Contraponto de quinta espécie
Objetivo: valorização do aspecto rítmico através da variedade rítmica, utilizando para isso de uma só vez idéias de todas as espécies anteriores. Pois nesta etapa de uso da quinta espécie acreditamos que com a prática didática já tenhamos sedimentado no estudante as “normas” inerentes às espécies anteriores.
Primeiramente aqui é necessário que você conheça as prerrogativas de cada uma das espécies anteriores.
Sua atenção nesta espécie de vê voltar ao aspecto rítmico, pois com a fusão das demais espécies, agora podemos ter variedade e movimento até então inéditos em nossos estudos. A idéia é evitar a periodicidade rítmica no contraponto em relação ao cantus firmus, para isso um excelente é a utilização das ligaduras e sincopes da quarta espécie.
Neste contexto de quebra da periodicidade temos que levar em consideração alguns aspectos:
A aceleração e a diminuição do fluxo rítmico devem ser planejadas e articuladas com bom senso. Pois imagine o discurso de um orador, o ritmo imposto sempre é bem dosado não há acelerações ou reduções bruscas, ou seja, estas variações se ocorrerem devem ser efetuadas paulatinamente.
O professor e compositor Eli-Ari Moura em suas aulas chama a atenção a outro aspecto curioso e sutil, o cuidado com o uso de valores rítmicos nas razões maiores de 5 ou mais unidades ligadas [principalmente os valores impares 5-7-9]. Bom, em primeiro lugar a sustentação de uma nota no CP por este período pode ter duas conseqüências imediatas:
- Pode tornar audição cansativa e se a nota sustentada não forma a finalis do modo ainda corremos risco de “viciar” o ouvido. Contudo, como demonstrado esta idéia é formal aplicada a um exercício de disciplina em sala de aula, na composição, este recurso pode servir para justamente “contaminar” ou alterar o modo utilizado. Mas por enquanto vamos ficar com a orientação para o desenvolvimento de nossa disciplina de estudo.
- Fazendo esta sustentação iremos “brecar” o fluxo rítmico do CP.

Figura 1
Em algumas obras e livros combinações rítmicas são mais utilizadas e sugeridas, vejamos algumas:
A] Aqui a primeira semínima pode ser uma consonância e a segunda tanto uma consonância quanto uma dissonância como nota de passagem, já primeira semínima for uma dissonância como nota de passagem segunda semínima será uma consonância que também pode ser ligada a nota seguinte [3º espécie]. A mínima pode ligada a nota anterior como consonância ou dissonâncias suspensa.
B] Esta combinação é muito utilizada quando:
A primeira semínima sempre vem com uma consonância.
Quando precedida por uma semínima.
Com ligadura na mínima com a nota seguinte.
Com ligadura na primeira semínima com a nota anterior.
C] usar 4ª espécie.
D] usar 2ª e 3ª espécies respectivamente.
E] a nota de maior valor sempre é uma consonância.
F] Usar apenas como nota de passagem ou bordadura inferior no final das células rítmicas sobre um cantus firmos. Não é muito aconselhável usar uma colcheia sozinha no caso de estarmos trabalhando com música vocal, pois dependendo a unidade de referencia utilizada para o pulso a colcheia pode atrapalhar a métrica do texto e às vezes a articulação das notas pelo cantor, quando usada sobre o texto é recomendável utilizá-la como melisma sempre que possivel. Já na música instrumental é só ter cuidado para não tornar o à melodia confusa ou turvar a textura.

Figura 2
Aspectos horizontais:
- Usar as prerrogativas das espécies anteriores nos casos específicos.
- Lembre-se a distribuição rítmica do CP deve evitar recorrências e simetria demasiada no desenho melódico.
- Evite repetição de motivos ou fragmentos melódicos, uma exceção a esta sugestão é no caso de uso de contraponto imitativo [veremos mais a diante].
- A bordadura superior é possível na seguinte figura rítmica. [ver prerrogativas de bordadura das espécies anteriores]
- Ligaduras são possíveis entre as seguintes figuras. [lembrem como a figuração rítmica é relativa e tudo depende da figura usada como referencia. Nosso exemplo usa a mínima como referencia]. A. Quando as figuras ligadas são aquela que são a referencia [no caso mínimas]. B. As figuras de maior valor sempre vem primeiro na ligadura. C. nunca ligar duas figuras de valor menor do que a da referencia.
- Não utilizar valores impares acima de 5 unidades [temos a semínima como referencia deste exemplo] ligados.

Figura 3
E algumas ideais de suspensão e resolução [Quarta espécie].

Figura 4
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