Estou republicando essa postagem. Escrevi esse texto na época da graduação como um trabalho para a cadeira de "harmonia musical 3". A ideia era examinar um "problema harmônico" e elaborar uma analise. Foi uma apresentação oral de sete lâminas (quem é mais velho sabe do que estou falando).
Analise harmônica do Acorde Tristão.
Este acorde é um assunto quase que onipresente nas discussões sobre a estrutura harmônica do prelúdio da ópera Tristão e Isolda de Wagner. Ele é motivo de muita controvérsia e um pesadelo analítico para alunos e professores de harmonia.
Pois "acorde de Tristão e Isolda" é uma daquelas armadilhas analíticas que podem ser, ao mesmo tempo, um excelente exercício mental ou uma tremenda dor de cabeça. Pois a redor dele podemos levantar uma serie de analises e não chegarmos a qualquer resultado satisfatório. Afinal, sempre haverá alguém para discordar.
Tendo isso em mente, o jeito é relaxar e tentar captar a maior quantidade possível de “discordâncias”, quanto mais, melhor!! E o famoso acorde Tristão é um verdadeiro manancial de discórdia..rrssr
Vamos conhecer três abordagem analíticas sobre o famoso acorde wagneriano.
Logo de cara, podemos descrever esse acorde é um acorde menor com sétima menor, que através de um movimento ascendente de uma de suas notas (sol# - lá) e torna-se um acorde de 6º aum. Germânica (exemplo 1), que resolve numa Dominante, mas esta cadência que não encontra resolução numa Tônica...O que? Não resolve?... Mas a função que este acorde desempenha?
Ex.1
Resposta 1: Lorenz defende que o acorde pertence a tonalidade de lá menor e exerce uma função de Dominante Secundária (exemplo 2). Ai você pergunta: Mas ele é dominante secundária de quem? Será que eu fiz meus exercícios de harmonia todos errados?
Exemplo 2:
Resposta 2: Para muitos pouco importa, Wagner esta rompendo com o sistema tonal! E o acorde é apenas resultado de uma malha contrapontística! Baseado nessas premissas podemos ligar o movimento melódico das vozes do acorde (ainda que de forma distante) as regras do contraponto de 4º espécie. Porém, sem o uso da ligadura anterior na nota superior, e também sem de resolver a dissonância de forma descendente (exemplo 2b), ele o faz de forma ascendente. Ai você se indaga lá vem você com este papo de contraponto!
Exemplo 2b:
Resposta 3: Schoenberg é mais “cabeça fria”, ele não se preocupa em determinar a função do acorde numa tonalidade. Schoenberg propõem que a procedência deste acorde, pouco diz sobre ele e para onde este deve ir e defende que este acorde pode movimentar-se através de várias tonalidades. Além idsso, apesar do movimento do acorde se encaminha para Dominante de lá menor, ele também poderia, muito naturalmente, seguir para a Dominante de mib menor (exemplo 3). Ou para qualquer outra tonalidade ou acorde (exemplo 4 e 5). Desta maneira, Schoenberg identifica um recurso usado por Wagner em sua obra como acorde ‘errante’. Pois o acorde mudo de configuração a cada passagem cromática na melodia (exemplo 6 e 7).
Exemplo 3:
Exemplo 4:
Exemplo 5:
Exemplo 6:
Exemplo 7:
Bem, pessoal na analise, principalmente da harmonia, vez por outra ocorre esta profusão de opiniões, muitas vezes divergentes, muitas vezes complicadas, muitas vezes simples e as vezes até ridículas.
Isso se dá por alguns motivos básicos: nível conhecimento do analista; forma de raciocínio; a abordagem assumida ou a preferência pessoal do analista, ou seja, ele encontra o que quer encontrar. Para o potencializar o aprendizado, a melhor opção é escolher todas as opções, examinar e pondera os seus resultados e suas validades. Pequem pelo excesso!!!
🙏Se você curtiu as dicas, dê um apoio ao blog LINK








Comentários