1991) demonstraram o potencial do vídeo para traducir metalinguagens e sentimentos abstratos.
Consolidação das Produções de Hip-Hop e Pop: Artistas como Tupac, Notorious B.I.G., Janet Jackson, Whitney Houston e Britney Spears ("...Baby One More Time") impulsionaram superproduções focadas em storytelling e virtuosismo coreográfico.
A Era Digital, Enquadramento Central e o YouTube
Anos 2000
2005 – O Impacto do YouTube: A migração da TV para a internet descentralizou a distribuição. O consumo migrou progressivamente para as telas de computadores e dispositivos móveis.
Adequação Visual (Centre Framing): A composição de câmera passou a priorizar o enquadramento centralizado, facilitando a visualização em telas pequenas.
Ideias Virais e Efeitos Digitais: Uso massivo de CGI e conceitos focados em criatividade de execução, como "Here It Goes Again" (OK Go, 2006, com dança em esteiras), "Single Ladies" (Beyoncé, 2008) e o apogeu conceitual de Lady Gaga ("Bad Romance", 2009).
Streaming, Vídeos Virais e Engajamento Político
Anos 2010
2010 – O Fenômeno de Visualizações: "Baby" de Justin Bieber torna-se um dos primeiros vídeos a atingir 1 bilhão de visualizações no YouTube, consolidando a lógica dos virais globais.
Inovações de Linguagem Técnica: Difusão de gravações em plano-sequência (one-shot), uso de drones, vídeos em 360 graus, realidade virtual (VR) e aumentada.
O Clipe como Manifesto Sociopolítico: O audiovisual volta a ser um instrumento denso de comentário social.
Tipos videoclipe
Tipo A. Descritivo.
A
narrativa com a sensação de certa ordem ou no momento na sucessão de imagens,
que são os fatores que irão moldar a representação espaço-temporal, mas não há
lugar para contar histórias. O objetivo é criar uma sensação de participar de uma
experiência. Eles apresentam a música e seu músico ou grupo no palco, em um
estúdio ou em um concerto. Tudo isso é acompanhado por imagens associadas de
alguma forma com o outro, tentando manter a atenção do espectador e introduzir
na situação, dentro do discurso.
Tipo B. Narrativo.
Ele
apresentada uma sequência de eventos de uma história sob a estrutura clássica
dramática. Ele desenvolve um programa de narrativa, onde atores podem
interpretar os papeis das personagens do drama (ou os próprios músicos podem atuar).
A relação entre música e imagem pode ser:
·
Linear (repete o que a canção narra);
·
Adaptação (enredo paralelo da música);
·
Sobreposição (história independente da
música, mas funciona).
Tipo A + B.
Descritivo - narrativo. É uma mistura dos dois.
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Maiores e melhores informações consulte: www.kandykills.jimdo.com/ (página em espanhol).
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