quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Analise harmônica: relaxem e curtam!! O Acorde Tristão (ou Dor de Cabeça)

Este acorde é um assunto quase que onipresente nas discussões sobre a estrutura harmônica do prelúdio da ópera Tristão e Isolda de Wagner, ele é motivo de muita controvérsia e um pesadelo analítico para alunos e professores de harmonia, pois nosso amigo é uma daquelas armadilhas analíticas, que podem ser um excelente exercício mental ou uma tremenda dor de cabeça. Pois a redor dele podemos levantar uma serie de analises e não chegarmos a qualquer resultado satisfatório, pois sempre haverá alguém para discordar (kk), assim o jeito é relaxar e tentar captar a maior quantidade possível de “discordâncias”, quanto mais, melhor!! E o famoso acorde Tristão é um verdadeiro manancial de discórdia..rrssr

Vejamos para muitos ele é um: acorde menor com sétima menor, que através de um movimento ascendente de uma de suas notas (sol# - lá) e torna-se um acorde de 6º aum. Germânica (exemplo 1), que resolve numa Dominante, mas esta cadência que não encontra resolução numa Tônica...O que? Não resolve?... Mas a função que este acorde desempenha?

Ex.1


Resposta 1: Lorenz defende que ele pertença a lá menor e tenha uma função de Dominante Secundária (exemplo 2). Ai você pergunta: Mas ele é dominante secundária de quem? Será que eu fiz meus exercícios de harmonia todos errados?

Exemplo 2:

Resposta 2: Para muitos pouco importa, Wagner esta rompendo com o sistema tonal, e o acorde é apenas resultado de uma malha contrapontística, esta que pode nos remeter (ainda que de forma distante) ao contraponto de 4º espécie, porém sem a ligadura anterior na nota superior, e também ao invés de resolver a dissonância de forma descendente (exemplo 2b), ele o faz de forma ascendente. Ai você se indaga lá vem você com este papo de contraponto!

Exemplo 2b:
Resposta 3: Schoenberg é mais “cabeça fria”, ele não se preocupa em determinar a função do acorde numa tonalidade, ele propõem que a procedência deste acorde, pouco diz sobre ele e para onde este deve ir, Schoenberg defende que este acorde pode movimentar-se através de várias tonalidades, e que apesar dele se encaminha para Dominante de lá menor, ele também poderia muito naturalmente seguir para a Dominante de mib menor (exemplo 3), ou para qualquer outra tonalidade ou acorde (exemplo 4 e 5), desta maneira ele identifica um recurso usado por Wagner em sua obra como acorde ‘errante’. Pois o acorde mudo de configuração a cada passagem cromática na melodia (exemplo 6 e 7).

Exemplo 3:

Exemplo 4:

Exemplo 5:
Exemplo 6:

Exemplo 7:
Bem, pessoal na analise, principalmente da harmonia, vez por outra ocorrem esta profusão de opiniões, muitas vezes divergentes, muitas vezes complicadas, muitas vezes simples e as vezes até ridículas. Isso se dá por alguns motivos básicos: nível conhecimento do analista; forma de raciocínio; a abordagem assumida ou a preferência pessoal do analista, ou seja, ele encontra o que quer encontrar. Para o aprendizado a melhor opção é escolher todas as opções, e examinar e pondera os seus resultados e suas validades. Pequem pelo excesso!!!